Justiça anticorrupção da Ucrânia manda prender suspeita em operação contra esquema de call centers no Ministério Público
Em 7 de setembro, o Tribunal Superior Anticorrupção (ВАКС) da Ucrânia colocou Yelyzaveta Ivakhnenko, suspeita na operação "Cartago" da NABU, em prisão preventiva com fiança alternativa de 20 milhões de hryvnias. A promotoria havia pedido fiança de 50 milhões. Ivakhnenko é descrita como companheira do principal suspeito, Serhiy Kropyva, funcionário do Gabinete do Procurador-Geral já preso na mesma operação.
Pontos principais
- ВАКС colocou Yelyzaveta Ivakhnenko em prisão preventiva com fiança alternativa de 20 milhões de hryvnias
- Promotoria (SAP) havia solicitado fiança de 50 milhões de hryvnias
- Ivakhnenko, 24 anos, é citada nos materiais da NABU/SAP sob o codinome "Muza"
- Ela é suspeita de lavagem de dinheiro (art. 209 do Código Penal da Ucrânia)
- É descrita como companheira de Serhiy Kropyva, considerado o líder da organização criminosa sob o codinome "Chancellor"
- Kropyva foi preso em 6 de setembro com fiança alternativa de 120 milhões de hryvnias
- A operação "Cartago", anunciada em 4 de setembro pela NABU e SAP, expôs cinco suspeitos sob os artigos 255 e 209 do Código Penal
Por que importa
O caso investiga corrupção e lavagem de dinheiro dentro do Gabinete do Procurador-Geral da Ucrânia, uma das principais instituições anticorrupção do país. A operação resultou em buscas durante a madrugada nos gabinetes do próprio procurador-geral e na convocação dele ao parlamento para prestar esclarecimentos. As gravações e acusações apontam um suposto esquema sistemático de proteção a call centers fraudulentos, com mensalidades de dezenas de milhares de dólares, e possíveis ligações com autoridades superiores, incluindo o procurador-geral. O tribunal reduziu de 50 milhões para 20 milhões de hryvnias a fiança solicitada pela promotoria para Ivakhnenko, demonstrando o controle judicial sobre um caso de grande repercussão.
O que aconteceu
Em 7 de setembro, o Tribunal Superior Anticorrupção (ВАКС) da Ucrânia analisou o pedido de medida preventiva para Yelyzaveta Ivakhnenko, de 24 anos, uma das cinco pessoas expostas pela operação "Cartago" anunciada em 4 de setembro pela NABU (Escritório Nacional Anticorrupção) e pela SAP (Procuradoria Especializada Anticorrupção). Nos materiais do caso, Ivakhnenko aparece sob o codinome "Muza" e é suspeita de ter ajudado Serhiy Kropyva — vice-chefe do Departamento de Cooperação Internacional do Gabinete do Procurador-Geral, listado como "Chancellor" — a lavar recursos de origem criminosa. A promotoria havia solicitado prisão preventiva com fiança alternativa de 50 milhões de hryvnias, alegando riscos de fuga, destruição de provas e influência sobre testemunhas, mas o tribunal fixou a fiança em 20 milhões de hryvnias até 2 de novembro. Ivakhnenko nega as acusações e diz que as gravações são distorcidas. No dia anterior, 6 de setembro, Kropyva já havia sido preso com fiança de 120 milhões de hryvnias. As acusações se enquadram nos artigos 255 (criação e liderança de organização criminosa) e 209 (lavagem de dinheiro) do Código Penal da Ucrânia, com pena de até 15 anos de prisão.
O que dizem as fontes ucranianas
A cobertura ucraniana se concentra na crise institucional no Gabinete do Procurador-Geral, com grande atenção às buscas nos gabinetes do procurador-geral, à convocação para a comissão parlamentar de aplicação da lei e às dúvidas sobre a integridade do próprio órgão. Relatórios citam o cientista político Ihor Reiterovich, que avalia que o Gabinete efetivamente reconheceu a autenticidade das gravações da NABU, enquadrando o caso como exposição de corrupção sistêmica na promotoria. A imprensa detalha ainda a trajetória e o patrimônio de Ivakhnenko — carro de luxo, imóvel em Odessa, propriedade comercial no distrito de Pechersk em Kiev, cargo acadêmico na Academia de Direito de Odessa — e destaca os argumentos da promotoria sobre sua suposta intenção de se tornar vice-ministra da Educação.
Onde as versões divergem
Fontes divergem sobre a data exata do fim da prisão preventiva de Ivakhnenko: algumas publicações indicam 2 de novembro de 2025, enquanto o juiz investigador é citado afirmando 2.11.2026. Também há controvérsia sobre o paradeiro do procurador-geral Ruslan Kravchenko após o início da operação "Cartago" — fontes da Ukrainska Pravda relataram que ele teria desaparecido, mas o Gabinete do Procurador-Geral negou. Por fim, a foto divulgada de um cofre aberto com dinheiro é atribuída pelo promotor da SAP Mykola Karas à operação "Cartago" e informa que o cofre não foi encontrado nas dependências do Gabinete do Procurador-Geral, enquanto o advogado de defesa Vitaliy Serdyuk afirma que a imagem pertence a um outro processo criminal sobre "questões fundiárias".
Contexto
A operação "Cartago" foi anunciada pela NABU e pela SAP em 4 de setembro de 2025, com cinco suspeitos identificados sob os artigos 255 e 209 do Código Penal da Ucrânia, cujas penas podem chegar a 15 anos de prisão. O principal suspeito é Serhiy Kropyva, vice-chefe do Departamento de Cooperação Internacional do Gabinete do Procurador-Geral, preso em 6 de setembro com fiança de 120 milhões de hryvnias. Segundo os investigadores, Ruslan Kravchenko chefiou o Serviço Estatal de Receitas Fiscais de dezembro de 2024 a junho de 2025; gravações da NABU citam uma figura chamada "Shef" (Chefe), ex-chefe do serviço fiscal, que comentadores associam a Kravchenko. Em 2 de setembro de 2025, o presidente Volodymyr Zelensky submeteu à Verkhovna Rada dois projetos de lei para fortalecer a responsabilidade pela organização de call centers fraudulentos.