Operação "Cartago": autoridade máxima do Ministério Público da Ucrânia alvo de buscas e nega envolvimento em esquema de call centers
Em 4 de setembro de 2026, o NABU e a SAP anunciaram a operação "Cartago", que expôs uma organização criminosa supostamente liderada por um alto funcionário da Procuradoria-Geral da Ucrânia (OPG), acusada de proteger call centers fraudulentos e lavar dinheiro. Na madrugada de 5 de setembro, detectives realizaram buscas nos gabinetes do procurador-geral Ruslan Kravchenko, da primeira-adjunta Mariya Vdovychenko e de outros servidores da OPG. Cinco suspeitos foram identificados sob os artigos 255 e 209 do Código Penal. Kravchenko negou publicamente qualquer envolvimento e afastou o servidor da OPG mencionado na investigação. No dia 6, o Tribunal Superior Anticorrupção (VAKS) determinou a prisão preventiva de Serhiy Kropyva, identificado pela mídia como o "Chanceler" nos registros do NABU, até 2 de novembro, com fiança alternativa de 120 milhões de hryvnia.
Pontos principais
- Em 4 de setembro de 2026, NABU e SAP anunciaram a operação "Cartago", expondo uma organização criminosa liderada por um funcionário da OPG, acusada de proteger call centers fraudulentos e lavar dinheiro.
- Na madrugada de 5 de setembro, detectives do NABU realizaram buscas nos gabinetes do procurador-geral Ruslan Kravchenko, da primeira-adjunta Mariya Vdovychenko e de outros servidores da OPG.
- A investigação identificou cinco suspeitos, e o caso está qualificado, em caráter preliminar, nos artigos 255 (criação e chefia de organização criminosa) e 209 (lavagem de dinheiro) do Código Penal da Ucrânia, com pena de até 15 anos.
- Segundo fontes da mídia Ukrainska Pravda, NABU e SAP detiveram Serhiy Kropyva, vice-chefe do Departamento de Cooperação Jurídica Internacional da OPG, conhecido nos registros como "Chanceler".
- No dia 6 de setembro, o VAKS determinou a prisão preventiva de Kropyva até 2 de novembro, com fiança alternativa de 120 milhões de hryvnia.
- Kravchenko negou publicamente qualquer envolvimento no esquema, afastou o funcionário da OPG mencionado na investigação e ordenou testes de polígrafo para servidores envolvidos na supervisão de processos contra call centers.
- A OGP contestou a amplitude das buscas, alegando que os investigadores tiveram acesso a materiais de outros processos não relacionados e exigiu uma avaliação jurídica da operação.
Por que importa
O caso atinge o coração do sistema de justiça da Ucrânia, investigando o próprio chefe da Procuradoria-Geral por suspeita de proteger uma economia criminosa de call centers que lesa cidadãos ucranianos e estrangeiros, inclusive na União Europeia e no Reino Unido. O desfecho pode determinar a permanência de Ruslan Kravchenko no cargo, já que os indícios investigativos (ex-chefe do Serviço Fiscal, patronímico "Andriyovych") o associam à figura chamada "Chef" nas gravações do NABU, embora ele não tenha sido formalmente notificado como suspeito. A operação também testa a independência institucional do NABU e da SAP para investigar o mais alto escalão do Ministério Público.
O que aconteceu
Em 4 de setembro de 2026, o Gabinete Nacional Anticorrupção (NABU) e a Procuradoria Especializada Anticorrupção (SAP) anunciaram a operação "Cartago", que expôs uma organização criminosa acusada de cobrar propinas sistemáticas para permitir a atuação de call centers fraudulentos que lesavam ucranianos e estrangeiros. Segundo a investigação, o esquema foi criado e chefiado em meados de 2025 por um alto funcionário da Procuradoria-Geral (OPG), e mais de 20 milhões de hryvnia foram gastos em imóveis, joias e bens de luxo, com mais de 10 milhões depositados em contas de parentes sob aparência de renda empresarial. Na madrugada de 5 de setembro, detectives do NABU realizaram buscas nos gabinetes usados pelo procurador-geral Ruslan Kravchenko, pela primeira-adjunta Mariya Vdovychenko e por outros servidores. Reportagens da Ukrainska Pravda identificaram Serhiy Kropyva, vice-chefe do Departamento de Cooperação Jurídica Internacional da OPG (codinome "Chanceler" nas gravações), como detido na operação. No dia 6 de setembro, Kravchenko negou publicamente qualquer envolvimento, afastou o funcionário da OPG e ordenou testes de polígrafo. No mesmo dia, o Tribunal Superior Anticorrupção (VAKS) determinou a prisão preventiva de Kropyva até 2 de novembro, com fiança alternativa de 120 milhões de hryvnia. A OGP contestou a amplitude das buscas e exigiu avaliação jurídica da operação.
O que dizem as fontes ucranianas
A cobertura, inteiramente proveniente de fontes ucranianas, concentra-se nos desdobramentos institucionais dentro do país. Os relatos detalham as negativas de Kravchenko, a postura defensiva da OPG frente ao NABU — com críticas à extensão das buscas e a alegação de que a decisão judicial se baseava apenas em conversas domésticas — e a publicação de estatísticas defensivas pelo procurador-geral (mais de 1.050 buscas, cerca de 340 call centers fechados e mais de 5.000 estações de trabalho encerradas nos últimos 12 meses). Há também extensa cobertura investigativa de Ukrainska Pravda, ZN.UA e Bihus.Info sobre a figura chamada "Chef" nas gravações, a casa em Kozyn atribuída a Kravchenko, o papel de Kropyva na coordenação de assuntos pessoais do procurador e relatos não confirmados sobre um suposto acordo informal entre Kravchenko e o líder da bancada Servidor do Povo, Davyd Arakhamia.
Onde as versões divergem
As principais divergências entre as fontes giram em torno de cinco pontos. Primeiro, sobre o paradeiro de Kravchenko após o início da operação: fontes da Ukrainska Pravda e da ZN.UA afirmaram que ele não pôde ser localizado por mais de 12 horas e que estaria na clínica Dobrobut em Kiev, mas a OGP, o porta-voz de Kravchenko e a própria rede hospitalar negaram essas informações. Segundo, sobre a identidade da figura "Chef" nas gravações: embora os indícios (ex-chefe do Serviço Fiscal, patronímico Andriyovych) correspondam à biografia de Kravchenko, o NABU não o nomeou publicamente nem o notificou como suspeito, e Kravchenko nega envolvimento. Terceiro, sobre a legalidade das buscas: a OPG sustenta que os detetives acessaram materiais de outros processos não relacionados e exige avaliação jurídica, enquanto o NABU/SAP não respondeu publicamente a essa alegação específica. Quarto, sobre o total lavado: a maioria dos veículos cita mais de 20 milhões de hryvnia em bens e mais de 12 milhões em imóveis nos Cárpatos, mas há números alternativos de mais de 30 milhões no total e 89,9 milhões atribuídos especificamente a Kropyva em duas etapas. Por fim, sobre eventual demissão de Kravchenko: fontes da Ukrainska Pravda afirmam que o presidente Zelensky estaria pronto a iniciá-la, mas teria sido persuadido a esperar por Davyd Arakhamia; nem o gabinete presidencial nem Arakhamia confirmaram a existência desse arranjo.
Contexto
O NABU (Gabinete Nacional Anticorrupção) e a SAP (Procuradoria Especializada Anticorrupção) são as principais instituições anticorrupção da Ucrânia. O procurador-geral Ruslan Kravchenko chefiou o Serviço Fiscal Estadual entre dezembro de 2024 e junho de 2025, antes de ser nomeado para o Ministério Público. Nas gravações do NABU, a figura chamada "Chef" é descrita como ex-chefe do Serviço Fiscal e tratada pelo patronímico "Andriyovych", coincidências que correspondem ao perfil de Kravchenko, embora ele não tenha sido nomeado pelo NABU nem notificado como suspeito. Investigações anteriores indicam que cerca de 2.000 call centers fraudulentos podem operar na Ucrânia, alimentando um sistema de pagamentos mensais de proteção distribuídos entre vários órgãos de segurança e de aplicação da lei.