Ucrânia quase esgota reserva de locomotivas após ataques russos e busca reposição na Europa
O ministro da Política Agrária da Ucrânia, Taras Vysotsky, afirmou que o país quase esgotou sua reserva de locomotivas devido aos ataques russos contra a infraestrutura ferroviária. A Ucrânia negocia com parceiros europeus que utilizam a mesma bitola para obter locomotivas adicionais. Especialistas e autoridades do setor logístico alertam que a escassez já se tornou um dos pontos fracos do transporte ucraniano.
Pontos principais
- Ucrânia quase esgotou sua reserva de locomotivas após ataques russos, segundo o ministro Taras Vysotsky.
- Mais de 500 locomotivas foram danificadas ou destruídas desde fevereiro de 2022; 310 somente em 2026.
- Ucrânia negocia com parceiros europeus de bitola compatível o fornecimento de locomotivas adicionais.
- Estimativa do governo aponta perda de ao menos US$ 8 bilhões em exportações entre junho de 2026 e junho de 2027 caso os portos permaneçam fechados.
- Em 2026, autoridades ucranianas registraram 198 ataques a infraestruturas portuárias, incluindo 95 contra embarcações.
- Portos da Grande Odesa respondiam por cerca de 80% das exportações agrícolas ucranianas antes da nova onda de ataques.
Por que importa
A escassez de locomotivas limita diretamente as rotas alternativas — ferroviária e pelo Danúbio — das quais a Ucrânia depende enquanto os portos do Mar Negro estão sob ataque. O fato de 2026 ter registrado 310 locomotivas danificadas, mais do que em todo o período de fevereiro de 2022 ao fim de 2025, indica uma campanha acelerada contra a logística ferroviária. Sem capacidade portuária ou ferroviária plena, a Ucrânia enfrenta um déficit estimado em US$ 8 bilhões nas exportações entre meados de 2026 e meados de 2027.
O que aconteceu
O ministro da Política Agrária, Taras Vysotsky, declarou que a Ucrânia quase esgotou sua reserva de locomotivas em consequência dos ataques russos contra a infraestrutura ferroviária. O país mantém negociações com parceiros europeus que utilizam a mesma bitola para obter locomotivas adicionais. Desde o início da invasão em grande escala, mais de 500 locomotivas foram danificadas ou destruídas, sendo 310 somente em 2026, número superior ao total perdido de fevereiro de 2022 ao fim de 2025.
O executivo do porto privado TIS em Pivdennyi, Mykyta Hrubov, informou que três locomotivas foram perdidas apenas na área do porto e que a escassez já se tornou um dos pontos vulneráveis da logística ucraniana. A Rússia intensificou recentemente os ataques contra trens que transportam dois produtos-chave da exportação ucraniana: grãos e minério de ferro. Em 20 de setembro de 2026, forças russas atingiram com drones uma instalação ferroviária no oblast de Vinnytsia; em 17 de setembro, danificaram uma estação de trens suburbanos em Kiev e destruíram a estação ferroviária de Berestyn, no oblast de Kharkiv.
Vysotsky estimou que, caso os portos permaneçam fechados, a Ucrânia poderá perder ao menos US$ 8 bilhões entre junho de 2026 e junho de 2027 — valor equivalente a cerca de 20% da receita total de exportações do ano anterior. A estimativa do governo prevê ainda que, sem a retomada das operações portuárias, o país exportará apenas metade dos 64 milhões de toneladas de produtos agrícolas previstos para 2026.
O que dizem as fontes internacionais
A reportagem originada pelo Financial Times, conforme reproduzida pelas fontes, centra a narrativa no quase esgotamento das reservas de locomotivas e nas negociações com parceiros europeus de bitola compatível. A cobertura internacional contextualiza os números de danos — 310 locomotivas avariadas em 2026 e mais de 500 desde fevereiro de 2022 — e o cálculo de perda de exportações de US$ 8 bilhões, equivalente a cerca de 20% da receita de exportações ucranianas do ano anterior. O ângulo aponta a intensificação dos ataques russos como uma pressão deliberada sobre a logística que sustenta as exportações agrícolas do país.
Contexto
Antes da nova onda de ataques, os portos da Grande Odesa respondiam por cerca de 80% das exportações agrícolas ucranianas. Em 2026, as autoridades registraram 198 ataques a infraestruturas portuárias, dos quais 95 contra embarcações nos portos e 69 no corredor marítimo. Em agosto, após a redução do tráfego marítimo em razão dos ataques russos, cerca de 600 mil toneladas de produtos agrícolas foram transportadas por ferrovia e volume semelhante pelo Danúbio. O Conselho Agrário Pan-Ucraniano (VAR) encaminhou ao primeiro-ministro da Ucrânia um pedido de medidas anticrise urgentes diante da interrupção das atracações de embarcações nos portos ucranianos do Mar Negro.