Chefe da diplomacia da Ucrânia critica recusa da Hungria de aderir ao formato 'Carpathian Eight'
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiha, respondeu no X às declarações do primeiro-ministro húngaro Péter Magyar, classificando-as como "injustamente confrontativas". Magyar anunciou que a Hungria não aderirá ao formato 'Carpathian Eight', iniciativa liderada por Kiev para cooperação entre países da região dos Cárpatos, e que não permitirá a construção de depósitos de combustíveis para a Ucrânia em território húngaro. Sybiha comparou as posições de Magyar às políticas de Viktor Orbán e afirmou que a Ucrânia continua aberta à cooperação bilateral pragmática.
Pontos principais
- Sybiha classificou as declarações de Magyar como 'injustamente confrontativas'
- Magyar anunciou no parlamento húngaro que a Hungria não participará do formato 'Carpathian Eight'
- Sybiha comparou as decisões de Magyar às políticas de obstrução e isolacionismo de Viktor Orbán
- Magyar afirmou que seu governo não permitirá construção de depósitos de petróleo em território húngaro para a Ucrânia
- Sybiha disse que as declarações sobre depósitos ameaçam a cooperação prevista em memorando entre Naftogaz e MOL
- Magyar e a chanceler Anita Orbán responderam Sybiha no X, rejeitando a comparação com a era Orbán
Por que importa
O episódio marca uma escalada pública entre Kiev e Budapeste em torno de uma iniciativa regional liderada pela Ucrânia, com implicações para a viabilidade e a inclusividade do formato 'Carpathian Eight'. A divergência extrapola a cooperação regional e ameaça um projeto bilateral concreto de armazenamento de combustíveis entre a Naftogaz e a MOL. Ao comparar Magyar a Viktor Orbán, Sybiha sinaliza como a Ucrânia interpreta a suposta continuidade — ou ruptura — em Budapest.
O que aconteceu
Em 21 de setembro, o primeiro-ministro húngaro Péter Magyar anunciou no parlamento que a Hungria não participaria do formato 'Carpathian Eight', lançado pela Ucrânia para fortalecer a cooperação entre países da região dos Cárpatos, e que seu governo não permitiria a construção de depósitos de petróleo em território húngaro para a Ucrânia. No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiha, respondeu no X classificando as declarações como "injustamente confrontativas" e comparáveis às políticas de obstrução e isolacionismo do ex-primeiro-ministro Viktor Orbán. Sybiha afirmou que os motivos da recusa categórica da Hungria permanecem desconhecidos e que o posicionamento de Magyar põe em dúvida a cooperação direta e mutuamente benéfica entre empresas de energia ucranianas e húngaras prevista em memorando bilateral. Em 22 de setembro, Magyar e a ministra das Relações Exteriores da Hungria, Anita Orbán, também responderam no X, rejeitando a comparação com a era Orbán e alegando que a inclusão da Hungria no formato ocorreu sem consultas prévias nem consentimento.
O que dizem as fontes ucranianas
As seis fontes fornecidas são mídias e agências de língua ucraniana e contam a história a partir das reações de Sybiha no X. A cobertura enfatiza a resposta diplomática do chanceler, enquadrando a recusa húngara como confrontativa, inexplicável e como uma continuação da obstrução e do isolacionismo da era Orbán. As matérias ucranianas destacam o memorando bilateral de energia entre Naftogaz e MOL como um ponto concreto ameaçado pelas declarações de Magyar. A narrativa posiciona Kiev como a parte construtiva, destacando a abertura da Ucrânia a uma cooperação bilateral pragmática e mutuamente respeitosa.
Onde as versões divergem
Sybiha caracteriza as declarações de Magyar como "injustamente confrontativas" e equiparáveis à obstrução da era Orbán; Magyar e a chanceler Anita Orbán rejeitam essa analogia, com Anita Orbán afirmando que o novo governo fez gestos de boa vontade em relação à Ucrânia e que não há comparação com a política de Viktor Orbán. Além disso, Sybiha afirma que os motivos da recusa categórica da Hungria permanecem desconhecidos pela Ucrânia; já Magyar declarou publicamente no X que listar um Estado soberano como participante de uma iniciativa internacional sem consultas prévias ou consentimento é inaceitável, indicando que a objeção de Budapeste se funda em uma questão de soberania e consentimento.
Contexto
O formato 'Carpathian Eight', também chamado de Iniciativa de Integração Carpatiana, foi lançado pela Ucrânia para fomentar a cooperação entre oito países da região dos Cárpatos em desenvolvimento regional, conectividade e projetos conjuntos. O grupo Naftogaz, da Ucrânia, e a empresa húngara MOL assinaram um memorando para a construção de instalações de armazenamento de derivados de petróleo em território húngaro voltados às necessidades ucranianas. Sybiha invocou explicitamente como parâmetro a política de bloqueio e isolacionismo adotada pelo ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán em relação à Ucrânia.