Evento: 31 de agosto · Publicado em

Tribunal finlandês reduz pena de líder do grupo neonazista Rusich de prisão perpétua para 12,5 anos por crimes de guerra na Ucrânia

O Tribunal de Apelações de Helsinque reduziu a sentença de Voislav Torden (Yan Petrovsky), cofundador do grupo neonazista russo Rusich, de prisão perpétua para 12,5 anos por crimes de guerra cometidos na Ucrânia em 2014. O tribunal reconheceu Torden como ao menos parcialmente responsável pelos fatos, mas entendeu que não há provas suficientes de que ele pessoalmente tenha executado soldados ucranianos feridos ou que tivesse responsabilidade de comando sobre os assassinatos.

Pontos principais

  • Tribunal reduziu a pena de Voislav Torden de prisão perpétua para 12,5 anos por crimes de guerra na Ucrânia.
  • Torden é cofundador do grupo neonazista russo Rusich, que lutou ao lado de milícias apoiadas pela Rússia em 2014 e depois junto ao exército russo.
  • Segundo a acusação, Torden e combatentes do Rusich mataram 22 soldados ucranianos e feriram gravemente outros quatro no outono de 2014.
  • Em março de 2025, o Tribunal Distrital de Helsinque havia condenado Torden à prisão perpétua por quatro crimes de guerra.
  • O tribunal considerou que não está comprovado que Torden tenha pessoalmente executado os soldados ucranianos feridos nem que tivesse responsabilidade de comando sobre os assassinatos.
  • O tribunal não classificou como crime de guerra a gravação do símbolo do Rusich na bochecha de um soldado ucraniano, por entender que o ferimento foi superficial.
  • A Ucrânia pediu à Finlândia a extradição de Petrovsky, mas o Supremo Tribunal finlandês recusou, citando condições inadequadas nas prisões ucranianas.

Por que importa

O caso representa uma das raras persecuções penais contra um combatente alinhado à Rússia por crimes de guerra cometidos na Ucrânia, e seu desfecho tende a influenciar a forma como tribunais de terceiros países tratam casos semelhantes. A redução da pena — incluindo o arquivamento de algumas acusações e a não classificação como crime de guerra da gravação do símbolo do Rusich no rosto de um soldado — provavelmente será vista como um revés para os esforços de responsabilização pela Ucrânia. O processo também produziu conclusões judiciais documentadas sobre as atividades do grupo Rusich, suas táticas e seus vínculos reportados com a empresa militar privada Wagner.

O que aconteceu

O Tribunal de Apelações de Helsinque, na Finlândia, reduziu a sentença de Voislav Torden — também conhecido como Yan Petrovsky — de prisão perpétua para 12,5 anos de prisão por crimes de guerra relacionados a ações cometidas na Ucrânia em 2014. Torden é cofundador do Rusich, grupo neonazista russo que inicialmente lutou ao lado de milícias apoiadas pela Rússia e depois atuou junto ao exército russo. Em março de 2025, o Tribunal Distrital de Helsinque já o havia condenado à prisão perpétua por quatro crimes de guerra; a defesa pediu o arquivamento das acusações ou a redução da pena, enquanto a acusação pediu a condenação por cinco crimes de guerra.

Em sua decisão, o Tribunal de Apelações reconheceu que Torden disparou uma metralhadora contra militares ucranianos — configurando crime de guerra —, mas concluiu que não havia provas suficientes de que ele, pessoalmente, ou outros dois membros do Rusich tenham executado os soldados ucranianos feridos. O tribunal também afastou a tese de responsabilidade de comando de Torden sobre essas execuções, embora tenha reconhecido sua responsabilidade parcial como participante dos fatos. Outra acusação confirmada foi a divulgação em redes sociais de uma foto do comandante do Rusich diante do corpo queimado de um soldado ucraniano morto; também foram reconhecidos como crimes de guerra declarações de Torden de que o Rusich não faz prisioneiros. Por outro lado, o tribunal não classificou como crime de guerra a gravação do símbolo do Rusich na bochecha de um combatente ucraniano, avaliando que o ferimento foi superficial, sem sangramento e causou apenas dano de curta duração.

Torden havia sido preso na Finlândia em 20 de julho de 2023, no Aeroporto de Helsinque-Vantaa, ao tentar embarcar para Nice com passaporte russo e autorização de residência finlandesa em nome de Voislav Torden. Ele é alvo de sanções da União Europeia e dos Estados Unidos e tem entrada proibida em toda a zona de Schengen. A Ucrânia solicitou à Finlândia sua extradição, mas o Supremo Tribunal finlandês a negou, citando condições inadequadas nas prisões ucranianas.

O que dizem as fontes ucranianas

As duas fontes em língua ucraniana apresentam o desfecho como uma redução — ou mesmo um "cancelamento" — da pena de prisão perpétua e destacam decisões específicas vistas como minimizadoras dos crimes. Entre os pontos enfatizados estão o afastamento da responsabilidade de comando, a não classificação como crime de guerra da gravação do símbolo do Rusich na bochecha de um soldado e a rejeição da acusação mais grave de execução pessoal. A cobertura destaca ainda detalhes ligados às vítimas, como a emboscada contra o batalhão Aidar, o uso de uma bandeira ucraniana para atrair os soldados e a distribuição em redes sociais de fotografias do corpo queimado de um soldado ucraniano.

Onde as versões divergem

As duas fontes divergem no tom em que enquadram o resultado. Uma enfatiza como manchete a redução da pena de prisão perpétua para 12,5 anos, enquanto a outra destaca a conclusão do tribunal de que a gravação do símbolo do Rusich na bochecha de um soldado ucraniano não constitui crime de guerra, por entender que o ferimento foi superficial.

Contexto

O grupo Rusich combateu na Ucrânia ao lado de milícias apoiadas pela Rússia a partir de 2014 e, posteriormente, atuou junto ao exército russo. A NAZK da Ucrânia afirmou que o grupo tem vínculos com a empresa militar privada Wagner, podendo operar como uma subunidade dela. Torden/Petrovsky viveu na Noruega desde 2004 e teve atuação em organizações de extrema direita na Noruega e na Suécia antes de lutar na Ucrânia entre 2014 e 2015. Ele é alvo de sanções da UE e dos EUA e tem entrada proibida em toda a zona de Schengen. Na Ucrânia, foi notificado sobre suspeita pelo artigo 258-3, parágrafo 1, do Código Penal e colocado na lista de procurados por se evadir da investigação. Em 2015, mercenários do Rusich foram acusados de atrocidades contra soldados ucranianos mortos e capturados.