Zelensky diz que ainda não discute candidatos para o cargo de procurador-geral
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou em 25 de setembro de 2025 que ainda não realizou reuniões ou tratativas sobre candidatos ao cargo de procurador-geral do país. Anton Kovalsky, ex-chefe do escritório do procurador da região de Khmelnytskyi, segue como procurador-geral interino desde 17 de setembro, após a demissão de Ruslan Kravchenko.
Pontos principais
- Zelensky afirmou em 25 de setembro que ainda não tratou de candidatos ao cargo de procurador-geral.
- Anton Kovalsky atua como procurador-geral interino desde 17 de setembro.
- Ruslan Kravchenko foi demitido por Zelensky em 15 de setembro; a Verkhovna Rada havia aprovado sua saída.
- Kravchenko pediu demissão em 7 de setembro em meio à operação 'Carthage', da NABU e da SAP.
- Kravchenko alegou em 14 de setembro ter assinado suspeita contra o diretor da NABU, Semen Kryvonos; o Escritório do Procurador-Geral desmentiu.
- Segundo fontes da UP, Kravchenko deixou a Ucrânia de carro na noite de 14 de setembro, durante viagem oficial a Paris.
- Antes do posto em Khmelnytskyi, Kovalsky chefiou a promotoria da região de Chernivtsi desde novembro de 2021.
Por que importa
A vaga permanente no cargo de procurador-geral segue aberta desde meados de setembro, e o presidente sinaliza publicamente que ainda não abriu a seleção. A saída de Kravchenko aconteceu no contexto da operação "Carthage", da NABU e da SAP, que expôs suposto esquema de propinas dentro do Escritório do Procurador-Geral ligado a centrais de fraude telefônica, além da controversa suspeita assinada contra o diretor da NABU, Semen Kryvonos, que a própria Procuradoria desmentiu. A combinação de renúncia, viagem ao exterior sem retorno e sinais de conflito com os órgãos anticorrupção levanta questões sobre a responsabilização da antiga chefia da instituição.
O que aconteceu
Em 25 de setembro de 2025, em conversa por áudio e WhatsApp com jornalistas ligados ao gabinete, o presidente Volodymyr Zelensky afirmou que ainda não havia realizado reuniões ou tratativas sobre candidatos ao cargo de procurador-geral da Ucrânia. Zelensky descreveu Anton Kovalsky como procurador-geral em exercício. Kovalsky havia sido nomeado procurador-geral interino em 17 de setembro por decreto presidencial, vindo do cargo de chefe do escritório do procurador da região de Khmelnytskyi, que ocupava desde 1º de julho de 2025. Antes disso, ele chefiou a promotoria da região de Chernivtsi desde novembro de 2021, após ter sido vice-chefe da promotoria da região de Vinnytsia entre setembro de 2020 e outubro de 2021. Kovalsky tomou posse como interino logo após a demissão de Ruslan Kravchenko, que ocupava o cargo desde junho de 2025 e foi exonerado por decreto presidencial em 15 de setembro, após a Verkhovna Rada ter aprovado sua saída. O movimento da Rada é citado por uma das fontes como tendo sido registrado com 317 votos. A exoneração ocorreu após Kravchenko ter apresentado pedido de demissão em 7 de setembro, no contexto da operação "Carthage", conduzida pela NABU (Agência Nacional Anticorrupção) e pela SAP (Procuradoria Especializada Anticorrupção), que em 4 de setembro anunciou a exposição de uma organização criminosa dentro do próprio Escritório do Procurador-Geral supostamente envolvida no recebimento sistemático de propinas de centrais de fraude telefônicas. Em 14 de setembro, Kravchenko afirmou ter assinado uma notificação de suspeita contra o diretor da NABU, Semen Kryvonos, e contra alguém próximo ao chefe da SAP, Oleksandr Klymenko. Horas depois, o Escritório do Procurador-Geral desmentiu oficialmente a informação, afirmando que os registros correspondentes haviam sido removidos do ERDR (registro unificado de inquéritos preliminares). Naquela mesma noite, segundo fontes policiais ouvidas pela Ukrainska Pravda, Kravchenko deixou a Ucrânia de carro, embora tivesse expedido ordem para uma viagem oficial de cinco dias a Paris para participar de hearings da PACE sobre crianças ucranianas — seu nome, no entanto, não constava na agenda do evento. A viagem terminou em 18 de setembro, e Kravchenko não retornou ao trabalho, o que fundamentou sua posterior demissão do cargo de promotor no Escritório do Procurador-Geral, assinada por Kovalsky. Kovalsky delineou como prioridades reuniões com chefes de divisões-chave da OGP e dos órgãos regionais, a análise de processos de repercussão, questões de pessoal e a conclusão de procedimentos internos ligados à operação "Carthage".
Onde as versões divergem
As fontes divergem levemente sobre a cronografia entre a aprovação da Verkhovna Rada e o decreto presidencial de demissão de Kravchenko: uma parte dos relatos indica que a Rada deu consentimento no dia anterior ao decreto de 15 de setembro, enquanto outra reporta que o apoio parlamentar ocorreu no mesmo dia 15, com 317 votos citados por uma das fontes. Há também variação na data do anúncio da operação "Carthage" pela NABU e pela SAP, registrada ora como 4 de setembro, ora como 5 de setembro, dependendo da fonte.
Contexto
A operação "Carthage" foi anunciada pela NABU e pela SAP em 4 de setembro de 2025 como a exposição de uma organização criminosa dentro do Escritório do Procurador-Geral que, segundo a investigação, recebia sistematicamente propinas de centrais de fraude telefônicas que lesavam cidadãos ucranianos e estrangeiros. Em 7 de setembro, o procurador-geral Ruslan Kravchenko — no cargo desde junho de 2025 e ex-chefe do Serviço Estatal de Receitas entre dezembro de 2024 e junho de 2025 — apresentou pedido de demissão. Em 14 de setembro, Kravchenko afirmou ter assinado uma notificação de suspeita contra o chefe da NABU, Semen Kryvonos, alegação desmentida horas depois pela própria Procuradoria, que informou a remoção dos registros do ERDR. Na mesma noite, segundo fontes policiais, Kravchenko deixou a Ucrânia de carro, apesar da ordem de viagem oficial a Paris para hearings da PACE da qual seu nome não constava. Em 15 de setembro, a Verkhovna Rada aprovou sua saída e Zelensky assinou o decreto de demissão. Em 17 de setembro, Zelensky nomeou Kovalsky, ex-chefe da promotoria regional de Khmelnytskyi desde 1º de julho de 2025, como procurador-geral interino. Kovalsky assumiu com a promessa de revisar processos de repercussão, reunir-se com divisões-chave da OGP e concluir procedimentos de pessoal ligados à operação "Carthage".