AfD vence em Mecklenburg-Vorpommern e Die Linke lidera em Berlim nas eleições regionais na Alemanha
A Alemanha realizou eleições regionais em 20 de setembro em Mecklenburg-Vorpommern e Berlim. Segundo projeções da emissora pública ARD, a AfD (ultradireita) ficou em primeiro lugar em Mecklenburg-Vorpommern com cerca de 37% dos votos, tirando da SPD a liderança estadual pela primeira vez em 28 anos. Em Berlim, Die Linke (esquerda) lidera com cerca de 25%. A CDU do chanceler Friedrich Merz sofreu uma queda histórica no leste, fazendo Merz classificar o resultado como "catástrofe".
Pontos principais
- AfD venceu em Mecklenburg-Vorpommern com cerca de 37% dos votos (projeção ARD), tirando a SPD da liderança do estado pela primeira vez em 28 anos
- SPD obteve cerca de 35,6% em Mecklenburg-Vorpommern; a CDU de Merz ficou em torno de 5%
- Chanceler Friedrich Merz classificou o resultado da CDU como uma "catástrofe"; segundo relatos, ele não pretende renunciar
- Die Linke lidera em Berlim com cerca de 24,9% dos votos, com a CDU em segundo (~20%) e a AfD em terceiro (~16%)
- Todos os demais partidos em Mecklenburg-Vorpommern descartam coalizão com a AfD; uma aliança SPD-Die Linke-Verdes é apontada como mais provável
- AfD é contra a ajuda à Ucrânia, defende reaproximação com a Rússia e o fim das sanções; Die Linke também é descrita como pró-Rússia e contrária ao envio de armas à Ucrânia
- AfD alcançou recorde nacional de ~30% na semana da votação; a CDU caiu para 18–19%, mínimo histórico
Por que importa
A vitória da AfD em um segundo Estado do leste alemão em poucas semanas sinaliza ganhos contínuos da ultradireita na ex-Alemanha Oriental. A queda da CDU para cerca de 5% em Mecklenburg-Vorpommern representa um colapso histórico para o partido do chanceler, que classificou o resultado de "catástrofe". Em Berlim, Die Linke assume a liderança num格局 atípico. Tanto a AfD quanto Die Linke são descritas como contrárias à ajuda militar à Ucrânia e favoráveis à reaproximação com Moscou, o que torna os resultados relevantes para a posição alemã em relação à guerra. Apesar da vitória, todos os demais partidos recusam coalizão com a AfD, de modo que o governo estadual provavelmente permanecerá fora do controle da ultradireita.
O que aconteceu
A Alemanha realizou eleições regionais em 20 de setembro nos Estados de Mecklenburg-Vorpommern e Berlim. De acordo com projeções e pesquisas de boca de urna da ARD, divulgadas pela DW e pela Tagesschau, a AfD terminou em primeiro lugar em Mecklenburg-Vorpommern com 37,3% dos votos (algumas projeções indicam entre 37,3% e 38,2%), ultrapassando a SPD, que obteve cerca de 35,6% e perdeu a liderança do Estado pela primeira vez em 28 anos. A CDU do chanceler Friedrich Merz atingiu apenas cerca de 5% — com uma reportagem indicando 4,9%, o que a colocaria fora do parlamento estadual pela primeira vez. Em Berlim, Die Linke liderou com cerca de 24,9% (algumas fontes citam 24,5%), seguida pela CDU com ~20% e pela AfD com ~16%. O candidato da AfD ao cargo de ministro-presidente em Mecklenburg-Vorpommern, Leif-Erik Holm, perdeu seu distrito para um candidato da SPD e não ingressará no parlamento estadual. Holm afirmou que uma coalizão tripartite entre SPD, Die Linke e Verdes parece mais provável. Merz classificou o resultado da CDU como "catástrofe", mas, segundo relatos, não pretende renunciar. Esses números são preliminares e baseados em projeções/exit polls.
Onde as versões divergem
As fontes divergem em alguns números preliminares baseados em projeções da ARD: - AfD em Mecklenburg-Vorpommern: entre 37,3% e 38,2%. - SPD em Mecklenburg-Vorpommern: 35,5%, 35,6% ou 35,7%. - CDU em Mecklenburg-Vorpommern: uma fonte diz "cerca de 5,3%" ou "pouco acima de 5%"; outra diz 4,9%, o que deixaria o partido fora do parlamento estadual pela primeira vez. - Die Linke em Berlim: 24,5% ou 24,9%. - Data da vitória da AfD na Saxônia-Anhalt: 6 ou 7 de setembro. Os resultados são preliminares e baseados em exit polls e projeções da ARD, conforme relatados pela DW e pela Tagesschau.
Contexto
Mecklenburg-Vorpommern e Berlim são dois dos 16 Estados federais da Alemanha, com governos regionais que detêm competências significativas, inclusive em educação e em parte da segurança. Mecklenburg-Vorpommern tem cerca de 1,5 milhão de habitantes e uma das maiores taxas de desemprego do país. A ministra-presidente Manuela Schwesig (SPD) governa o Estado desde 2017; antes, atuou como ministra federal da Família, Mulheres e Juventude no terceiro gabinete de Angela Merkel. Reportagens da imprensa alemã de 2022 indicaram que Schwesig esteve envolvida em uma fundação apoiada pela Gazprom ligada ao Nord Stream 2 antes da invasão russa em larga escala da Ucrânia. O prefeito de Berlim, Kai Wegner (CDU), não buscou a reeleição; a CDU lançou o ministro estadual de Finanças Stefan Evers, enquanto a AfD foi liderada por Kristin Brinker. A AfD venceu a eleição estadual da Saxônia-Anhalt em 6/7 de setembro com cerca de 44% dos votos, caracterizando o precedente regional da tendência no leste.