Russos confiscam ajuda alimentar da Ucrânia entregue por drones em Oleshky, na ocupação
Militares russos na cidade temporariamente ocupada de Oleshky, na região de Kherson, teriam confiscado pacotes de alimentos lançados por drones das Forças Armadas da Ucrânia a civis locais, interrogando os moradores que receberam a ajuda e acusando-os de colaborar com as Forças Armadas da Ucrânia, segundo a chefe da Administração Militar da cidade, Tetiana Hasanenko. A entrega, de cerca de 4 toneladas, foi descrita como a maior operação do tipo já realizada. Autoridades ucranianas e religiosas descrevem Oleshky como uma cidade sob bloqueio humanitário e à beira de uma catástrofe humanitária.
Pontos principais
- Militares russos em Oleshky, Kherson Oblast, teriam confiscado pacotes de alimentos lançados por drones das Forças Armadas da Ucrânia a civis locais.
- Segundo Tetiana Hasanenko, chefe da Administração Militar de Oleshky, soldados russos interrogavam moradores sobre a origem dos alimentos e os acusavam de colaborar com as Forças Armadas da Ucrânia.
- As Forças Armadas da Ucrânia entregaram cerca de 4 toneladas (4.000 kg) de alimentos a Oleshky por drones, em operação descrita como a maior do tipo até o momento, com 142 sorties de unidades da 30ª Brigada de Fuzileiros Navais.
- A última entrega oficial de alimentos a Oleshky registrada antes dos lançamentos com drones teria ocorrido em 26 de maio; a Missão de Monitoramento de Direitos Humanos da ONU na Ucrânia afirmou que nenhum carregamento chegou à cidade pelo menos até 24 de junho.
- Estima-se que entre cerca de 2.000 pessoas (segundo porta-voz das Forças de Defesa do Sul) e até 6.000 pessoas na cidade e arredores (segundo a Administração Militar), incluindo cerca de 50 a 200 crianças, permaneçam em Oleshky.
- O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, disse que a Rússia estaria preparando vídeos de propaganda com civis forçados a dizer que estão bem alimentados e gratos aos ocupantes; a ONU, a Cruz Vermelha e o Papa foram chamados a agir.
Por que importa
A apreensão de ajuda humanitária ucraniana pelas forças de ocupação agrava diretamente uma crise alimentar em uma cidade já descrita por autoridades ucranianas e por organizações religiosas como à beira de uma catástrofe humanitária. O relato de interrogatórios forçados e acusações de colaboração contra civis que receberam ajuda aponta para um padrão de coerção e represálias. A ONU registrou que a cidade ficou sem suprimentos oficiais por quase quatro meses, e o apelo conjunto a instâncias internacionais eleva o caso à atenção da Assembleia Geral da ONU, da Cruz Vermelha e do Papa. A denúncia de que Moscou planejaria reembalar a ajuda ucraniana como própria adiciona uma dimensão de desinformação à crise humanitária.
O que aconteceu
Militares russos na cidade temporariamente ocupada de Oleshky, na região de Kherson, teriam confiscado pacotes de alimentos que as Forças Armadas da Ucrânia haviam lançado por drones a civis locais, segundo Tetiana Hasanenko, chefe da Administração Militar da cidade, em declarações à Ukrinform. Segundo ela, soldados russos interrogaram moradores que receberam a ajuda, perguntando de onde vinham os produtos não russos e acusando-os de cooperar com a Força Armada da Ucrânia. A entrega, de cerca de 4 toneladas de alimentos, foi descrita como a maior operação do tipo realizada até o momento, com 142 sorties de drones conduzidos por unidades da 30ª Brigada de Fuzileiros Navais, da 34ª Brigada de Fuzileiros Navais e da 11ª Brigada da Guarda Nacional "Bolharchy". O chefe da Administração da região de Kherson, Oleksandr Prokudin, informou que a operação levou alimentos a cerca de 100 pontos da cidade, e que os russos têm abatido drones que transportam suprimentos. A Administração Militar de Oleshky afirma que a última entrega oficial de alimentos à cidade ocorreu em 26 de maio; a Missão de Monitoramento de Direitos Humanos da ONU na Ucrânia registrou que nenhum carregamento chegou a Oleshky pelo menos até 24 de junho. Hasanenko também relatou que pessoas continuam a desaparecer na comunidade de Oleshky após serem sequestradas pelos russos, inclusive uma família inteira cujo paradeiro é desconhecido. Há relatos de residentes que comeram cachorros por falta de comida, e moradores disseram ao jornal alemão Bild que sobreviveram ao verão com hortaliças de suas próprias hortas, mas agora enfrentam o risco de inanição. Em 16 de setembro, o ombudsman Dmytro Lubinets afirmou que a Rússia há tempos não confirma disposição para conduzir uma missão humanitária de evacuação de civis de Oleshky; em 19 de setembro, o Conselho Pan-Ucraniano de Igrejas e Organizações Religiosas declarou que a cidade está à beira de uma catástrofe humanitária e pediu ao Papa, à ONU e ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha que ajudem a evacuar os residentes; em 20 de setembro, o ministro das Relações Exteriores Andrii Sybiha disse que a Ucrânia levará a situação de Oleshky à Assembleia Geral da ONU, e em 26 de setembro pediu a organizações internacionais que mobilizem recursos para a entrega de ajuda.
O que dizem as fontes ucranianas
A cobertura ucraniana tem como vozes principais Tetiana Hasanenko (Administração Militar de Oleshky), o ombudsman Dmytro Lubinets, o ministro das Relações Exteriores Andrii Sybiha, o chefe da Administração da região de Kherson Oleksandr Prokudin e a porta-voz das Forças de Defesa do Sul Anastasiia Shevchenko. As reportagens enfatizam a apreensão pela Rússia dos pacotes lançados por drones, os interrogatórios que acusam civis de colaborar com a Força Armada da Ucrânia e o sequestro contínuo de moradores, enquadrando o quadro como "humanitário bloqueio" e "catástrofe humanitária". A entrega de cerca de 4 toneladas em 142 sorties é apresentada como uma conquista humanitária ucraniana, em contraste com a Rússia descrita como autora da crise. O governo ucraniano e o Conselho de Igrejas procuraram elevar o assunto internacionalmente, junto à ONU, ao Papa e ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha. As divergências entre fontes ucranianas sobre o número de civis que permanecem na cidade — até 6.000 na estimativa da Administração Militar e cerca de 2.000 na da Defesa do Sul — refletem variações internas nas estimativas.
Onde as versões divergem
As fontes divergem em dois pontos. Quanto à primeira um lançamento do último carregamento oficial de alimentos antes da entrega por drones: uma das matérias aponta o evento para o final de maio de 2026, enquanto outras fontes ucranianas ou não especificam o ano ou sugerem 2025, e a Missão de Monitoramento de Direitos Humanos da ONU registra 26 de maio sem deixar claro a qual ano se refere. Quanto à segunda estimativas divergem sobre a população civil remanescente em Oleshky e arredores: Tetiana Hasanenko e outras autoridades ucranianas falam em até cerca de 6.000 pessoas, incluindo cerca de 200 crianças, na cidade e no entorno, enquanto a porta-voz das Forças de Defesa do Sul, Anastasiia Shevchenko, calcula cerca de 2.000 pessoas, incluindo cerca de 50 crianças, apenas na cidade.
Contexto
Oleshky, na região de Kherson, está sob ocupação russa e é descrita por autoridades ucranianas como uma cidade sob bloqueio humanitário, à beira de uma catástrofe. Antes da guerra, a cidade tinha cerca de 24.000 habitantes; estimativas atuais variam de cerca de 2.000 (segundo a porta-voz das Forças de Defesa do Sul) a até 6.000 (segundo a Administração Militar) na cidade e arredores, incluindo entre 50 e 200 crianças. A última entrega oficial de alimentos antes dos lançamentos com drones é registrada em 26 de maio (com divergências sobre o ano), e a Missão de Monitoramento de Direitos Humanos da ONU afirmou que nenhum carregamento chegou à cidade pelo menos até 24 de junho. As Forças Armadas da Ucrânia já haviam lançado quantidades menores de alimentos por drones no passado, mas a entrega recente de cerca de 4 toneladas foi descrita como a maior já realizada, envolvendo 142 sorties de drones de unidades do 30º Corpo de Fuzileiros Navais e de brigadas anexas. As principais vozes oficiais ucranianas sobre a situação são Tetiana Hasanenko (chefe da Administração Militar de Oleshky), Oleksandr Prokudin (chefe da Administração da região de Kherson), Dmytro Lubinets (ombudsman) e Andrii Sybiha (ministro das Relações Exteriores).