Ucrânia propõe cessar-fogo para evacuar Oleshky, e Rússia rejeita; cidade ocupada à beira de catástrofe humanitária
A Ucrânia propôs à Rússia a suspensão temporária das hostilidades na área da ocupada Oleshky, na região de Kherson, para evacuar civis em um único dia por corredor terrestre, mas Moscou rejeitou a proposta e os pedidos de rotas de evacuação. Segundo autoridades ucranianas, nenhuma entrega de alimentos à cidade chegou desde o final de maio, faltam água, medicamentos e eletricidade, e há relatos de mortes por fome. O governo ucraniano apela à ONU, ao CICV e ao Papa Leão XIV para garantir acesso humanitário e a retirada dos civis.
Pontos principais
- Ucrânia propôs cessar-fogo temporário e corredor terrestre para evacuar Oleshky em um dia; Rússia rejeitou.
- Cerca de 6.000 civis, incluindo cerca de 200 crianças, permanecem em Oleshky e cinco povoados vizinhos (dados do meio do verão, segundo o Ombudsman).
- O chefe da administração militar da Oblast de Kherson, Oleksandr Prokudin, estima cerca de 2.000 ucranianos, incluindo quase 50 crianças, só em Oleshky.
- Última entrega de alimentos à Oleshky ocupada ocorreu em 26 de maio de 2026, segundo a administração militar e a Missão de Monitoramento da ONU.
- Relatos indicam casos de morte por fome na cidade; moradores sobrevivem comendo grama e ervas daninhas.
- O chanceler Andriy Sybiha pediu à ONU, ao CICV e a atores internacionais que garantam acesso humanitário imediato e evacuação segura.
- O Conselho de Ucrânia de Igrejas e Organizações Religiosas apelou ao Papa Leão XIV, à ONU e ao CICV para ajudar a evacuar os residentes de Oleshky.
Por que importa
Uma cidade ucraniana sob ocupação russa é apontada por autoridades de Kiev como estando à beira de uma catástrofe humanitária, com mortes por fome e sem acesso a alimentos desde o final de maio. A Ucrânia afirma ter um plano de evacuação viável em um dia que a Rússia se recusa a aceitar, enquanto apela à ONU, ao CICV e ao Vaticano para pressionar por acesso humanitário e retirada dos civis. O caso foi levado à Assembleia Geral da ONU e é usado por Kiev para ilustrar o que considera ser a responsabilidade direta da Rússia pela morte de civis e pela completa ineficácia das organizações internacionais diante da crise.
O que aconteceu
A Ucrânia propôs à Rússia a suspensão temporária das hostilidades na área da ocupada Oleshky, na região de Kherson, com o objetivo de evacuar civis por um corredor terrestre em um único dia. O ombudsman Dmytro Lubinets afirmou que a Ucrânia está pronta para executar a evacuação nesse prazo e que, durante as negociações, foram designados representantes ucranianos e russos responsáveis por um regime de cessar-fogo na área. A Rússia rejeitou as propostas de rotas de evacuação e o regime de silêncio e, segundo Lubinets, não confirma há tempos a realização da missão apesar de acordos prévios e algoritmos já preparados.
Segundo o Escritório do Ombudsman, aproximadamente 6.000 civis, incluindo cerca de 200 crianças, permaneciam em Oleshky e em cinco povoados vizinhos no meio do verão. Já o chefe da administração militar da Oblast de Kherson, Oleksandr Prokudin, estima cerca de 2.000 ucranianos em Oleshky, incluindo quase 50 crianças, e a chefe da administração militar da cidade, Tetiana Hasanenko, menciona pelo menos 45 crianças na cidade. A chefe da administração também relatou que os civis não conseguem sair porque o território está minado e sob bombardeio constante, com a cidade sob vigilância de drones.
De acordo com a administração militar da cidade e a Missão de Monitoramento de Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, a última entrega de alimentos a Oleshky data de 26 de maio de 2026; alguns relatos resumem o fato como "final de maio". Civis enfrentam escassez de água, medicamentos, eletricidade e assistência médica, e há relatos de mortes por fome e de pessoas sobrevivendo à base de grama e ervas daninhas. O jornalista Oleh Baturin ouviu moradores recém-saídos de Oleshky que confirmaram casos de morte por fome, mas não confirmaram relatos de que pessoas estejam comendo cães ou ratos.
Unidades militares ucranianas, incluindo a 34ª Brigada de Fuzileiros Navais e a 11ª Brigada da Guarda Nacional, realizam desde março entregas regulares de alimentos por drones através do Dnipro, mas a ajuda é limitada. Prokudin afirmou que soldados russos derrubam drones, confiscam ou revendem ajuda humanitária destinada a crianças e idosos, e detêm e espancam moradores que tentam receber os pacotes.
O chanceler Andriy Sybiha pediu em 26 de setembro à ONU, ao CICV e a outros atores internacionais que mobilizem recursos, garantam acesso humanitário imediato e sem obstáculos a Oleshky e organizem a evacuação segura dos civis, atribuindo à Rússia a responsabilidade total pela catástrofe humanitária por meio da ocupação ilegal. Em 20 de setembro, Sybiha havia informado que a situação em Oleshky e em outras comunidades ocupadas da região de Kherson seria levada à Assembleia Geral da ONU. O Conselho de Ucrânia de Igrejas e Organizações Religiosas pediu ao Papa Leão XIV, à ONU e ao CICV que ajudem a evacuar os residentes, e o Comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa, Michael O'Flaherty, defendeu cessar-fogo local imediato e evacuação segura. O ombudsman Lubinets avaliou que a situação expõe a "completa ineficácia" das organizações internacionais.
O que dizem as fontes ucranianas
A cobertura ucraniana apresenta o caso como uma catástrofe humanitária causada diretamente pela ocupação ilegal russa, com a Ucrânia posicionada como a parte que busca ativamente a evacuação dos civis enquanto a Rússia bloqueia o alívio e o acesso humanitário. As fontes destacam declarações oficiais do ombudsman Dmytro Lubinets, do chanceler Andriy Sybiha, do chefe da administração da Oblast de Kherson, Oleksandr Prokudin, e da chefe da administração de Oleshky, Tetiana Hasanenko, além de ações concretas, como as entregas de alimentos por drones realizadas por unidades militares ucranianas através do Dnipro. Reportagens detalham a escassez de água, medicamentos e eletricidade, relatos de mortes por fome e de civis sobrevivendo comendo grama e ervas daninhas, e as minas e o bombardeio constante que impedem a saída pela própria cidade. As matérias também criticam abertamente a "completa ineficácia" das organizações internacionais e registram apelos à ONU, ao CICV, ao Papa Leão XIV e ao Comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa, além da denúncia de que soldados russos interceptam ajuda humanitária, detêm e espancam moradores que tentam recebê-la.
Onde as versões divergem
As fontes divergem principalmente em três pontos. Sobre o número de civis em Oleshky, o Escritório do Ombudsman cita cerca de 6.000 civis, incluindo cerca de 200 crianças, em Oleshky e cinco povoados vizinhos no meio do verão, enquanto o chefe da administração militar da Oblast de Kherson, Oleksandr Prokudin, fala em cerca de 2.000 ucranianos em Oleshky, com quase 50 crianças, e a chefe da administração de Oleshky, Tetiana Hasanenko, menciona pelo menos 45 crianças só na cidade. Sobre o último abastecimento, alguns relatos apenas dizem "final de maio de 2026", enquanto outros especificam 26 de maio, citando a administração da cidade ou a Missão de Monitoramento da ONU. Por fim, sobre o consumo de cães e ratos em Oleshky, há relatos na mídia e dados citados pela administração militar de que isso estaria ocorrendo, mas moradores entrevistados pelo jornalista Oleh Baturin afirmaram não ter ouvido falar de casos de pessoas comendo cães e não conseguiram confirmar que estariam capturando e comendo ratos.
Contexto
Oleshky é uma cidade na margem esquerda (sul) do rio Dnipro, na Oblast de Kherson, ocupada pela Rússia após 2022. Desde 26 de maio de 2026, segundo a administração militar da cidade e a Missão de Monitoramento de Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, nenhuma entrega de alimentos chega à cidade, criando um prolongado período sem acesso humanitário. A Ucrânia tenta enviar comida por drones através do Dnipro, mas as Forças Armadas russas, segundo relatos, derrubam drones, confiscam a ajuda e detêm civis que tentam recebê-la. O Comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa pediu publicamente cessar-fogo imediato e evacuação segura, dando peso institucional internacional aos apelos.