Moradores de Oleshky ocupada tentam sair de bicicleta diante do bloqueio russo à evacuação
Em 3 de outubro, relatos indicam que dezenas de civis da cidade ocupada de Oleshky, na região de Kherson, tentam sair por conta própria — de bicicleta, lambreta ou a pé — em meio à falta de alimentos, água potável e medicamentos. O ombudsman Dmytro Lubinets afirma que a Rússia está bloqueando um corredor humanitário, e a Ucrânia já propôs rotas seguras, regime de silêncio e participação do CICV. A Comissão Europeia e a comissária Hadja Lahbib pediram que a Rússia permita a saída dos civis e garanta acesso humanitário.
Pontos principais
- Em 3 de outubro, mensagens online afirmaram que dezenas de pessoas saíram de Oleshky ocupada; nenhum órgão oficial confirmou ou desmentiu a informação.
- O ombudsman Dmytro Lubinets relatou que a Rússia impede a evacuação por corredor humanitário; a Ucrânia propôs rotas seguras, cessar-fogo e participação do CICV, mas a resposta russa foi "não".
- A Comissão Europeia pediu à Rússia que permita o acesso humanitário e a saída dos civis de Oleshky.
- A comissária europeia Hadja Lahbib afirmou que civis estão sitiados por forças russas, sem acesso a alimentos, medicamentos, água potável ou cuidados médicos básicos.
- Cerca de 2 mil moradores de Oleshky, incluindo quase 50 crianças, estão sem acesso a cuidados médicos e alimentos, segundo o chefe da administração regional de Kherson, Oleksandr Prokudin.
- Drones das Forças Armadas ucranianas entregaram recentemente 4 mil kg de alimentos a Oleshky, mas os russos teriam confiscado a carga e jogado em porões quem a recebeu.
- Lubinets qualificou as ações da Rússia em Oleshky como genocídio e violação grave da Quarta Convenção de Genebra.
Por que importa
A situação em Oleshky expõe uma crise humanitária em uma cidade ocupada onde cerca de 2 mil civis — entre eles quase 50 crianças — estão sem acesso regular a alimentos, água e cuidados médicos. O bloqueio russo a um corredor humanitário e a relatos de confisco de ajuda entregue por drones ucranianos levantam questionamentos sobre o cumprimento de Moscou das obrigações de potência ocupante previstas no direito internacional. A intervenção pública da Comissão Europeia e da comissária Hadja Lahbib eleva o caso ao nível diplomático europeu, enquanto a caracterização feita por Lubinets como genocídio e violação da Quarta Convenção de Genebra dá dimensão política às denúncias.
O que aconteceu
Em 3 de outubro, circularam pela internet relatos de que dezenas de civis estariam deixando a cidade ocupada de Oleshky, na região de Kherson, por conta própria, de bicicleta, lambreta ou a pé, na tentativa de conseguir alimentos e suprimentos para si e para familiares. Nenhuma autoridade ou instituição confirmou ou desmentiu oficialmente essas informações até o momento.
O ombudsman parlamentar Dmytro Lubinets afirmou que a Rússia não está permitindo a evacuação por corredor humanitário e que a Ucrânia está pronta para iniciar a operação imediatamente, com rotas seguras, regime de silêncio e participação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) como terceiro. Segundo Lubinets, a resposta russa a todas as propostas foi negativa.
A Comissão Europeia se manifestou pedindo que a Rússia garanta acesso humanitário a Oleshky e permita a saída dos civis. A comissária europeia para Preparação, Gestão de Crises e Igualdade, Hadja Lahbib, declarou que os civis estão sitiados por forças russas, sem acesso a alimentos, medicamentos, água potável ou cuidados médicos básicos, e lembrou que a Rússia, como potência ocupante, tem obrigações claras sob o direito internacional humanitário.
O chefe da administração militar da região de Kherson, Oleksandr Prokudin, afirmou que os russos mantêm cerca de 2 mil pessoas em Oleshky, das quais quase 50 são crianças, sem alimentação, eletricidade ou água. De acordo com a Missão de Monitoramento de Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, nenhum carregamento de alimentos chegou à cidade desde 26 de maio. Drones das Forças Armadas ucranianas entregaram recentemente 4 mil kg de alimentos, mas relatos indicam que os russos confiscaram a carga e prenderam em porões quem a recebeu.
Lubinets classificou as ações da Rússia em Oleshky como genocídio e violação grave da Quarta Convenção de Genebra. O Conselho Pan-Ucraniano de Igrejas e Organizações Religiosas apelou ao Papa, à ONU e ao CICV para ajudar a evacuar os residentes para território controlado pela Ucrânia.
O que dizem as fontes internacionais
A Comissão Europeia e a comissária para Preparação, Gestão de Crises e Igualdade, Hadja Lahbib, tornaram o caso de Oleshky uma questão diplomática europea. Em declaração pública, a Comissão exigiu que a Rússia, como potência ocupante, cumpra suas obrigações sob o direito internacional humanitário: proteger os civis e garantir o acesso e a entrega de ajuda humanitária. Lahbib descreveu a situação como aterrorizante e denunciou que os civis estão sitiados por forças russas, sem acesso a alimentos, medicamentos, água potável ou cuidados médicos básicos. A manifestação europeia se soma aos apelos anteriores do Conselho Pan-Ucraniano de Igrejas ao Papa, à ONU e ao CICV para intermediar a evacuação.
Onde as versões divergem
Canais de Telegram afirmaram que cerca de cem pessoas de Oleshky teriam ido até a vila controlada pela Rússia de Radensk em busca de alimentos e depois retornado. Já os vídeos que mostram pessoas pedalando supostamente na direção de saída da cidade não foram confirmados oficialmente: a direção real dos ciclistas e seu propósito permanecem desconhecidos, e nenhum órgão oficial confirmou ou desmentiu as informações sobre saídas de Oleshky.
Contexto
A cidade de Oleshky está ocupada pelas forças russas e foi uma das localidades atingidas pela destruição da barragem de Kakhovka em 6 de junho de 2023, que inundou diversos assentamentos da região. Segundo o chefe da administração regional de Kherson, Oleksandr Prokudin, cerca de 2 mil pessoas permanecem na cidade, incluindo quase 50 crianças, sem alimentação, eletricidade ou água. De acordo com a Missão de Monitoramento de Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, nenhum carregamento de alimentos chegou a Oleshky desde 26 de maio. O Conselho Pan-Ucraniano de Igrejas e Organizações Religiosas já havia apelado ao Papa, à ONU e ao CICV para auxiliar na evacuação dos moradores para território controlado pela Ucrânia.