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Oleshky ocupada vive catástrofe humanitária: milhares de civis sem comida, água ou remédios

A cidade de Oleshky, na margem esquerda da região de Kherson, ocupada pela Rússia desde o início da invasão em grande escala, está à beira de uma catástrofe humanitária. Segundo autoridades ucranianas, milhares de civis — incluindo centenas de crianças — enfrentam fome, além da falta de água, medicamentos e gás, enquanto as forças russas impedem a evacuação. Investigação do Slidstvo.Info aponta unidades militares russas específicas como possivelmente responsáveis, e ações diplomáticas e de solidariedade foram organizadas na Alemanha, Hungria e nascentes da ONU.

Pontos principais

  • Oleshky está sob ocupação russa desde os primeiros dias da invasão em grande escala e sofreu grandes inundações após a destruição da barragem de Kakhovka, em junho de 2023.
  • Mais de 6 mil pessoas, incluindo cerca de 200 crianças, permanecem na cidade e arredores, em uma zona cinzenta perto da linha de frente, segundo as autoridades ucranianas.
  • Forças russas mantêm a cidade em bloqueio humanitário, impedem a evacuação de civis e confiscam alimentos lançados por drones, segundo o Slidstvo.Info e a administração militar de Oleshky.
  • Missão de Monitoramento de Direitos Humanos da ONU na Ucrânia registra que nenhum carregamento de alimentos chegou a Oleshky desde 26 de maio.
  • Forças Armadas da Ucrânia entregaram cerca de 4 toneladas de alimentos por drones aos civis da cidade ocupada.
  • Investigação do Slidstvo.Info indica que a 126ª Brigada de Defesa Costeira da Frota do Mar Negro e o 331º Regimento Aerodesembarque de Guardas russos estão estacionados na cidade e podem estar envolvidos na catástrofe.
  • Em 25 de setembro, o chanceler Andrii Sybiha afirmou que levará a situação de Oleshky à Assembleia Geral da ONU em busca de um corredor humanitário; uma marcha de solidariedade ocorreu em Berlim em 28 de setembro e ação pública está marcada para 30 de setembro em Budapeste.

Por que importa

A situação em Oleshky expõe uma catástrofe humanitária prolongada em uma cidade ucraniana ocupada, com milhares de civis — entre eles centenas de crianças — sem acesso a alimentos, água, medicamentos ou gás. O bloqueio russo à evacuação e o confisco de ajuda humanitária configuram grave violação da proteção de civis. A identificação, pela investigação do Slidstvo.Info, de unidades militares russas específicas potencialmente envolvidas, somada às denúncias internas de soldados da 126ª Brigada sobre falta de equipamentos e ocultação de perdas, abre caminho para ações de responsabilização e sustenta os apelos internacionais por um corredor humanitário.

O que aconteceu

A cidade de Oleshky, na margem esquerda da região de Kherson, está sob ocupação russa desde os primeiros dias da invasão em grande escala e foi duramente atingida pela destruição da barragem de Kakhovka, em junho de 2023. Hoje, milhares de civis — incluindo centenas de crianças — estão presos em uma zona cinzenta perto da linha de frente, sem alimentos, água, medicamentos ou gás, enquanto as forças russas bloqueiam a evacuação.

A Missão de Monitoramento de Direitos Humanos da ONU na Ucrânia registrou que nenhuma remessa de alimentos chegou à cidade desde 26 de maio. Imagens e relatos indicam que soldados russos invadem casas de moradores, usam civis como escudo humano e confiscam ajuda humanitária. Moradores chegam a comer beldroega (portulak) para sobreviver, e idosos que conseguiram fugir perderam entre 10 e 15 kg por causa da fome.

As Forças Armadas da Ukrainians entregaram cerca de 4 toneladas de alimentos por drones, mas a quantidade é insuficiente diante da escala da crise. Investigação do Slidstvo.Info aponta que a 126ª Brigada de Defesa Costeira da Frota do Mar Negro e o 331º Regimento Aerodesembarque de Guardas russos estão baseados em Oleshky e podem estar envolvidos na catástrofe.

Em resposta, o ombudsman Dmytro Lubinets e o chanceler Andrii Sybiha anunciaram em 25 de setembro que buscarão um corredor humanitário, incluindo na Assembleia Geral da ONU. Em 28 de setembro, uma marcha de solidariedade aconteceu em Berlim, e em 30 de setembro está prevista uma ação pública em Budapeste organizada pela associação 'Yednist'.

O que dizem as fontes ucranianas

Toda a cobertura disponível é de fontes ucranianas, que enquadram os eventos em torno da responsabilidade militar russa pela catástrofe humanitária, da ocultação de informações pelo governador de ocupação Volodymyr Saldo e do sofrimento de civis ucranianos sob ocupação. A narrativa destaca autoridades ucranianas — o ombudsman Lubinets, o chanceler Sybiha, o chefe da administração militar regional de Kherson, Prokudin, e a chefe da administração militar de Oleshky, Hasanenko — além das entregas de ajuda por drones pelas Forças Armadas da Ucrânia e das ações de solidariedade conduzidas por ucranianos em Berlim e Budapeste. Reportagens citam repetidamente as reclamações internas de soldados da 126ª Brigada contra o próprio comando como evidência de falhas e do encobrimento de perdas.

Onde as versões divergem

Há divergências entre as fontes sobre a identidade do comandante da 126ª Brigada de Defesa Costeira: um canal russo de Telegram citado pelo Slidstvo.Info aponta o coronel Oleg Aleksandrov como comandante em maio de 2025, enquanto o projeto independente de OSINT 'Komandery Provalu' indica Kostiantyn Kochetkov, de 43 anos.

As fontes também divergem sobre a data da última entrega de alimentos a Oleshky: dados da Missão de Monitoramento de Direitos Humanos da ONU, citados em vários artigos, indicam 26 de maio (sem novas remessas até 24 de junho), enquanto uma reportagem se refere a 'final de maio de 2026' como a última entrega.

O número de crianças que permanecem em Oleshky também varia: as autoridades ucranianas legítimas falam em cerca de 180 crianças na comunidade de Oleshky; outras reportagens mencionam 'cerca de 200 crianças' na cidade e arredores; e o chefe da administração regional de Kherson, Oleksandr Prokudin, cita 'quase 50 crianças' entre aproximadamente 2 mil pessoas que descreve como reféns.

Contexto

Oleshky fica na margem esquerda da região de Kherson, perto da cidade de Kherson, e está sob ocupação russa desde os primeiros dias da invasão em grande escala. Em junho de 2023, após a destruição da barragem de Kakhovka, a cidade sofreu inundações e destruição em grande escala.

A 126ª Brigada de Defesa Costeira da Frota do Mar Negro foi criada em 2014 a partir da antiga 36ª Brigada de Defesa Costeira da Ucrânia, incorporando militares que mudaram de lado após a ocupação da Crimeia; está baseada em Perevalne, na Crimeia, e integra o agrupamento russo 'Dnieper'. O 331º Regimento Aerodesembarque de Guardas faz parte da 98ª Divisão Aerodesembarque de Guardas, baseada na região de Kostroma; em 2014, unidades do regimento atiraram em soldados ucranianos que saíam do cerco de Ilovaisk pelo chamado 'corredor verde'.