Ex-procurador-geral Kravchenko não retorna à Ucrânia após viagem e é desligado do Ministério Público
O ex-procurador-geral da Ucrânia Ruslan Kravchenko deixou o país em 13 de setembro em viagem de cinco dias a Paris, não retornou após o término oficial em 18 de setembro e, em 21 de setembro, pediu demissão dos órgãos do Ministério Público — aceita pelo procurador-geral interino Anton Kovalsky. Antes disso, em 14 de setembro, ele havia anunciado ter assinado suspeitas contra o diretor da NABU, Semen Kryvonos, e contra uma pessoa próxima ao chefe da SAPO, Oleksandr Klymenko. No mesmo dia, o presidente Volodymyr Zelensky o afastou do cargo com base na lei do regime martial, e em 15 de setembro a Verkhovna Rada confirmou sua demissão.
Pontos principais
- Viagem a Paris foi autoautorizada por Kravchenko em 13 de setembro, com duração de cinco dias; término oficial em 18 de setembro
- Kravchenko cruzou a fronteira na noite de 13 para 14 de setembro pelo posto de Shehyni
- Em 14 de setembro, Zelensky o afastou do cargo com base na Parte 2 do Artigo 11 da Lei do Regime Marcial; em 15 de setembro a Rada confirmou a demissão
- Em 14 de setembro, Kravchenko anunciou suspeitas contra o diretor da NABU, Semen Kryvonos, e contra pessoa próxima ao chefe da SAPO, Oleksandr Klymenko
- A OGP e Kryvonos negaram o recebimento das suspeitas; porta-voz da PACE disse que Kravchenko não constava na lista de participantes da audiência em Paris
- Em 21 de setembro, Kravchenko pediu desligamento dos órgãos do Ministério Público; o interino Anton Kovalsky assinou a exoneração
- Fontes da UP relatam que Kravchenko não cruzou a fronteira de volta à Ucrânia até 21 de setembro; localização exata não foi confirmada
Por que importa
O episódio expõe uma ruptura pública rara no Gabinete do Procurador-Geral, com o ex-chefe permanecendo no exterior enquanto a Presidência e órgãos anticorrupção avançavam contra ele. A assinatura de suspeitas contra os chefes da NABU e da SAPO às vésperas da queda levanta dúvidas sobre a independência dessas instituições. As gravações da operação "Carthage" associam Kravchenko, por dados biográficos, à figura de "Chefe", ex-líder do Serviço Tributário. A demissão ilustra ainda o uso, em tempos de guerra, de mecanismos excepcionais previstos na lei do regime martial.
O que aconteceu
Ruslan Kravchenko, procurador-geral desde junho de 2025, autoemitiu em 13 de setembro uma ordem de viagem de cinco dias a Paris, supostamente para participar de audiência da Rede Parlamentar da PACE sobre crianças ucranianas. Cruzou a fronteira na noite de 13 para 14 de setembro pelo posto de Shehyni. Na manhã de 14 de setembro, anunciou que havia assinado suspeitas contra o diretor da NABU, Semen Kryvonos —acusado de falsificação de documentos e adoção fictícia— e contra pessoa próxima ao chefe da SAPO, Oleksandr Klymenko. A PACE, a OGP e Kryvonos negaram o recebimento das notificações. No mesmo 14 de setembro, o presidente Volodymyr Zelensky emitiu decreto afastando Kravchenko do cargo com base na Parte 2 do Artigo 11 da Lei do Regime Marcial. Em 15 de setembro, a Verkhovna Rada apoiou a demissão e Zelensky assinou o decreto correspondente. Com o término oficial da viagem em 18 de setembro, Kravchenko não retornou à OGP. Em 21 de setembro, encaminhou pedido de desligamento dos órgãos do Ministério Público, formalizado pelo procurador-geral interino Anton Kovalsky. Até essa data, segundo fontes da UP, ele não havia cruzado a fronteira de volta.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre o veículo usado na saída do país: relatos iniciais da Ukrainska Pravda indicaram carro oficial; reportagens posteriores mencionaram um táxi premium Mercedes-Benz V-Class (pertencente à LLC "Andreoli"), embora a ordem de viagem especificasse veículo de serviço. Também há divergência sobre o uso de veículos da OGP: uma fonte do órgão afirmou à Ukrinform que carros da OGP não foram utilizados, enquanto a ordem e a cobertura inicial apontavam o contrário.
Contexto
Kravchenko chefiou o Serviço Tributário Estadual de dezembro de 2024 a junho de 2025, quando assumiu a Procuradoria-Geral. Em 4 de setembro, NABU e SAPO realizaram buscas em seus gabinetes, de sua vice Maria Vdovychenko e do chefe da administração de Odesa, Oleh Kiper. Em 5 de setembro, foi anunciada a operação "Carthage", apontando Serhiy Kropyva, vice-chefe do Departamento de Cooperação Jurídica Internacional da OGP, como suposto chefe de organização criminosa que "tutelava" centrais de atendimento fraudulentas; em 6 de setembro, o Tribunal Anticorrupção (HACC) determinou sua prisão preventiva com fiança alternativa de 120 milhões de hryvnias. Em 7 de setembro, Kravchenko apresentou pedido de renúncia ao cargo de procurador-geral. A esposa de Kravchenko havia saído da Ucrânia em 12 de setembro pela Moldávia, e o Centro Anticorrupção (TsPK) afirmou que a saída dele só foi possível com consentimento do presidente. Após a perda do cargo, Kravchenko manteve o status de procurador da OGP nos termos da Lei do Ministério Público. Anton Kovalsky foi nomeado procurador-geral interino.