Musk mantém objeção ao uso da Starlink em ataques contra a Rússia após conversas fracassadas com Fedorov
Elon Musk permanece contrário ao uso da Starlink para controlar ataques de drones ucranianos contra alvos em território russo, após negociações consideradas "extremamente malsucedidas" com o então ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, segundo fontes citadas pelo Kyiv Independent. Reportagem anterior do Financial Times indicou que Musk havia dito a Fedorov que poderia permitir os ataques, condicionados à aprovação da Casa Branca. O presidente Volodymyr Zelensky pediu a Donald Trump que influenciasse Musk, mas Trump teria dito a Zelensky que o estaria enganando sobre uma suposta aprovação de Musk.
Pontos principais
- Elon Musk disse a Mykhailo Fedorov que poderia permitir o uso da Starlink em ataques contra a Rússia, mas somente com aprovação da Casa Branca, segundo o Financial Times.
- Três fontes citadas pelo Kyiv Independent afirmam que Musk segue contrário após conversas "extremamente malsucedidas" com Fedorov.
- Zelensky pediu a Trump que convencesse Musk a liberar a Starlink para controlar drones em ataques contra alvos na Rússia.
- Atualmente a Starlink só pode ser usada em território ucraniano, incluindo Crimeia e regiões ocupadas pela Rússia.
- A Ucrânia quer usar a Starlink para atacar lançadores móveis de mísseis balísticos russos.
- Trump prometeu a Zelensky apenas que analisaria o pedido e falaria com Musk, sem compromissos.
- Zelensky afirmou que o Ministério da Defesa, sob Fedorov, reportou que Musk havia dado "luz verde" — versão que Trump classificou como engano.
Por que importa
A questão coloca uma empresa privada espacial no centro do acesso a uma tecnologia de comunicação de uso duplo em uma guerra em curso, na interseção entre decisões políticas dos EUA e capacidades de combate ucranianas. Também expõe uma divergência relatada entre Zelensky e Trump sobre o que Musk de fato teria concordado.
O que aconteceu
Reportagens recentes apontam que Elon Musk afirmou a Mykhailo Fedorov, ex-ministro da Defesa da Ucrânia, que poderia liberar o uso de drones controlados pela Starlink em alvos dentro da Rússia, mas condicionando a decisão à aprovação da Casa Branca — versão atribuída ao Financial Times. Já três fontes ouvidas pelo Kyiv Independent sustentam o oposto: após negociações consideradas "extremamente malsucedidas" com Fedorov, Musk continuaria contrário à autorização e teria dito que essa permissão não ajudaria a encerrar a guerra.
O presidente Volodymyr Zelensky pediu diretamente a Donald Trump que influenciasse Musk a permitir o uso da Starlink em ataques contra a Rússia, em reunião na qual Trump prometeu apenas considerar o pedido. Zelensky disse que o Ministério da Defesa, então sob Fedorov, havia lhe informado que Musk havia dado "luz verde", afirmação que Trump qualificou como engano.
Há também divergência sobre quem decide: segundo uma fonte ouvida pelo Kyiv Independent, o lado de Musk dizia que a decisão cabia à administração americana, enquanto outra fonte afirmou que a SpaceX foi informada de que a decisão era dela mesma. A Starlink segue autorizada pela SpaceX somente em território ucraniano, incluindo Crimeia e áreas ocupadas pela Rússia.
Onde as versões divergem
Três divergências principais aparecem entre as fontes. A primeira é sobre a posição real de Musk: o Financial Times, com base no relato de Fedorov, diz que ele poderia permitir ataques com Starlink contra a Rússia se autorizado pela Casa Branca; já três fontes ouvidas pelo Kyiv Independent afirmam que Musk segue contrário e que considera as conversas com Fedorov "extremamente malsucedidas".
A segunda é sobre o que foi dito na relação Zelensky-Trump: Zelensky sustenta que o Ministério da Defesa lhe reportou que Musk havia "dado luz verde", enquanto Trump teria acusado Zelensky de "enganá-lo" sobre esse suposto aval.
A terceira envolve quem detém a decisão: uma fonte ouvida pelo Kyiv Independent relatou que o lado de Musk entendia que cabia à administração dos EUA; outra fonte afirmou que a SpaceX foi informada de que a decisão era dela mesma.
Contexto
A Starlink é um sistema de comunicação via satélite operado pela SpaceX, empresa chefiada por Elon Musk. Desde o início da invasão em larga escala, a Ucrânia utiliza a Starlink em seu próprio território, incluindo regiões ocupadas pela Rússia. Moscou emprega lançadores móveis de mísseis balísticos contra alvos ucranianos — alvos que Kiev quer poder atingir com drones controlados via Starlink em território russo.