Rússia força remoção de 25 civis, incluindo crianças, de parte ocupada da região de Kharkiv
Forças militares russas retiraram à força 25 civis — entre eles crianças, jovens e idosos — de uma área temporariamente ocupada da região de Kharkiv, na Ucrânia, em direção desconhecida, sob o pretexto de "evacuação". O ombudsman ucraniano Dmytro Lubinets relatou o caso, afirmou que há vídeo mostrando pressão e intimidação, e fez apelos ao Comissário de Direitos Humanos da Rússia, ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha e à ONU para que se obtenha a localização e o retorno das pessoas.
Pontos principais
- 25 civis foram retirados à força de área ocupada da região de Kharkiv; destino é desconhecido
- Entre os removidos estão crianças, jovens e idosos; familiares desconhecem paradeiro
- Rússia descreve a operação como "evacuação" ou "operação de resgate" em seus canais no Telegram
- Há materiais em vídeo indicando pressão e intimidação durante a remoção
- Ocupantes criaram bot no Telegram para coletar dados pessoais sob pretexto de "evacuação"
- Lubinets apelou à Comissária de Direitos Humanos da Rússia (Yana Lantratova, segundo uma das fontes), ao CICV e à ONU
- A Ucrânia classifica a ação como deportação forçada, violando o Artigo 49 da Convenção de Genebra
Por que importa
O episódio soma-se a um padrão documentado de transferências forçadas de civis ucranianos a partir de territórios ocupados — prática proibida pela Convenção de Genebra e que já motivou ações legais internacionais, incluindo mandados de prisão do TPI. A presença de crianças entre os removidos reforça preocupações alinhadas a esse padrão mais amplo. O engajamento formal do ombudsman junto a múltiplas instâncias internacionais indica a tentativa da Ucrânia de criar registro e pressão diplomática para localização e repatriação. Evidências em vídeo de pressão e intimidação sustentam a alegação de deslocamento coercitivo em vez de evacuação voluntária.
O que aconteceu
Forças russas removeram à força 25 civis — incluindo crianças, jovens e idosos — de uma parte temporariamente ocupada da região de Kharkiv, onde combates seguem em curso, levando-os para um destino desconhecido. Vídeos disponíveis mostram pressão e intimidação durante o procedimento, que as autoridades russas denominaram "evacuação" ou "operação de resgate" em seus canais no Telegram. O local exato dentro da região ocupada de Kharkiv não foi divulgado pelo ombudsman. Familiares das 25 pessoas não sabem onde elas estão nem em que condições se encontram. Sob o pretexto de "evacuação", os ocupantes criaram um bot no Telegram para coletar dados pessoais, como passaportes, endereços e telefones. O ombudsman pediu aos moradores de territórios ocupados que não transmitam dados seus ou de seus filhos por esse canal, alertando que as informações podem ser usadas contra eles e seus parentes.
Contexto
As autoridades ucranianas enquadram essas operações como deportações e deslocamentos forçados proibidos pelo Artigo 49 da Convenção de Genebra, citando ainda os Artigos 33 e 34, que tratam de intimidação, punição coletiva e tomada de reféns. A Rússia, por outro lado, descreve publicamente essas ações como "evacuações" ou "operações de resgate" em seus canais do Telegram — terminologia contestada por Kiev. O ombudsman já havia advertido moradores de territórios ocupados a não submeter dados pessoais ou de seus filhos pelo bot de "evacuação" criado pelos ocupantes, alertando para o risco de uso contra eles e seus parentes. O assentamento específico na parte ocupada da região de Kharkiv de onde as 25 pessoas foram retiradas não foi divulgado publicamente.