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Sanções falham: armas russas usadas contra a Ucrânia ainda trazem componentes ocidentais e asiáticos recentes

O comissário presidencial da Ucrânia para política de sanções, Vladyslav Vlasyuk, afirmou que drones, mísseis e outras armas russas empregadas contra o país continuam a conter grande quantidade de componentes estrangeiros recém-fabricados por fornecedores ocidentais e asiáticos. As análises de um drone Geran-4 abatido em agosto e de um míssil Iskander-M recuperado em julho revelaram peças de 2025 e 2026, com fabricantes dos EUA, Europa e Ásia identificados.

Pontos principais

  • Vladyslav Vlasyuk, comissário presidencial para política de sanções, relatou a presença de componentes estrangeiros em armas russas.
  • No drone Geran-4 abatido em 12 de agosto de 2026 na região de Kiev foram identificados 96 componentes estrangeiros.
  • Os componentes do Geran-4 vieram dos EUA, China, Taiwan, Alemanha, Suíça e Canadá; sete peças são de 2026 e três de 2025.
  • No míssil Iskander-M recuperado em julho de 2026 na região de Kiev foram identificados 147 componentes estrangeiros.
  • Os componentes do Iskander-M vieram dos EUA, Bielorrússia, Suíça, Alemanha, China e Japão; ao menos 21 peças são de 2025 e há itens de 2026.
  • Em uma amostra mais nova do computador de bordo Zarya-61 de um míssil Kinzhal abatido em maio de 2026, processadores americanos Texas Instruments voltaram a ser usados após tentativa russa de substituí-los.
  • A Diretoria Principal de Inteligência do Ministério da Defesa da Ucrânia publicou dados sobre 155 empresas do holding Roselektronika que produzem componentes para armas russas.

Por que importa

As conclusões indicam que sanções ocidentais não estão interrompendo o fluxo de eletrônicos para a indústria de defesa russa, já que peças com datas de fabricação de 2025 e 2026 continuam aparecendo em drones e mísseis empregados na guerra contra a Ucrânia. A identificação nominal de fabricantes e países de origem abre caminho para sanções e controles de exportação mais direcionados. Os dados também enfraquecem afirmações anteriores de substituição de importações pela Rússia, em particular a tentativa de substituir processadores americanos Texas Instruments nos mísseis Kinzhal.

O que aconteceu

O comissário presidencial da Ucrânia para política de sanções, Vladyslav Vlasyuk, apresentou à LIGA.net o resultado de análises de armas russas abatidas. No drone Geran-4 derrubado em 12 de agosto de 2026 na região de Kiev foram identificados 96 componentes estrangeiros, provenientes dos EUA, China, Taiwan, Alemanha, Suíça e Canadá, entre fabricantes Texas Instruments, Amphenol, Diodes Incorporated, Kyocera AVX, Kemet, ON Semiconductor e Vishay Intertechnology; sete dessas peças são de 2026 e três de 2025. Em um míssil Iskander-M recuperado no início de julho na região de Kiev, os analistas identificaram 147 componentes estrangeiros — dos EUA, Bielorrússia, Suíça, Alemanha, China e Japão — fabricados por Texas Instruments, Analog Devices, Maxim Integrated, Cypress, STMicroelectronics, Macronix, Integrated Silicon Solution e MaxLinear, com ao menos 21 peças de 2025 e algumas de 2026. O míssil também continha 36 componentes russos e 11 bielorrussos. Em um Kinzhal abatido em maio de 2026, uma amostra nova do computador de bordo Zarya-61 mostrou que processadores americanos Texas Instruments voltaram a ser usados, após uma tentativa anterior, em 2023, de substituí-los por microcircuitos russos; uma placa montada em maio de 2025 reunia componentes de 2021 a 2024, incluindo um processador DSP da Texas Instruments e memórias da IDT, hoje pertencente à japonesa Renesas, enquanto outra placa trazia um processador Texas Instruments com marcação de 1986 e microcircuitos AMD fabricados em 1996.

Contexto

O Geran-4 é um drone russo empregado em ataques contra a Ucrânia; o Iskander-M é um sistema de míssil balístico de curto alcance, e o Kinzhal é um míssil balístico lançado do ar. A Rússia havia tentado anteriormente substituir certos processadores americanos no computador de bordo Zarya-61 por microcircuitos de produção própria. A Diretoria Principal de Inteligência da Ucrânia já acompanhou holdings da indústria de defesa russa, como a Roselektronika.