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Operação Cartago: escritório do procurador-geral da Ucrânia alvo de escândalo de corrupção

A Operação Cartago, anunciada em 4 de setembro pela NABU e pela SAP, expôs uma organização criminosa liderada por Sergiy Kropyva, funcionário do Escritório do Procurador-Geral suspeito de 'proteger' centrais de atendimento fraudulentas e lavar dinheiro. Em 6 de setembro, o Tribunal Anticorrupção (VAKS) colocou Kropyva em prisão preventiva com fiança alternativa de 120 milhões de UAH. A acusação alega que ele atuava como 'pessoa de confiança' do procurador-geral Ruslan Kravchenko, organizando reformas, viagens e tarefas pessoais. Kravchenko nega qualquer envolvimento.

Pontos principais

  • NABU e SAP anunciaram a Operação Cartago em 4 de setembro; cinco pessoas foram notificadas como suspeitas, podendo pegar até 15 anos de prisão
  • Em 6 de setembro, o VAKS colocou Sergiy Kropyva em prisão preventiva com fiança alternativa de 120 milhões de UAH; o promotor havia pedido 200 milhões
  • A acusação diz que Kropyva coordenou a reforma da casa do procurador-geral Kravchenko em Kozyn e organizou a viagem de aniversário a Madri
  • Kropyva é suspeito de lavagem de mais de 89 milhões de UAH entre 2023 e 2026
  • Kravchenko nega envolvimento e ordenou auditorias internas; nomeou Kropyva em registros como 'Kantsler' (Chanceler)

Por que importa

O caso envolve o vice-chefe de um departamento do próprio órgão responsável por investigar esquemas de corrupção na Ucrânia. As acusações apontam laços diretos com o procurador-geral Ruslan Kravchenko, levantando dúvidas sobre a integridade da principal promotoria do país. É também o mais recente de uma série de operações de alto perfil da NABU/SAP contra instituições judiciais e promotorias, e já gerou um confronto institucional entre o OGP e os órgãos anticorrupção.

O que aconteceu

Em 4 de setembro, a NABU (Agência Nacional Anticorrupção) e a SAP (Promotoria Anticorrupção Especializada) anunciaram a Operação Cartago, desarticulando uma organização criminosa acusada de cobrar propinas sistemáticas de centrais de atendimento fraudulentas e de lavar os valores obtidos. Cinco pessoas foram notificadas como suspeitas nos termos dos artigos 255 (organização criminosa) e 209 (lavagem de dinheiro) do Código Penal da Ucrânia, com pena de até 15 anos. O primeiro preso foi Sergiy Kropyva, identificado nos materiais da NABU pelo codinome 'Chanceler' e que, segundo o Ministério Público, atuava como 'pessoa de confiança' do procurador-geral Ruslan Kravchenko. A promotoria apresentou gravações em que Kropyva coordenaria a reforma da casa de Kravchenko em Kozyn, a instalação de gerador a gás, sistema de vigilância e internet, além de ter organizado a viagem de aniversário do procurador-geral a Madri, com reservas em hotel de luxo e em uma opção mais barata para o relatório oficial. Também teria ajudado a obter visto americano para a esposa de Kravchenko. O valor suspeito de lavagem é de 89,9 milhões de UAH, dividido entre o período em que Kropyva atuou na Administração Regional de Odessa (agosto de 2023 a maio de 2025) e no OGP (agosto de 2025 a setembro de 2026). Em 6 de setembro, o Tribunal Anticorrupção (VAKS) determinou a prisão preventiva de Kropyva, com fiança de 120 milhões de UAH — abaixo dos 200 milhões pedidos pela acusação. Como medidas alternativas, ele deve entregar passaportes, não se comunicar com Kravchenko, com sua vice Maria Vdovychenko e outros envolvidos, e comparecer a todas as convocações. Outros suspeitos também foram detidos: o motorista de Kropyva, Sergiy Kutsyi (60 dias de prisão, fiança de 3 milhões de UAH), e Yelyzaveta Ivakhnenko, companheira de Kropyva, cuja audiência foi adiada para 7 de setembro. Durante a audiência de Kropyva, foram litas gravações de conversas com o procurador-geral, nas quais ele é tratado por 'Andriyovych', mesmo patronímico de Kravchenko. O procurador-geral Ruslan Kravchenko publicou nota em 6 de setembro negando qualquer envolvimento no esquema, afirmando que não deu instruções para facilitar centrais fraudulentas e que todas as despesas foram cobertas com renda declarada. Determinou auditoria no Departamento de Cooperação Internacional e na unidade de combate ao cibercrime do OGP, além de testes de polígrafo para os funcionários envolvidos. Rejeitou denúncias de que teria 'desaparecido' por mais de 12 horas após as buscas — a imprensa citou a clínica Dobrobut em Kiev como local onde teria estado. Também negou que o cofre mostrado em fotos divulgadas pela NABU esteja no OGP, e que sua esposa tenha recebido um novo laptop.

Onde as versões divergem

Há divergências sobre a função exata de Kropyva no OGP: algumas fontes o descrevem como chefe do departamento de crimes cibernéticos, outras como vice-chefe do Departamento de Cooperação Internacional. Fontes divergem também sobre a data de aniversário do procurador-geral Kravchenko (4 ou 14 de março) e sobre o tamanho da casa em Kozyn (cerca de 300 m² segundo Bihus.Info, 280 m² segundo Kravchenko). A porta-voz do OGP, Mariana Haiovska, negou inicialmente que tivessem ocorrido buscas na casa ou no gabinete de Kravchenko em 4 de setembro; no dia seguinte, o OGP reconheceu buscas noturnas em dependências usadas pelo procurador-geral, seu primeiro-adjunto e outros funcionários. Jornais como a Ukrainska Pravda também relataram buscas na vice-procuradora Maria Vdovychenko e no chefe da administração militar de Odessa, Oleh Kiper — o que o OGP não confirmou. Reportagens chegaram a afirmar que Kravchenko ficou 'desaparecido' por mais de 12 horas, com fontes dizendo que estaria na clínica Dobrobut em Kiev; ele chamou essas informações de inverídicas. Por fim, a acusação afirma que Kropyva comprou um laptop para a esposa de Kravchenko, o que ele nega.

Contexto

A Operação Cartago foi anunciada em 4 de setembro pela NABU e pela SAP, com cinco suspeitos notificados nos artigos 255 e 209 do Código Penal, com pena de até 15 anos. Kropyva trabalha na promotoria desde agosto de 2025 e figura nos materiais da NABU com o codinome 'Chanceler'. A promotoria diz que o grupo foi criado em meados de 2025 e envolveu promotores em atividade e pessoas próximas não oficiais; os participantes teriam adquirido mais de 20 milhões de UAH em imóveis e outros bens, com outros 10 milhões possivelmente em contas de parentes. De dezembro de 2024 a junho de 2025, Ruslan Kravchenko chefiou o Serviço Fiscal do Estado antes de ser nomeado procurador-geral; Lesya Karnaukh atua como chefe interina do órgão desde então. Jornalistas do Bihus.Info identificaram uma casa de cerca de 300 m² em Kozyn (região de Kiev), supostamente usada por Kravchenko, registrada no início de 2026 em nome de uma mulher de 73 anos não listada entre seus parentes; Kravchenko afirma que sua família aluga uma casa de 280 m² em Kozyn e se mudou em 1º de maio de 2026.