Suspeito da operação 'Cartago' continuou formalmente no cargo na Procuradoria da Ucrânia por semanas após ser preso
Serhiy Kropyva, suspeito da operação 'Cartago' conduzida pela NABU e pela SAP, permaneceu formalmente empregado no Escritório do Procurador-Geral da Ucrânia por quase duas semanas após ser colocado em prisão preventiva, embora o então procurador-geral Ruslan Kravchenko tenha publicamente afirmado que ele havia sido suspenso. Uma resposta oficial do escritório a um pedido de informações afirmou que nenhuma ordem registrando a suspensão ou demissão havia sido emitida. Em 18 de setembro, o procurador-geral interino Anton Kovalsky reestruturou o departamento em que Kropyva atuava, extinguindo o cargo que ele ocupava, e demitiu o motorista envolvido no caso.
Pontos principais
- Kropyva foi colocado em prisão preventiva em 6 de setembro pelo VAKS, com alternativa de fiança de 120 milhões de hryvnias (MP havia pedido 200 milhões).
- Kravchenko afirmou publicamente em 6 de setembro que Kropyva havia sido suspenso; o OGP respondeu depois que nenhuma ordem de suspensão ou demissão foi registrada.
- Em 17 de setembro, Kropyva ainda formalmente ocupava o cargo de vice-chefe do Departamento de Cooperação Internacional do OGP.
- Em 18 de setembro, o procurador-geral interino Anton Kovalsky reestruturou o departamento e extinguiu a função de Kropyva, e também demitiu o motorista Serhiy Kutsiy, outro suspeito.
- A Lviv Regional Prosecutor's Office e o promotor da SAP negaram em juízo que Kropyva estivesse em viagem oficial em Lviv; investigação diz que ele estava lá em férias com a companheira Yelyzaveta Ivakhnenko.
Por que importa
O caso expôs um descompasso entre as declarações públicas do chefe da Procuradoria da Ucrânia sobre punir um suspeito de corrupção de alto escalão e a situação administrativa real desse suspeito na folha de pagamento da instituição. A revelação alimentou dúvidas sobre a capacidade do Escritório do Procurador-Geral de agir rapidamente contra seus próprios funcionários em grandes casos de corrupção e contribuiu para a queda do procurador-geral Kravchenko, culminando em uma reestruturação departamental e em um pedido de agilização ao conselho disciplinar de promotores.
O que aconteceu
Kropyva foi identificado pela NABU e pela SAP como figura central da operação 'Cartago', que em 4 de setembro desarticulou um grupo suspeito de proteger centros de chamadas fraudulentos em troca de pagamentos mensais. Em 6 de setembro, o Tribunal Superior Anticorrupção (VAKS) determinou sua prisão preventiva até 2 de novembro, com alternativa de fiança de 120 milhões de hryvnias. No mesmo dia, o então procurador-geral Ruslan Kravchenko afirmou que Kropyva havia sido suspenso e que preparava sua demissão pela via legal, mas o Escritório do Procurador-Geral (OGP) posteriormente respondeu a um pedido de informações do Centro Anti-Corrupção informando que nenhuma ordem havia sido registrada, de modo que Kropyva continuou formalmente no cargo até pelo menos 17 de setembro. A alternativa administrativa usada para encerrar a situação veio em 18 de setembro, quando o procurador-geral interino Anton Kovalsky reestruturou o Departamento de Cooperação Internacional, extinguindo o cargo de vice-chefe que Kropyva ocupava, e também demitiu o motorista do OGP Serhiy Kutsiy, também suspeito no caso.
Onde as versões divergem
Há uma contradição direta entre a declaração pública de Kravchenko de 6 de setembro, de que Kropyva havia sido suspenso, e a resposta oficial do Escritório do Procurador-Geral, que informou que nenhuma ordem de suspensão ou demissão foi registrada. Há também versões conflitantes sobre as circunstâncias em que Kropyva foi detido em Lviv: em juízo, ele afirmou estar em viagem oficial e ter se reunido com o chefe da Procuradoria Regional de Lviv, de sobrenome Meret; a Procuradoria Regional de Lviv e o promotor da SAP negaram qualquer reunião ou comunicação com ele, e a investigação sustenta que ele estava em Lviv em férias com a companheira Yelyzaveta Ivakhnenko ('Muse', nos registros da NABU). Por fim, fontes divergem sobre o momento da demissão do motorista Kutsiy: o OGP indicou em 17 de setembro que nenhuma ordem havia sido registrada, e uma reportagem posterior afirma que a demissão ocorreu em 18 de setembro, por ordem do procurador-geral interino.
Contexto
A operação 'Cartago', anunciada pela NABU e pela SAP em 4 de setembro, mirava uma suposta organização criminosa ligada a centrais de fraude telefônica. O promotor Serhiy Kropyva, vice-chefe do Departamento de Cooperação Internacional do OGP ('Chancellor' nos registros da NABU), e sua companheira Yelyzaveta Ivakhnenko foram presos preventivamente em 6 de setembro. Na Ucrânia, promotores em atividade não podem ser suspensos ou demitidos apenas com base em notificação de suspeita ou prisão preventiva: a suspensão exige decisão judicial dentro do processo criminal ou decisão do Conselho Qualificativo e Disciplinar de Promotores (KDKP) dentro de um procedimento disciplinar. Em 7 de setembro, o procurador-geral Ruslan Kravchenko pediu renúncia em meio às denúncias; em 14 de setembro, o presidente Zelensky o suspendeu do cargo, e em 15 de setembro a Verkhovna Rada aprovou sua demissão por 317 votos. No mesmo dia, Kravchenko teria deixado o país. O procurador-geral interino Anton Kovalsky assumiu o comando do OGP, encaminhou a representação disciplinar ao KDKP, pediu agilização do caso e reestruturou o departamento envolvido.