Zelensky liga ataque russo a aeroportos de Kiev e Boryspil à vinda de enviada dos EUA
Na noite de 4 para 5 de setembro, a Rússia lançou uma onda de ataques com drones contra várias regiões da Ucrânia, incluindo Kiev e a região de Kiev. Segundo o presidente Volodymyr Zelensky, os ataques atingiram pela primeira vez em muito tempo de forma deliberada os aeroportos de Kiev (Zhuliany) e Boryspil — algo que ele vinculou à preparação da vinda de uma delegação norte-americana para conversas sobre o fim da guerra. Em Boryspil, um edifício residencial de nove andares foi parcialmente destruído, deixando duas mulheres feridas e 15 moradores evacuados. Na cidade de Kamianske, em Dnipro, um ataque a uma empresa civil matou quatro pessoas e feriu outras cinco, de acordo com Zelensky.
Pontos principais
- Ataques russos da noite de 4–5 de setembro atingiram deliberadamente, pela primeira vez em muito tempo, os aeroportos de Kiev (Zhuliany) e Boryspil, segundo Zelensky.
- Zelensky associou os ataques à discussão sobre a possível chegada de uma delegação dos EUA de avião, com pouso em Kiev ou Boryspil, e classificou o ataque como "Shaheds russo-iranianos em resposta à diplomacia americana".
- Zelensky afirmou que a Ucrânia ajustará na próxima semana sua operação em relação ao espaço aéreo russo.
- Em Boryspil, um drone atingiu um prédio residencial de 9 andares, destruindo a cobertura e estruturas do 9º andar e causando a evacuação de 15 pessoas.
- Duas mulheres ficaram feridas em Boryspil e foram hospitalizadas com barotrauma e traumatismo torácico fechado.
- Na cidade de Kamianske (região de Dnipro), um ataque a uma empresa civil deixou 4 mortos e 5 feridos, segundo Zelensky.
- Os enviados especiais dos EUA Steve Witkoff e Jared Kushner tinham viagem marcada para Moscou em 5 de setembro e Kiev em 6 de setembro para谈判 sobre o fim da guerra.
- Registram-se impactos em pelo menos oito regiões: Kiev, região de Kiev, Dnipro, Odessa, Kherson, Kharkiv, Sumy e Mykolaiv.
Por que importa
Os ataques atingiram pela primeira vez em muito tempo dois aeroportos da região da capital, infraestrutura crítica tanto para transporte civil quanto para a logística diplomática. Ao enquadrá-los publicamente como resposta deliberada à diplomacia norte-americana, Zelensky elevou o custo político da ação russa no momento em que enviados dos EUA se preparavam para viajar a Kiev. A noite deixou vítimas civis em Boryspil e Kamianske e afetou ao menos oito regiões, em meio a um cenário delicado de negociações.
O que aconteceu
Na noite de 4 para 5 de setembro, a Rússia realizou uma ampla onda de ataques com drones contra a Ucrânia, atingindo Kiev, a região de Kiev, Dnipro, Odessa, Kherson, Kharkiv, Sumy e Mykolaiv. As autoridades ucranianas relataram quatro alertas aéreos em Kiev durante a noite. O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que, pela primeira vez em muito tempo, a Rússia atingiu deliberadamente os aeroportos de Kiev (Zhuliany) e Boryspil, descrevendo os ataques como demonstrativos e associando-os à preparação da chegada de uma delegação norte-americana — classificando a ação como "Shaheds russo-iranianos em resposta à diplomacia americana". Zelensky disse ainda que a Ucrânia ajustará na próxima semana sua operação em relação ao espaço aéreo russo e que não haverá ameaças à diplomacia vindas de Kiev.
Em Boryspil, um drone atingiu um edifício residencial de 9 andares, destruindo a cobertura e estruturas do último andar; duas mulheres ficaram feridas (barotrauma e traumatismo torácico fechado) e 15 moradores foram evacuados. Na região de Kiev, três distritos registraram incêndios: em Bucha, pegaram fogo armazéns, com um ataque repetido contra um prédio vizinho durante o combate ao fogo; em Obukhiv, os bombeiros apagaram incêndios em áreas naturais provocados pela queda de destroços. Na cidade de Kamianske (região de Dnipro), um ataque a uma empresa civil matou quatro pessoas e feriu cinco, segundo Zelensky — embora outra reportagem tenha citado cinco mortos. Relatos dão conta ainda de danos a prédios residenciais em Kherson, Boryspil e Kharkiv, e de drones atingindo shoppings em Sumy e Mykolaiv. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter atingido "complexos metalúrgicos, centros logísticos e subestações elétricas" em várias regiões.
O que dizem as fontes ucranianas
Toda a cobertura das fontes consultadas é de mídia e agências ucranianas. Os relatos enfatizam a leitura de Zelensky de que os ataques aos aeroportos foram deliberados, demonstrativos e ligados à visita norte-americana, frequentemente abrindo com sua citação sobre os "Shaheds russo-iranianos em resposta à diplomacia americana". Os impactos humanos destacados são o prédio residencial de Boryspil e a empresa civil em Kamianske. As matérias dão grande destaque ao contexto diplomático — a vinda planejada de Witkoff e Kushner e a oferta recíproca da Ucrânia de não realizar ataques aéreos em território russo durante a visita — e registram a justificativa oficial russa de alvos como "complexos metalúrgicos, centros logísticos e subestações".
Onde as versões divergem
Três divergências relevantes aparecem entre as fontes. Sobre o ataque à empresa civil em Kamianske (região de Dnipro): Zelensky falou em 4 mortos e 5 feridos, enquanto uma reportagem apontou 5 mortos. Sobre a existência de um cessar-fogo temporário: a Ukrainska Pravda afirmou que as Forças de Defesa receberam ordem de observar um regime de silêncio entre 5 e 8 de setembro; fontes do Suspilne negaram informações sobre cessar-fogo na linha de frente; o Estado-Maior disse que as operações de combate continuam em plena intensidade. Por fim, sobre uma eventual pausa nos ataques russos a Kiev: o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que Putin ordenara três dias sem bombardeios a Kiev ligados à visita dos enviados dos EUA — mas o mesmo período registrou ataques russos contra Kiev e a região.
Contexto
Os enviados especiais dos EUA Steve Witkoff e Jared Kushner tinham viagem marcada para Moscou em 5 de setembro e Kiev em 6 de setembro para conversas sobre o fim da guerra. Zelensky afirmou que a Ucrânia não realizaria ataques aéreos em território russo durante a visita e pediu reciprocidade a Moscou. Em 1º de setembro, Zelensky já havia alertado companhias aéreas de que o espaço aéreo russo está se tornando perigoso, e a Ucrânia comunicou o mesmo à ICAO. As Forças de Defesa ucranianas receberam ordem de observar temporariamente um regime de silêncio entre 5 e 8 de setembro sem acordo com a Rússia; o Estado-Maior enfatizou que as operações continuam em plena intensidade. Segundo o New York Times, os EUA vinham pedindo há semanas que a Ucrânia suspendesse temporariamente ataques de drones contra Moscou e instalações de energia russas, enquanto a Rússia suspenderia os ataques de mísseis contra Kiev. A Bloomberg relatou que o Kremlin tinha expectativas muito baixas quanto às negociações. Em 4 de setembro, um ataque anterior de drone russo provocou incêndio no distrito Solomiansky, em Kiev, perto do aeroporto de Zhuliany; o deputado Oleksiy Honcharenko disse que um drone atingiu uma aeronave em Zhuliany naquele dia.