Drones atingem dois navios mercantes na zona econômica exclusiva da Bulgária no Mar Negro
Em 6 de outubro, drones atacaram dois navios comerciais na zona econômica exclusiva da Bulgária no Mar Negro. O graneleiro ALFA WATAN (bandeira de Togo) afundou após danos estruturais críticos a leste da costa búlgara, e a tripulação foi considerada desaparecida — o Ministério do Interior da Romênia reportou duas mortes e 11 resgatados. O ABLE (bandeira de Palau) incendiou-se; todos os 18 tripulantes foram evacuados para a balsa búlgara DIOSCURIA. Foi o primeiro ataque com drones a embarcações na zona econômica exclusiva búlgara, ocorrido um dia depois de um incidente semelhante com o Royad Mammadov na costa romena.
Pontos principais
- Em 6 de outubro, drones atacaram o ALFA WATAN (bandeira de Togo) e o ABLE (bandeira de Palau) na zona econômica exclusiva da Bulgária no Mar Negro
- O ALFA WATAN sofreu danos estruturais críticos e afundou a leste da costa búlgara; sua tripulação foi declarada desaparecida após buscas encontrarem apenas um bote e três balsas virados
- O ABLE incendiou-se após o ataque; todos os 18 tripulantes — 11 turcos e 7 indianos — foram evacuados para a balsa DIOSCURIA, com dois feridos recebendo primeiros socorros
- O ataque combinou drones marítimos e aéreos e foi o primeiro do tipo na zona econômica exclusiva da Bulgária
- Um dia antes, em 5 de outubro, o Royad Mammadov foi atingido por drones na costa da Romênia enquanto transportava grãos da Ucrânia para a Itália; duas mortes e 11 resgatados
- Zelensky afirmou que as Forças de Defesa da Ucrânia não operaram na região e atribuiu o ataque à Rússia; o premiê búlgaro Radev disse não haver motivos para invocar os artigos 4 e 5 da OTAN
Por que importa
É o primeiro ataque com drones conhecido a embarcações comerciais dentro da zona econômica exclusiva de um membro da OTAN (a Bulgária), expandindo o conflito do Mar Negro para além da zona imediata de guerra. Um navio afundou com a tripulação desaparecida e outro precisou ser evacuado com feridos, evidenciando danos civis diretos a embarcações de bandeira internacional. A ocorrência aconteceu um dia depois de um ataque semelhante ao Royad Mammadov na costa romena, indicando um possível padrão de ataques ao transporte mercantil perto de Estados da OTAN. A resposta política foi ampla: o premiê búlgaro avaliou não haver motivos para invocar os artigos 4 e 5 da OTAN, enquanto a Comissão Europeia, a chefe da diplomacia da UE, o chanceler ucraniano e a diplomacia turca se manifestaram, elevando os riscos políticos para a navegação civil, as exportações de grãos e a segurança alimentar.
O que aconteceu
Em 6 de outubro de 2026, drones atacaram duas embarcações mercantes na zona econômica exclusiva da Bulgária no Mar Negro, a cerca de 130 km a leste do Cabo Sveti Atanas, perto da cidade de Byala. Um dos navios, o graneleiro ALFA WATAN (bandeira de Togo, em viagem do Egito para a Romênia), sofreu danos estruturais críticos e afundou; sua tripulação foi inicialmente considerada desaparecida — balsa búlgara e equipes de resgate encontraram apenas um bote virado, três balsas viradas e coletes salva-vidas no local, e a operação de busca e salvamento foi encerrada no mesmo dia, sem sobreviventes localizados. O Ministério do Interior da Romênia, contudo, registrou duas mortes e 11 resgatados do ALFA WATAN.
O segundo navio, o graneleiro ABLE (bandeira de Palau, em viagem da Romênia para Istambul, com carga de trigo), incendiou-se após o ataque. Todos os 18 tripulantes — 11 turcos e 7 indianos — foram evacuados para a balsa búlgara DIOSCURIA; dois ficaram feridos e receberam primeiros socorros a bordo antes de serem transferidos para o porto de Varna e instalações médicas no litoral.
De acordo com o premiê Rumen Radev, o ataque combinou drones marítimos e aéreos; ele o classificou como violação grave do direito internacional e disse não haver, por ora, motivos para invocar os artigos 4 e 5 do Tratado da OTAN. O ministro da Defesa, Dimitar Stoyanov, afirmou que ainda não era possível confirmar se os drones eram ucranianos ou russos, mas descreveu o ataque como deliberado e inserido em uma "guerra híbrida". O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que a Ucrânia não operou na região e atribuiu o ataque à Rússia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenou o ataque e expressou solidariedade aos países-membros afetados.
O que dizem as fontes ucranianas
As fontes ucranianas centram-se nas declarações do presidente Volodymyr Zelensky, que afirmou que as Forças de Defesa da Ucrânia não operaram na área e apontou a Rússia como autora do ataque, combinando drones marítimos e aéreos. Zelensky enquadrou o episódio como parte de uma escalada deliberada da Rússia para tornar a parte ocidental do Mar Negro imprópria para a navegação. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiha, pediu o fortalecimento da Ucrânia e a limitação da capacidade de agressão da Rússia, alertando para riscos a marinheiros, custos comerciais e incerteza sobre o fornecimento global de alimentos. Andriy Klymenko, do Instituto de Estudos Estratégicos do Mar Negro, destacou que todas as três embarcações (ALFA WATAN, ABLE e Royad Mammadov) pertencem a empresas turcas, qualificando o padrão como a Rússia "caçando" embarcações comerciais de proprietários turcos a partir de 5 de outubro.
O que dizem as fontes internacionais
As fontes búlgaras oficiais (premiê Rumen Radev — referido em algumas matérias como Rosen Zhelyazkov — e ministro da Defesa Dimitar Stoyanov) afirmaram que ainda não era possível confirmar se os drones eram russos ou ucranianos, descrevendo o contexto como "guerra híbrida" e o incidente como violação grave do direito internacional, sem atribuir responsabilidade. Radev acrescentou que não há, por enquanto, motivos para invocar os artigos 4 e 5 da OTAN, enquadrando a zona do ataque como área com "status especial" (águas neutras). A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o alto representante da UE para a política externa manifestaram preocupação e condenaram os ataques a embarcações civis, expressando solidariedade aos Estados-membros afetados, mas ressalvando que as circunstâncias exatas seguem sendo apuradas. Uma fonte da Reuters na área de segurança marítima deu avaliação preliminar de que o ataque provavelmente foi conduzido pela Rússia.
Onde as versões divergem
Persistem divergências em três pontos. Sobre a autoria: o premiê búlgaro Radev e o ministro da Defesa Stoyanov disseram que ainda não se sabia se os drones eram russos ou ucranianos; Zelensky afirmou que foi um ataque russo combinado; uma fonte da Reuters em segurança marítima apontou preliminarmente a Rússia como provável responsável. Sobre as baixas no ALFA WATAN: a maior parte da cobertura tratou a tripulação como desaparecida após buscas sem encontrar sobreviventes, mas o Ministério do Interior da Romênia reportou duas mortes e 11 resgatados. Sobre a carga do Royad Mammadov: a mesma cobertura descreveu o navio como transportando grãos da Ucrânia para a Itália, enquanto Zelensky foi citado afirmando que transportava milho e foi atingido por dois drones russos.
Contexto
Ambos os navios atacados pertencem a empresas turcas, segundo o Instituto de Estudos Estratégicos do Mar Negro: ALFA WATAN e Royad Mammadov estão ligados à Spring Marine Denizcilik, com sede em Istambul, e o ABLE pertence à Ocean Eagle Shipping & Trading. Conforme dados do Marine Traffic, o ALFA WATAN seguia do Egito para a Romênia e o ABLE ia da Romênia para Istambul com carga de trigo. O dia antes do incidente na Bulgária, em 5 de outubro, o Royad Mammadov foi atingido por drones na costa romena enquanto transportava grãos da Ucrânia para a Itália; o Ministério do Interior da Romênia reportou duas mortes e 11 resgatados. O premiê búlgaro convocou reunião emergencial com os ministérios da Defesa, Interior, Transportes, Meio Ambiente e Recursos Hídricos, além da administração presidencial e serviços de segurança; a presidente Iliana Iotova cancelou visita a Veliko Tarnovo em razão do ataque. A balsa DIOSCURIA, uma embarcação rápida da Marinha búlgara, um barco de patrulha fronteiriça e ativos romenos (embarcações da guarda costeira e um helicóptero) participaram da operação de busca e salvamento — encerrada na noite de 6 de outubro sem sobreviventes do ALFA WATAN. No plano diplomático, Turquia e ONU trabalhavam para organizar novas conversas entre Rússia e Ucrânia sobre um cessar-fogo no Mar Negro para proteger o fornecimento de grãos; o presidente Vladimir Putin já havia descartado acordo para interromper os ataques; e a Comissão Europeia condenou os ataques, expressando solidariedade aos Estados-membros afetados.