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Procurador-geral da Ucrânia renuncia após operação anticorrupção sobre esquema de call centers

O procurador-geral da Ucrânia, Ruslan Kravchenko, renunciou em 7 de setembro de 2026 após buscas conduzidas pela NABU e pela SAPO no próprio Escritório do Procurador-Geral. A operação, batizada de "Cartago", expôs um suposto esquema de proteção a uma rede de call centers fraudulentos liderado pelo funcionário do órgão Serhiy Kropyva. O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que o pedido de renúncia será encaminhado à Verkhovna Rada.

Pontos principais

  • Operação "Cartago" foi anunciada em 4 de setembro pela NABU e pela SAPO
  • Suspeito principal é Serhiy Kropyva, vice-chefe do Departamento de Cooperação Internacional do Escritório do Procurador-Geral
  • Kropyva foi preso em custódia até 2 de novembro, com fiança alternativa de 120 milhões de hryvnias
  • Suspeita é de lavagem de ativos superiores a 89 milhões de hryvnias
  • Yelyzaveta Ivakhnenko ("Muza") e o motorista Serhiy Kutsyi também foram presos
  • Kravchenko negou envolvimento e chamou a renúncia de "decisão política" consciente
  • Zelensky confirmou que o pedido será enviado à Verkhovna Rada

Por que importa

A renúncia ocorre no momento em que o próprio Escritório do Procurador-Geral se tornou alvo de uma grande operação anticorrupção, colocando à prova a independência da NABU e da SAPO — uma questão sensível após os protestos de 2025 e os alertas do G7 sobre a integração europeia da Ucrânia. As buscas também revelaram materiais indicando vigilância contra os chefes da NABU e da SAPO, levantando suspeitas de que o órgão se preparava para retaliar os investigadores. A escala financeira citada pelas fontes — até 500 call centers sob suposto "teto" e cerca de 3,5 milhões de dólares por mês — sugere uma economia criminosa expressiva dentro das forças de segurança.

O que aconteceu

Em 4 de setembro de 2026, a NABU (Agência Nacional Anticorrupção) e a SAPO (Promotoria Especializada Anticorrupção) iniciaram buscas no Escritório do Procurador-Geral da Ucrânia, no escritório do procurador-geral Ruslan Kravchenko, em sua vice Maria Vdovychenko e no chefe da Administração Estadual de Odessa, Oleh Kiper. Segundo relatos, funcionários do órgão inicialmente recusaram a entrada dos investigadores apesar de ordem judicial, e a NABU precisou usar escadas para acessar o prédio; um funcionário ficou ferido.

No dia seguinte, a NABU e a SAPO anunciaram a operação "Cartago", que expôs uma organização criminosa acusada de dar proteção a uma rede de call centers fraudulentos. O principal suspeito é Serhiy Kropyva, vice-chefe do Departamento de Cooperação Internacional do Escritório do Procurador-Geral, preso em Lviv. Em 6 de setembro, o Tribunal Anticorrupção (VAKS) determinou sua prisão preventiva até 2 de novembro, com fiança alternativa de 120 milhões de hryvnias. A suspeita é de lavagem de mais de 89 milhões de hryvnias. No dia seguinte, o mesmo tribunal prendeu Yelyzaveta Ivakhnenko ("Muza", companheira de Kropyva), por 60 dias com fiança de 20 milhões de hryvnias, e o motorista de Kropyva, Serhiy Kutsyi, até 3 de novembro com fiança de 3 milhões de hryvnias.

Ainda em 7 de setembro, o presidente Volodymyr Zelensky se reuniu com Kravchenko e com os chefes da NABU e da SAPO. Após longa reunião, Kravchenko entregou sua renúncia, chamando-a de "decisão política" consciente. Zelensky disse que o pedido será encaminhado à Verkhovna Rada. Kravchenko nega envolvimento e afirma não ter status processual no caso, classificando a situação como "tentativa de pressão política".

O que dizem as fontes ucranianas

A cobertura em ucraniano é dominada pelo detalhamento investigativo: a duração do esquema, o suposto pagamento de cerca de 7 mil dólares mensais por call center protegido e as descobertas do Bihus.Info sobre investimentos da família de Kropyva no apart-hotel Glacier em Bukovel. Vários veículos destacam os materiais encontrados na casa da vice-procuradora Vdovychenko, que indicariam vigilância sobre os chefes da NABU e da SAPO — o que sugeriria um movimento do Escritório do Procurador-Geral para retaliar os órgãos anticorrupção. Vozes da sociedade civil, como Vitaliy Shabunin, descrevem o caso como uma "história mafiosa". A cobertura acompanha ainda os detalhes processuais das decisões de fiança e os artigos 255 e 209 do Código Penal.

O que dizem as fontes internacionais

A imprensa estrangeira — como a BBC e agências internacionais — enquadra a renúncia como um caso de corrupção de alto nível em um país em guerra, enfatizando o posicionamento de Kravchenko, sua declaração de que queria evitar "confronto político" e a escala das suspeitas de lavagem. O caso é colocado no contexto mais amplo das instituições anticorrupção da Ucrânia e de sua integração à UE, com referência aos protestos de 2025 sobre a independência da NABU e da SAPO e aos alertas do G7. A cobertura ocidental tende a destacar as consequências políticas para Zelensky e a credibilidade reformista do país, em vez dos detalhes específicos do esquema de call centers.

Onde as versões divergem

As fontes divergem sobre o que motivou a renúncia: algumas descrevem Kravchenko como tendo escrito voluntariamente um pedido político após reunião com Zelensky, enquanto outras — citando fontes do Escritório do Presidente — afirmam que o presidente pediu pessoalmente que ele entregasse o pedido. Kravchenko havia dito antes que não renunciaria por iniciativa própria, a menos que o presidente e o parlamento solicitassem.

Também há divergência sobre o grau de envolvimento pessoal de Kravchenko. Gravações e materiais de investigação da NABU e da SAPO ligam Kropyva de perto ao procurador-geral — Kropyva teria controlado e pago reformas na casa dele em Kozyn e o chama de "Andriyovych"/"chefe" nas gravações. Kravchenko nega publicamente qualquer envolvimento e afirma não ter status processual no caso.

Por fim, os relatos sobre as buscas se contradizem: a maior parte da cobertura em ucraniano descreve resistência do escritório e a entrada forçada com escadas, enquanto uma das versões caracteriza a ação como rotineira, com apenas uma recusa inicial de acesso.

Contexto

A NABU e a SAPO foram criadas há mais de uma década, e sua independência foi restaurada por Zelensky após os protestos de 2025 e alertas do G7 sobre reformas que as enfraqueceriam. O status de candidato da Ucrânia à UE está condicionado a uma luta crível contra a corrupção. A preocupação pública com call centers fraudulentos foi levantada diretamente com Zelensky pela Ukrainska Pravda em 2023, e queixas de cidadãos da UE sobre golpistas ucranianos cresceram nos anos seguintes. Ruslan Kravchenko foi nomeado procurador-geral em junho de 2025. Na operação "Cartago", o codinome "Chanceler" foi atribuído ao principal suspeito, Serhiy Kropyva, e "Muza" à sua companheira, Yelyzaveta Ivakhnenko — ambos presos com fianças elevadas.