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Zelensky pede demissão do procurador-geral após ele anunciar suspeita contra o chefe da NABU

O procurador-geral da Ucrânia, Ruslan Kravchenko, que havia pedido demissão na semana passada no contexto da operação Cartago contra corrupção no próprio Ministério Público, publicou em 14 de setembro um vídeo em que afirma ter assinado uma notificação de suspeita contra o diretor da NABU, Semen Kryvonos. No mesmo dia, o presidente Volodymyr Zelensky afirmou que Kravchenko 'tem um único caminho: a demissão', submeteu à Verkhovna Rada o pedido formal de destituição e, ainda no dia 14, assinou o decreto nº 905/2026 suspendendo-o do cargo. A NABU e a SAPO divulgaram nota conjunta negando que a suspeita tenha sido oficialmente entregue a Kryvonos e classificaram o ato como 'continuação de um ataque sistemático aos órgãos anticorrupção independentes'. A Comissão Europeia, por meio do porta-voz Guillaume Mercier, reafirmou a política de tolerância zero com a corrupção e disse que os órgãos anticorrupção independentes são 'a base' do Estado de direito na Ucrânia.

Pontos principais

  • 14 de setembro: Kravchenko publica vídeo afirmando ter assinado suspeita contra o diretor da NABU, Semen Kryvonos, por falsificação de documentos e adoção fictícia (episódios de 2008–2009 e 2014).
  • Zelensky pede à Verkhovna Rada a destituição imediata de Kravchenko e assina o decreto nº 905/2026 suspendendo-o do cargo de procurador-geral com base no artigo 11(2) da Lei sobre o Regime Jurídico da Lei Marcial.
  • 7 de setembro: Kravchenko havia apresentado pedido de demissão após a operação Cartago, que expôs suposta organização criminosa chefiada por Serhiy Kropyva no Ministério Público por 'proteção' a centrais de fraude.
  • NABU e SAPO divulgaram nota conjunta dizendo que nenhuma suspeita havia sido oficialmente entregue a Kryvonos e classificaram o anúncio de Kravchenko como 'ataque sistemático' aos órgãos anticorrupção; o próprio Ministério Público afirmou, no fim da noite de 14 de setembro, que não houve notificação legal e que os registros no ЄРДР foram cancelados.
  • Kravchenko deixou a Ucrânia na noite de 13 para 14 de setembro, em carro oficial, com ordem de viagem de cinco dias para Paris a partir de 13 de setembro, para participar de audiência da Rede Parlamentar da PACE; a PACE informou que nem ele nem representantes participariam do evento.
  • A Comissão Europeia, por meio do porta-voz Guillaume Mercier, afirmou estar ciente dos acontecimentos, mas não comenta casos individuais; reiterou a política de tolerância zero à corrupção e disse que órgãos anticorrupção independentes são a base do Estado de direito na Ucrânia.
  • O Comitê de Direito e Aplicação da Lei da Verkhovna Rada recomendou a destituição em 14 de setembro; o líder da facção Servidor do Povo, Davyd Arakhamia, anunciou que a votação plenária está marcada para 15 de setembro.

Por que importa

O confronto expõe publicamente uma ruptura entre o Ministério Público e os principais órgãos anticorrupção da Ucrânia (NABU e SAPO), exatamente num momento em que o país depende da credibilidade dessas instituições para avançar nas reformas exigidas pela União Europeia como condição para a adesão. O anúncio de suspeita contra o chefe da NABU feito por um procurador-geral que já havia pedido demissão, seguido da suspensão presidencial e do apoio da Comissão Europeia à independência dos órgãos anticorrupção, redefine a disputa interna como teste direto do compromisso da Ucrânia com o Estado de direito e com o caminho europeu.

O que aconteceu

Em 14 de setembro de 2026, o procurador-geral Ruslan Kravchenko publicou um vídeo em que afirmou ter assinado notificação de suspeita contra o diretor da NABU, Semen Kryvonos, pelos crimes de falsificação de documentos para obter benefício ilícito em montant especialmente grande e de adoção fictícia, com base em episódios de 2008–2009 e 2014; no mesmo comunicado afirmou que o presidente e os próprios órgãos anticorrupção o haviam 'politicamente restringido' de adotar essa decisão anteriormente. Ainda naquela manhã, NABU e SAPO divulgaram nota conjunta dizendo que nenhuma suspeita havia sido oficialmente entregue a Kryvonos e classificaram o ato como 'continuação de um ataque sistemático aos órgãos anticorrupção independentes'; Kryvonos e o chefe da SAPO, Oleksandr Klymenko, afirmaram em entrevista coletiva que Kryvonos não havia recebido documento em papel e que nem familiares nem pessoas próximas de Klymenko haviam recebido suspeita. Horas depois, o presidente Volodymyr Zelensky afirmou em rede social que Kravchenko 'tem um único caminho: a demissão', pediu à Verkhovna Rada que apoiasse a destituição sem demora e submeteu formalmente o pedido ao parlamento; o Comitê de Direito e Aplicação da Lei da Rada recomendou a destituição no mesmo dia, e o líder da facção Servidor do Povo, Davyd Arakhamia, anunciou que a votação plenária está marcada para 15 de setembro. No fim da noite de 14 de setembro, Zelensky assinou o decreto nº 905/2026 suspendendo Kravchenko do cargo de procurador-geral com base no artigo 11(2) da Lei sobre o Regime Jurídico da Lei Marcial. Segundo fontes da Ukrainska Pravda, Kravchenko cruzou a fronteira ucraniana por volta das 02h30 da madrugada de 14 de setembro em carro oficial, enquadrando a saída como viagem de cinco dias a Paris a partir de 13 de setembro para participar de audiência da Rede Parlamentar da PACE; a PACE informou que nem ele nem representantes do Ministério Público participariam do evento. A Comissão Europeia, por meio do porta-voz Guillaume Mercier, declarou estar ciente dos últimos acontecimentos, não comentou casos individuais, reiterou a política de tolerância zero com a corrupção e afirmou que os órgãos anticorrupção independentes são 'a base' do Estado de direito na Ucrânia. O chefe do Escritório do Presidente, Kyrylo Budanov, afirmou que a situação com as suspeitas contra os órgãos anticorrupção e a saída inesperada de Kravchenko 'não é normal e prejudica ao máximo a imagem da Ucrânia no mundo'.

O que dizem as fontes ucranianas

A NABU e a SAPO, órgãos centrais do sistema anticorrupção ucraniano criado após a Revolução da Dignidade de 2014, classificaram o anúncio de Kravchenko como 'continuação de um ataque sistemático aos órgãos anticorrupção independentes', vinculado por Kryvonos a tentativas anteriores, em julho de 2025, de submeter a NABU e a SAPO ao controle do procurador-geral. O presidente Zelensky tomou partido abertamente contra Kravchenko, suspendendo-o por decreto e pedindo à Verkhovna Rada a destituição em poucas horas. O chefe do Escritório do Presidente, Kyrylo Budanov, qualificou a situação como prejudicial à imagem internacional do país. Jornalistas e a sociedade civil ucraniana (NV, Ukrainska Pravda, Liga.net, Бабель, ЦПК/AntAC) enfatizaram que a ordem de viagem foi emitida pelo próprio Kravchenko e que sua saída coincidiu com a divulgação do vídeo, levantando dúvidas sobre a coordenação com o Gabinete do Presidente.

O que dizem as fontes internacionais

A Comissão Europeia, por meio do porta-voz Guillaume Mercier, declarou-se ciente dos últimos desenvolvimentos, mas não comenta casos individuais; reiterou a política de tolerância zero com a corrupção, afirmou que o combate à corrupção é um 'elemento central' para qualquer país candidato à União Europeia e que os órgãos anticorrupção independentes são 'a base' do Estado de direito na Ucrânia, sublinhando que a seleção do procurador-geral por concurso permanece uma exigência no âmbito do cluster 'Fundamentos' e da lista de dez reformas prioritárias (plano Kachka–Kós). A PACE, por meio da porta-voz Nathalie Bargellini, informou que nem Kravchenko nem representantes do Ministério Público participariam da audiência da Rede Parlamentar sobre crianças ucranianas em Paris, contradizendo a justificativa oficial da viagem.

Onde as versões divergem

Há controvérsias substantivas entre as fontes. (1) Se a suspeita foi validamente entregue a Kryvonos: Kravchenko e o Ministério Público afirmam inicialmente que foi assinada e registrada no ЄРДР e, depois, que foi enviada pelos correios com recibos; NABU, SAPO e Kryvonos dizem que nenhum documento em papel foi entregue; à noite, o próprio Ministério Público declarou que não houve notificação legal e que os registros foram cancelados. (2) O destino real de Kravchenko: ele e o Ministério Público sustentam viagem oficial a Paris para audiência da PACE; fontes da Ukrainska Pravda indicam Lituânia como pretexto usado na fronteira, e outras fontes mencionam Bruxelas ou cruzamento pela Polônia. (3) Se a saída de Kravchenko foi possível apenas com autorização de Zelensky — tese do Centro de Combate à Corrupção (ЦПК), que sugere que a autorização foi dada em troca da assinatura da suspeita —, ou se o procurador-geral, constitucionalmente independente, pode autorizar sua própria viagem, como defendeu o deputado Serhiy Vlasenko. (4) Se os órgãos anticorrupção tiveram acesso e subtraíram materiais protegidos durante buscas no Ministério Público na operação Cartago: Kravchenko diz que sim e publicou suposto protocolo; NABU e SAPO afirmam que apenas uma 'dovidka' (referência) com lista de detetives sob medidas de contrainteligência foi apreendida, e não autos de processos. (5) Se Zelensky 'restringiu politicamente' Kravchenko de assinar as suspeitas, como o procurador-geral afirma, ou se a decisão foi uma iniciativa pessoal não coordenada com o Gabinete do Presidente, como dizem fontes ouvidas por RBC-Ucrânia, NV e LIGA.net. (6) Sobre a justificativa oficial da viagem: Kravchenko e o Ministério Público dizem tratar-se de audiência da Rede Parlamentar da PACE sobre crianças ucranianas; a PACE afirmou que nem ele nem representantes participariam.

Contexto

Em 4 de setembro, a NABU e a SAPO anunciaram a operação Cartago, que expôs suposta organização criminosa chefiada por Serhiy Kropyva, vice-chefe do Departamento de Cooperação Internacional do Ministério Público, acusada de 'proteger' centrais de fraude e lavar os rendimentos; cinco suspeitos foram notificados, e Kropyva foi colocado em prisão preventiva pelo Выщий антикорупційний суд com alternativa de fiança de 120 milhões de hryvnia. Ruslan Kravchenko foi nomeado procurador-geral em junho de 2025, após dirigir o Serviço Fiscal Estadual de dezembro de 2024 a junho de 2025, e pediu demissão em 7 de setembro de 2026 no contexto da operação Cartago, permanecendo no cargo até a votação parlamentar. A NABU (órgão de investigação) e a SAPO (procuradoria especializada) foram criadas após a Revolução da Dignidade com apoio da UE e do FMI e são há anos um parâmetro europeu para a Ucrânia. A Comissão Europeia, em 14 de setembro, reiterou que o combate à corrupção é 'elemento central' para qualquer país candidato à UE e que os órgãos anticorrupção independentes são 'a base' do Estado de direito. O texto da suspeita contra Kryvonos, divulgado por Kravchenko, abrange dois episódios: adoção fictícia em 2008–2009 para obter anistia num caso de compra de votos, e pedido de benefício ilícito em 2014 relacionado a um negócio de terras quando Kryvonos trabalhava no departamento de justiça da cidade-distrito de Obukhiv.