Merz acusa a Rússia de apoiar a extrema-direita AfD em discurso na cerimônia do Prêmio da Paz da Vestfália
O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que a Rússia apoia o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) em discurso na quinta-feira (1º), em Münster, durante a cerimônia do Prêmio Internacional da Paz da Vestfália. Segundo Merz, Moscou busca dividir a sociedade alemã, enfraquecer o apoio à Ucrânia e interromper investimentos em defesa. Merz não apresentou provas concretas da alegação. A fala foi feita após o encontro informal de cerca de 20 minutos entre o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, e o chanceler russo Sergey Lavrov, nos bastidores da Assembleia Geral da ONU.
Pontos principais
- Merz afirmou em 1º de outubro, em Münster, que a Rússia apoia a AfD.
- O chanceler acusou Moscou de tentar dividir a sociedade alemã, enfraquecer o apoio à Ucrânia e barrar investimentos em defesa.
- Merz não apresentou provas concretas da alegação; segundo reportagens, não há evidência pública de financiamento russo à AfD ou de controle direto sobre o partido.
- A fala ocorreu na cerimônia do Prêmio Internacional da Paz da Vestfália, cujo laureado de 2025 foi a OTAN.
- A AfD defende o fim da ajuda militar alemã à Ucrânia e a retomada das importações de gás russo.
- Em setembro, a AfD venceu duas eleições regionais: 37% em Mecklenburg-Vorpommern (CDU: 5,5%) e 16% em Berlim, onde a Die Linke liderou com 24,5%.
- Merz classificou o resultado da CDU em Mecklenburg-Vorpommern como uma "catástrofe" e prometeu acelerar reformas.
Por que importa
A acusação foi feita pelo chefe da maior economia da Europa contra uma força política de peso no país e vincula política interna alemã à guerra na Ucrânia, ao enquadrar posições da AfD sobre ajuda à Ucrânia e gás russo como alinhadas aos interesses de Moscou. O discurso ocorre sob pressão adicional: a AfD lidera todas as principais pesquisas nacionais e venceu duas eleições regionais em setembro, enquanto a CDU de Merz sofreu perdas expressivas.
O que aconteceu
O chanceler Friedrich Merz discursou em 1º de outubro em Münster, na cerimônia do Prêmio Internacional da Paz da Vestfália — cuja edição de 2025 teve a OTAN como laureada — e acusou Moscou de apoiar a Alternativa para a Alemanha (AfD). Segundo Merz, a Rússia busca dividir a sociedade alemã, enfraquecer o apoio à Ucrânia e interromper investimentos em defesa, usando métodos híbridos, como bots em redes sociais. Merz não apresentou provas concretas do suposto apoio russo à AfD. Reportagens indicam que não há evidência pública de que a Rússia financie a AfD ou determine diretamente seu rumo político, embora alguns políticos da legenda tenham mantido laços com redes pró-Rússia. A fala veio após um encontro informal de cerca de 20 minutos entre o ministro das Relações Exteriores alemão, Johann Wadephul, e o chanceler russo Sergey Lavrov, nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, depois do qual Lavrov fez comentários depreciativos sobre o resultado. Merz afirmou que Berlim manterá o foco no apoio à Ucrânia.
O que dizem as fontes internacionais
As fontes ucranianas destacam a fala de Merz como um líder alemão responsabilizando publicamente Moscou por operações de influência relevantes ao auxílio à Ucrânia, e situam o discurso na cerimônia do Prêmio da Paz da Vestfália. O enquadramento aproxima política interna alemã e a guerra, ao apresentar as posições da AfD sobre ajuda militar e gás russo como alinhadas aos interesses do Kremlin.
Onde as versões divergem
A acusação de Merz de apoio russo à AfD foi apresentada sem provas concretas. Ao mesmo tempo, as reportagens registram que políticos individuais da AfD mantiveram contatos com redes pró-Rússia, mas que não há evidência pública de financiamento russo ao partido ou de determinação direta de seu rumo político.
Contexto
O Prêmio Internacional da Paz da Vestfália acontece em Münster, cidade onde foi assinado um dos tratados da Paz da Vestfália de 1648, que pôs fim à Guerra dos Trinta Anos; a OTAN foi a laureada de 2025. A AfD defende o fim da ajuda militar alemã à Ucrânia e a retomada das importações de gás russo, e alguns de seus políticos tiveram contatos com redes pró-Rússia. Em Mecklenburg-Vorpommern, a AfD venceu com 37% contra 5,5% da CDU, o que levou Merz a chamar o resultado de "catástrofe"; em Berlim, a Die Linke liderou com 24,5%, à frente da CDU (20%) e da AfD (16%). O discurso de Merz em Münster veio após um encontro informal de cerca de 20 minutos entre o ministro das Relações Exteriores Johann Wadephul e o chanceler russo Sergey Lavrov, nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, após o qual Merz disse que Berlim manterá o foco no apoio à Ucrânia.