Deputado americano Fitzpatrick ameaça Trump com consequências por restrições ao Starshield na Ucrânia
O deputado americano Brian Fitzpatrick advertiu que haverá responsabilização total pelos envolvidos em restringir o uso do programa Starshield pela Ucrânia, anunciou conversas com o presidente Volodymyr Zelensky nesta semana e voltou a defender seu projeto bipartidário "Ronald Reagan Peace Through Strength Act", que visa impedir que o presidente Donald Trump suspenda unilateralmente as sanções ao petróleo russo. O senador Tom Tillis também abriu uma investigação no Pentágono sobre o assunto. Trump nega ter ordenado qualquer restrição.
Pontos principais
- Fitzpatrick afirmou no X que haverá investigação completa, audiências públicas no Congresso e cortes orçamentários punitivos contra agências ou seus responsáveis.
- O deputado planeja se reunir nesta semana com Zelensky e sua equipe para tratar do Starshield, sanções e defesa.
- O projeto bipartidário "Ronald Reagan Peace Through Strength Act" busca impedir que Trump suspenda unilateralmente as sanções ao petróleo russo.
- O senador Tom Tillis pediu ao Inspetor-Geral do Departamento de Defesa uma investigação oficial sobre falhas no acesso ao Starlink/Starshield.
- Em 14 de outubro, a SpaceX restringiu unilateralmente terminais Starshield em movimento acima de 160 km/h; a restrição foi revertida no mesmo dia e, segundo a Ucrânia, só se aplica ao território ucraniano.
- Trump afirma não ter ordenado qualquer restrição ao acesso da Ucrânia à tecnologia Starshield da SpaceX.
- Fitzpatrick declarou que os EUA devem fornecer todo o equipamento de defesa necessário à Ucrânia e que sanções contra o regime russo devem ser mais duras do que nunca.
Por que importa
O episódio evidencia uma pressão congressional direta sobre o governo Trump em torno do apoio militar e tecnológico à Ucrânia. Fitzpatrick ameaça investigações, audiências de supervisão e cortes orçamentários contra autoridades vistas como responsáveis por restringir o acesso ao Starshield, enquanto o projeto "Ronald Reagan Peace Through Strength Act" é apresentado como um mecanismo para impedir alívio unilateral de sanções ao petróleo russo. Em paralelo, o senador Tillis abre uma investigação no Pentágono, ampliando o alcance da fiscalização congressional. A negação pública de Trump cria um descolamento entre a Casa Branca e parte do Legislativo sobre esse tema.
O que aconteceu
O deputado republicano Brian Fitzpatrick publicou no X um alerta severo: qualquer tentativa de restringir o uso do programa Starshield pela Ucrânia resultará em investigação completa, audiências públicas de supervisão no Congresso e cortes orçamentários punitivos para agências ou chefias envolvidas. Ele anunciou que nesta semana conversará com o presidente Volodymyr Zelensky e sua equipe sobre Starshield, sanções e outras questões de defesa, prometendo transmitir a Zelensky que haverá consequências congressuais contra os funcionários americanos responsáveis por limitações ao programa.
Em paralelo, Fitzpatrick voltou a defender seu projeto bipartidário "Ronald Reagan Peace Through Strength Act", apresentado após um suposto "acordo de diesel" entre EUA e Rússia, cujo objetivo é impedir que o presidente Donald Trump suspenda unilateralmente as sanções ao petróleo russo. O deputado declarou que os EUA devem fornecer todo o equipamento de defesa necessário à Ucrânia, não devem importar petróleo russo e que as sanções contra o regime russo precisam ser mais duras. Ele também afirmou que a Ucrânia é uma aliada inabalável dos EUA, enquanto a Rússia é uma inimiga de Washington.
O senador republicano Tom Tillis solicitou ao Inspetor-Geral do Departamento de Defesa a abertura de uma investigação oficial sobre as falhas de acesso dos militares ucranianos ao Starlink/Starshield, argumentando que interrupções súbitas sem aviso colocaram civis ucranianos, diplomatas americanos e pessoal de segurança em risco.
O contexto operacional: na noite de 14 de outubro, a SpaceX restringiu unilateralmente e sem aviso terminais Starshield em movimento acima de 160 km/h, velocidade insuficiente para algumas missões com drones. A operação a 160 km/h foi restaurada ao final do mesmo dia. A Ucrânia recebeu confirmação de que a restrição se aplica exclusivamente ao seu território. O presidente Donald Trump negou publicamente ter ordenado qualquer restrição ao acesso da Ucrânia ao Starshield.
O que dizem as fontes ucranianas
As fontes ucranianas disponíveis enquadram a história em torno da ameaça de consequências congressuais contra o governo Trump pelas restrições ao Starshield. Os veículos destacam a postura pró-Ucrânia de Fitzpatrick e suas conversas planejadas com Zelensky, enfatizando a continuidade do apoio defensivo dos EUA. As reportagens associam os alertas de Fitzpatrick à investigação paralela do senador Tillis no Pentágono, sugerindo um padrão mais amplo de autoridades americanas contestando limitações ao acesso a satélites.
Onde as versões divergem
Há um descompasso entre o posicionamento de Trump, que afirma não ter ordenado restrições ao acesso da Ucrânia ao Starshield, e a reação de Fitzpatrick e de outros legisladores, que ameaçam punir publicamente autoridades envolvidas em restringir esse acesso. As restrições efetivas sobre terminais em movimento acima de 160 km/h foram registradas pela Ucrânia em 14 de outubro, enquanto a versão da Casa Branca sustenta que não houve essa ordem. Já o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que o Starshield estaria indisponível para a Ucrânia em qualquer hipótese, diferente do que dizem as demais fontes.
Contexto
O programa Starshield refere-se à tecnologia de satélites da SpaceX usada pelas forças ucranianas em combate. O projeto "Ronald Reagan Peace Through Strength Act" foi apresentado anteriormente por Fitzpatrick após um suposto "acesso de diesel" entre EUA e Rússia. As Forças de Defesa da Ucrânia começaram a usar a plataforma militar Starshield em 2024.