Sete senadores dos EUA pedem que Trump revogue decisão sobre diesel russo
Sete senadores dos EUA, de ambos os partidos, divulgaram comunicado conjunto neste domingo (11 de outubro) pedindo que o presidente Donald Trump revogue a decisão de permitir a importação de diesel russo, que classificam como uma violação da lei de 2022 que proibiu a importação de recursos energéticos da Rússia. A decisão foi tomada após Trump anunciar, em 9 de outubro, um acordo por telefone com Vladimir Putin para o fornecimento de diesel russo aos mercados americano e mundial, e o Departamento do Tesouro emitiu licença geral temporária autorizando a importação até 7 de abril de 2027.
Pontos principais
- Sete senadores dos dois partidos divulgaram comunicado conjunto em 11 de outubro exigindo a reversão imediata da decisão
- O grupo é formado por Jeanne Shaheen, Susan Collins, Richard Blumenthal, Lisa Murkowski, Ron Wyden, Thom Tillis e John Curtis
- Os senadores afirmam que a decisão contradiz a lei de 2022 que proibiu a importação de recursos energéticos russos
- A administração não consultou o Congresso e não apresentou a justificativa legal exigida, segundo o comunicado
- Em 9 de outubro, Trump anunciou acordo com Putin para fornecimento de diesel russo aos mercados americano e mundial
- O Departamento do Tesouro emitiu licença geral permitindo importação de diesel russo até 7 de abril de 2027
- O deputado Brian Fitzpatrick apresentou o projeto bipartidário 'Ronald Reagan Peace Through Strength Act' para impedir o levantamento de sanções
Por que importa
Um grupo bipartidário de senadores está acusando publicamente o presidente de violar uma lei de 2022 e de ignorar o Congresso em uma decisão que canaliza dinheiro para a Rússia durante sua guerra contra a Ucrânia. O acordo Trump-Putin, somado à licença geral do Tesouro americano que permite a importação de diesel russo até abril de 2027, representa uma flexibilização significativa das sanções energéticas impostas a Moscou. Zelensky e a equipe negociadora ucraniana em Miami afirmaram não terem sido consultados e descreveram o momento do anúncio como uma manobra de cobertura. Membros de ambos os partidos no Congresso se mobilizam para bloquear a medida, com um grupo democrata classificando-a como 'fracasso' e 'traição total', e um deputado republicano apresentando o projeto 'Ronald Reagan Peace Through Strength Act' para impedir o levantamento de sanções.
O que aconteceu
Em 11 de outubro, sete senadores dos partidos Republicano e Democrata divulgaram comunicado conjunto pedindo ao presidente Donald Trump a reversão imediata de sua decisão de permitir a importação de diesel russo. O grupo, formado por Jeanne Shaheen, Susan Collins, Richard Blumenthal, Lisa Murkowski, Ron Wyden, Thom Tillis e John Curtis, argumenta que a medida contradiz diretamente a lei aprovada pelo Congresso em 2022 que proibiu a importação de recursos energéticos russos para impedir o financiamento da guerra do Kremlin contra a Ucrânia. Segundo os senadores, a administração não consultou o Congresso nem apresentou a justificativa legal exigida. Eles também afirmaram que os Estados Unidos não devem dar a Putin um 'salva-vidas financeiro' enquanto a Rússia continuar matando civis ucranianos. O comunicado foi divulgado no site da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA.
A decisão de Trump decorre de anúncio feito em 9 de outubro, quando o presidente afirmou ter conversado por telefone com Vladimir Putin e chegado a um acordo para o fornecimento de diesel russo aos mercados americano e mundial. No mesmo dia, o Departamento do Tesouro dos EUA emitiu, por orientação de Trump, uma licença geral temporária do Office of Foreign Assets Control (OFAC) permitindo operações relacionadas à venda, fornecimento, descarregamento e importação de diesel de origem russa até 7 de abril de 2027. A medida foi classificada pelo Institute for the Study of War (ISW) como 'concessão unilateral ao Kremlin'.
A reação no Congresso foi imediata. Em 10 de outubro, três senadores democratas — Jeanne Shaheen, Chuck Schumer e Elizabeth Warren — já haviam condenado a decisão, chamando-a de 'fracasso' e 'completa traição à Ucrânia, aos aliados europeus e à segurança nacional dos EUA'. No dia seguinte, o deputado republicano Brian Fitzpatrick anunciou a apresentação de projeto bipartidário batizado de 'Ronald Reagan Peace Through Strength Act', com o objetivo declarado de impedir que Trump levante sanções contra Moscou.
O que dizem as fontes internacionais
As fontes disponíveis são todas veículos ucranianos traduzindo a disputa política interna dos EUA, de modo que não há uma moldura internacional distinta além do que esses veículos retransmitem sobre os senadores americanos, as ações do Tesouro dos EUA e as reações citadas de autoridades europeias. Entre as reações europeias registradas estão as do chanceler alemão Friedrich Merz e do primeiro-ministro sueco Ulf Kristersson, que defenderam que a Rússia não deve receber receita adicional para continuar a guerra. A chefe da política externa da UE, Kaja Kallas, afirmou que suspender sanções dá a Moscou receita adicional para a guerra e que 'não é o momento de reduzir a pressão sobre a Rússia'. A UE também declarou, de forma geral, que não é hora de aliviar a pressão sobre Moscou. Em 12 de outubro, os ministros das Relações Exteriores da UE deveriam analisar o maior pacote de sanções contra a Rússia desde o início da guerra.
Onde as versões divergem
As fontes divergem sobre a quantidade de diesel coberta pelo acordo Trump-Putin: uma versão menciona um total fixo de quase 5 milhões de toneladas, enquanto outra apresenta um cronograma escalonado (mais de 300 mil toneladas imediatamente, outras 500 mil toneladas em novembro, 1 milhão de toneladas em seguida, com a Rússia prometendo depois mais 3 milhões de toneladas adicionais).
Contexto
Em 2022, o Congresso dos EUA aprovou legislação proibindo a importação de recursos energéticos russos para cortar o financiamento da guerra da Rússia contra a Ucrânia; essa lei é o parâmetro que os senadores citam como violado pela decisão sobre o diesel. Em 9 de outubro, o presidente Trump anunciou por telefone a Vladimir Putin um acordo para o fornecimento de diesel russo aos mercados americano e mundial, e o Departamento do Tesouro emitiu, por orientação de Trump, uma licença geral permitindo essas importações até 7 de abril de 2027. Paralelamente, uma delegação ucraniana (incluindo David Arakhamia, Rustem Umerov, Kyrylo Budanov e Serhiy Kyslytsia) negociava com os funcionários americanos Steve Witkoff e Jared Kushner em Miami, com a participação de diplomatas europeus; essas conversas foram interrompidas antes do previsto após o anúncio sobre o diesel.