Tribunal anticorrupção da Ucrânia mantém detenção de ex-funcionário da Procuradoria no caso 'Cartago'
A Câmara de Apelações do Tribunal Anticorrupção Superior da Ucrânia (ВАКС) manteve a medida preventiva de detenção contra Serhiy Kropyva, ex-vice-chefe do Departamento de Cooperação Internacional do Gabinete do Procurador-Geral, no âmbito da operação 'Cartago'. A defesa pediu a redução da fiança alternativa de 120 milhões de UAH para 2 milhões de UAH, alegando que o valor é excessivo, mas o tribunal rejeitou o recurso e manteve a decisão de primeira instância de 6 de setembro, que estabelece a detenção até 2 de novembro.
Pontos principais
- Câmara de Apelações do ВАКС manteve a detenção de Serhiy Kropyva com fiança alternativa de 120 milhões de UAH no caso 'Cartago'.
- Defesa e Kropyva pediram redução da fiança de 120 milhões para 2 milhões de UAH e, alternativamente, prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica — pedidos negados.
- Kropyva é ex-vice-chefe do Departamento de Cooperação Internacional do Gabinete do Procurador-Geral (Kravchenko).
- Kropyva foi detido em 4 de setembro pela NABU e SAPO, e a medida preventiva de primeira instância foi definida em 6 de setembro (detenção até 2 de novembro).
- A operação 'Cartago' investiga uma suposta organização criminosa que supostamente protegia 505 call centers fraudulentos e legalizava os ganhos; a promotoria citou volume de cerca de 41,76 milhões de UAH legalizados entre agosto de 2025 e 2026, e cerca de 40 milhões de UAH no período 2023–2025.
- Segundo a acusação, métodos incluíam conversão de dinheiro via FOPs, registro de bens em nomes de laranjas, criptomoedas e fundo de investimento corporativo.
- A promotoria sustenta que persistem riscos de fuga, destruição de provas e influência sobre outros réus; a defesa contesta esses riscos e o valor da fiança.
Por que importa
O caso envolve um alto funcionário do Gabinete do Procurador-Geral — a própria instituição encarregada de investigar e processar a corrupção na Ucrânia — e decorre da operação especial 'Cartago' da NABU e do SAPO, que expôs uma suposta organização criminosa ligada à proteção de call centers fraudulentos e à lavagem de ativos. Buscas foram realizadas inclusive em instalações usadas pelo procurador-geral Kravchenko, o que torna o caso um teste direto da integridade das instituições anticorrupção do país. A fiança alternativa de 120 milhões de UAH, excepcionalmente elevada, sinaliza a gravidade que a acusação atribui à conduta investigada.
O que aconteceu
Em 4 de setembro de 2026, a NABU e o SAPO anunciaram a operação 'Cartago' e detiveram Serhiy Kropyva, então vice-chefe do Departamento de Cooperação Internacional do Gabinete do Procurador-Geral. Em 6 de setembro, o ВАКС, em primeira instância, determinou sua detenção até 2 de novembro, com fiança alternativa de 120 milhões de UAH. A defesa recorreu pedindo prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica ou, subsidiariamente, a redução da fiança para 2 milhões de UAH. Em 16 de setembro, a Câmara de Apelações do ВАКС rejeitou o recurso e manteve a medida preventiva. A acusação sustenta que a organização supostamente chefiada por Kropyva recebia pagamentos de call centers fraudulentos e lavava os recursos por meio de FOPs, bens registrados em nomes de laranjas, criptomoedas e fundo de investimento corporativo, citando volume de cerca de 41,76 milhões de UAH legalizados entre agosto de 2025 e 2026 e cerca de 40 milhões de UAH no período 2023–2025, além de 505 call centers supostamente 'protegidos'.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre a proporcionalidade da fiança: a defesa pediu sua redução de 120 milhões para 2 milhões de UAH, alegando que o valor é excessivo e que não há risco de fuga, enquanto a acusação sustenta que o valor é justificado pelo volume das operações financeiras e pela persistência de riscos de fuga, destruição de provas e influência sobre outros réus. Há também divergência sobre as circunstâncias da detenção em 4 de setembro — a defesa afirma que Kropyva estava em viagem de serviço a Lviv, ao passo que a acusação diz não ter encontrado documentos que confirmem tal viagem.
Contexto
A medida preventiva de primeira instância foi proferida por um juiz instrutor em 6 de setembro de 2026. A acusação alega a legalização de cerca de 41,76 milhões de UAH no episódio de agosto de 2025 a 2026, e aproximadamente outros 40 milhões de UAH no período 2023–2025. Métodos suspeitos de lavagem incluíam conversão de dinheiro em espécie via empreendedores individuais (FOPs), registro de bens em nomes de parentes e pessoas vinculadas, criptomoedas e fundo de investimento corporativo. A acusação citou 505 call centers supostamente 'protegidos' pelos suspeitos como parte dos fluxos financeiros subjacentes ao valor da fiança. Um representante do Gabinete do Procurador-Geral afirmou que 2 milhões de UAH é o valor máximo que Kropyva poderia pagar, sendo esse o valor por ele declarado. A acusação também argumentou que persistem riscos de fuga, destruição de provas e influência sobre outros participantes, incluindo conversas gravadas em que se discutia a organização de travessias de fronteira e o ocultamento de bens.