Meloni afirma que não abandonará apoio à Ucrânia por cálculos eleitorais
A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni afirmou em entrevista ao jornal Il Foglio que não abrirá mão do apoio à Ucrânia por razões eleitorais ou políticas antes das próximas eleições. Segundo ela, o apoio à Ucrânia é também do interesse estratégico de Roma, não apenas de Kiev. A declaração é vista como um alerta ao político de extrema direita Roberto Vannacci, crítico da UE e da ajuda militar à Ucrânia.
Pontos principais
- Giorgia Meloni disse em entrevista ao Il Foglio que não abrirá mão do apoio à Ucrânia por cálculos eleitorais ou políticos.
- Meloni afirmou que não fará coalizão com forças políticas que votem contra o apoio à Ucrânia antes das eleições de 2027.
- Meloni declarou: "Apoiei a Ucrânia não por causa de Kiev. Apoiei a Ucrânia por causa de Roma".
- O alerta é dirigido ao ex-general e político de extrema direita Roberto Vannacci, crítico da UE e da ajuda militar à Ucrânia.
- Meloni defendeu o aumento dos gastos com defesa, reconhecendo que a medida é impopular entre a população.
- Pesquisa da Eurispes mostra que mais de 44% dos italianos veem os gastos com defesa como um ônus, contra 32,1% que os consideram investimento estratégico.
- O tema dos gastos com defesa já gerou tensões na coalizão governista, sobretudo com o partido Liga do vice-premier Matteo Salvini.
Por que importa
A declaração reafirma o apoio continuado da Itália à Ucrânia como interesse estratégico de Roma, e não apenas ato de solidariedade. Meloni sinaliza que não formará coalizão com forças políticas contrárias ao apoio à Ucrânia — alerta visto como direcionado a Roberto Vannacci — e reconhece o custo político doméstico de sua postura pró-Ucrânia e do aumento dos gastos com defesa.
O que aconteceu
Em entrevista ao jornal italiano Il Foglio, a primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que não está disposta a abrir mão do apoio à Ucrânia por cálculos eleitorais ou políticos antes das próximas eleições. Segundo ela, o apoio a Kiev é também do interesse de Roma, pois a Itália poderia perder tudo em um contexto internacional em que as regras de convivência pacífica são violadas e prevalece a lei do mais forte. Meloni declarou não estar disposta a formar coalizão com forças políticas que votem contra o apoio à Ucrânia antes das eleições de 2027 — declaração interpretada como um alerta ao ex-general e político de extrema direita Roberto Vannacci, que critica abertamente a UE e a ajuda militar à Ucrânia. A premiê também defendeu o aumento dos gastos com defesa, reconhecendo que a medida é impopular entre os italianos, e afirmou que a guerra na Ucrânia demonstrou o fim da era em que países europeus podiam delegar sua segurança a terceiros.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre o calendário das próximas eleições italianas: uma menciona eleições vindouras sem especificar o ano, enquanto outra indica eleições em 2027.
Contexto
O governo de Meloni tornou-se em 4 de setembro o mais longevo da história contínua da República Italiana, ultrapassando em duração o de Benito Mussolini. A coalizão governista enfrenta tensões internas em torno dos gastos com defesa, sobretudo nas relações com o partido Liga do vice-premier Matteo Salvini. Pesquisa anual da Eurispes mostra que mais de 44% dos italianos veem os gastos com defesa como um ônus, 32,1% como investimento estratégico e quase um quarto está indeciso. O ex-general e político de extrema direita Roberto Vannacci tem se posicionado abertamente contra a UE e a ajuda militar à Ucrânia, buscando capitalizar a insatisfação com a linha política externa de Meloni.