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EUA planejam reunião trilateral em Abu Dhabi para discutir cessar-fogo limitado entre Ucrânia e Rússia

Os Estados Unidos pretendem organizar em outubro, em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, uma reunião entre representantes da Ucrânia e da Rússia para discutir um cessar-fogo limitado. Entre os pontos possíveis estão a mútua renúncia a ataques contra instalações energéticas e um acordo paralelo, mediado pelo Egito, sobre navios de carga no Mar Negro que transportam grãos. A informação foi publicada pela The Atlantic, citando negociadores ucranianos.

Pontos principais

  • EUA planejam reunião em outubro entre Ucrânia e Rússia, provavelmente em Abu Dhabi, para discutir cessar-fogo limitado.
  • The Atlantic reportou o plano citando negociadores ucranianos; o Escritório do Presidente da Ucrânia não confirmou a reunião prevista para 24 de setembro.
  • Uma das possíveis medidas é a recíproca suspensão de ataques a infraestrutura energética, como usinas e refinarias.
  • Um acordo separado, mediado pelo Egito, pode tratar da suspensão de ataques a navios de carga no Mar Negro que transportam grãos.
  • EUA buscam também organizar o mais rápido possível uma reunião entre Donald Trump, Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin.
  • O enviado especial John Cole propôs esquema em que a Rússia libertaria prisioneiros políticos em troca de relaxamento de sanções dos EUA; a Ucrânia se opõe ao afrouxamento de sanções antes do fim da guerra.

Por que importa

A reunião de Abu Dhabi seria o primeiro formato trilateral EUA-Ucrânia-Rússia dedicado especificamente a um cessar-fogo parcial. Ataques a infraestrutura energética têm sido um dos principais fatores de sofrimento humanitário na Ucrânia, de modo que um acordo de contenção mútua teria consequências civis diretas. Paralelamente, a possível troca de prisioneiros políticos russos por relaxamento de sanções norte-americanas enfrenta a oposição da Ucrânia, que teme que isso dê a Moscou mais recursos para prosseguir a guerra.

O que aconteceu

Os Estados Unidos planejam organizar em outubro, em Abu Dhabi, uma reunião entre representantes da Ucrânia e da Rússia para discutir um cessar-fogo limitado. A informação foi divulgada pela The Atlantic com base em negociadores ucranianos. Entre os possíveis acordos está a renúncia mútua a ataques contra infraestrutura energética — incluindo usinas e refinarias — e um arranjo separado, com mediação do Egito, sobre a suspensão de ataques a navios de carga no Mar Negro que transportam grãos para mercados do Oriente Médio e da África. Washington também busca viabilizar o mais rápido possível um encontro entre Donald Trump, Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin, e convidou Putin para a cúpula do G20 marcada para dezembro em Miami — convite ainda não aceito por Putin. O enviado especial John Cole propôs um esquema em que a Rússia libertaria prisioneiros políticos em troca do relaxamento de sanções norte-americanas, modelo inspirado em negociação anterior com Belarus. A Ucrânia rejeita qualquer afrouxamento de sanções antes do fim da guerra.

O que dizem as fontes internacionais

A única reportagem em inglês disponível, publicada por uma agência do Azerbaijão, reproduz a linha da The Atlantic e centra o papel dos EUA — com Witkoff, Kushner, Cole e Trump — como motor do processo, dando menos destaque às preocupações ucranianas sobre o relaxamento de sanções.

Onde as versões divergem

Em 14 de setembro, Donald Trump afirmou que Ucrânia e Rússia já tinham concordado em não atacar instalações energéticas uma da outra; Volodymyr Zelensky descreveu a posição ucraniana como uma proposta condicional, dependente de os parceiros garantirem que a Rússia também pare de atacar, e o Escritório do Presidente da Ucrânia não confirmou uma reunião sobre o tema prevista para 24 de setembro. A The Atlantic também descreve o impulso norte-americano por uma abordagem faseada que inclui afrouxamento de sanções em troca da libertação de prisioneiros políticos russos e possíveis negócios comerciais EUA-Rússia; negociadores ucranianos ouvidos na mesma reportagem se opõem a qualquer alívio de sanções antes do fim da guerra e alertam que a retomada do comércio ocidental com a Rússia daria a Moscou mais recursos para continuar o conflito.

Contexto

A estratégia dos EUA prevê uma redução gradual das hostilidades, começando por acordos limitados sobre categorias específicas de ataques antes de um cessar-fogo mais amplo. O enviado especial John Cole já aplicou um modelo semelhante de libertação de prisioneiros por alívio de sanções com Belarus, obtendo cerca de 500 libertações em troca do início de um acordo para compra de potássio bielorrusso. Em 14 de setembro, Donald Trump declarou publicamente que Ucrânia e Rússia tinham concordado em não atacar infraestruturas energéticas uma da outra; Zelensky enquadrou isso como uma proposta condicional ucraniana, não um acordo fechado. Em 24 de setembro, o ZN.UA noticiou uma possível reunião trilateral sobre cessar-fogo energético nesse mesmo dia, mas o Escritório do Presidente da Ucrânia não confirmou. Fontes do governo ucraniano não esperam que Vladimir Putin entre em negociações de paz sérias antes da primavera, e a Rússia estaria acumulando mísseis para ataques durante o inverno.