Tesouro dos EUA prorroga até abril de 2027 licenças que permitem operação de postos da Lukoil no exterior
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos estendeu, nesta quinta-feira (16), até 24 de abril de 2027, a validade das licenças que permitem a operação de postos de gasolina da petrolífera russa Lukoil fora da Rússia. A decisão ocorre uma semana depois de o presidente Donald Trump anunciar um acordo para o fornecimento de diesel russo aos mercados dos EUA e outros países, e em meio a críticas de parlamentares americanos e de ministros das Relações Exteriores da UE.
Pontos principais
- Tesouro dos EUA estendeu licenças da Lukoil até 24 de abril de 2027
- Licença anterior venceria em 29 de outubro de 2026
- Permissão cobre postos da Lukoil fora da Rússia e empresas como Lukoil Neftohim Burgas, Lukoil Bulgaria, Lukoil Aviation Bulgaria e Lukoil Bulgaria Bunker
- Nova licença mantém restrição de transferência de fundos para pessoas ou contas na Federação Russa
- Decisão veio uma semana após Trump anunciar acordo para 300 mil toneladas de diesel russo para mercados dos EUA e outros países
- Acordo foi criticado por Democratas e Republicanos por contrariar lei de 2022 que proíbe importações de energia russa
- Ministros das Relações Exteriores da UE criticaram o acordo por minar a unidade transatlântica enquanto a Rússia intensifica ataques à Ucrânia
Por que importa
A prorrogação mantém em funcionamento a rede de postos da Lukoil fora da Rússia até abril de 2027, limitando o impacto imediato das sanções americanas sobre a operação de varejo da empresa. A medida está vinculada a um acordo anunciado por Trump para o fornecimento de diesel russo aos mercados dos EUA e globais, criticado nos EUA por contradizer a lei de 2022 que proíbe importações de energia russa e por ministros do Exterior da UE como um golpe à unidade transatlântica em meio à intensificação dos ataques russos à Ucrânia.
O que aconteceu
O Departamento do Tesouro dos EUA estendeu até 24 de abril de 2027 a validade das licenças que permitem a operação de postos de gasolina e de empresas da Lukoil no exterior, substituindo a licença anterior que expiraria em 29 de outubro de 2026. A nova licença mantém a proibição de transferência de fundos para pessoas ou contas na Federação Russa e foi divulgada pela OFAC (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros).
A decisão foi tomada uma semana depois de o presidente Donald Trump anunciar, em rede social, um acordo com a Rússia para o fornecimento imediato de 300 mil toneladas de diesel aos mercados dos EUA e de outros países, com mais 500 mil toneladas previstas para novembro e um milhão de toneladas adicionais em data posterior. Após o anúncio, o Tesouro emitiu uma licença temporária específica para viabilizar essas entregas.
O acordo gerou críticas bipartidárias nos EUA por contrariar uma lei de 2022 que proíbe importações de energia russa e sanções assinadas pelo próprio Trump em setembro. Ministros das Relações Exteriores da UE também criticaram a decisão, afirmando que ela mina a unidade transatlântica no momento em que a Rússia intensifica os ataques à Ucrânia.
O que dizem as fontes ucranianas
A única fonte fornecida, uma mídia ucraniana, enquadra a ação americana como uma continuidade do alívio de sanções que beneficia uma grande petrolífera russa, e a associa às críticas que o acordo de diesel russo promovido por Trump recebeu tanto de parlamentares americanos quanto de ministros das Relações Exteriores da UE.
Contexto
A decisão ocorre em meio a uma alta nos preços de energia após os EUA e Israel iniciarem ataques ao Irã no fim de fevereiro, seguidos do bloqueio do Estreito de Ormuz por Teerã — uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo —, em meio ao oitavo mês de guerra no Oriente Médio. Em outubro de 2025, os EUA haviam sancionado a Lukoil e a Rosneft para limitar receitas do setor de petróleo russo que financiam a guerra contra a Ucrânia; em abril de 2026, a administração Trump já havia prorrogado a licença que permitia a operação dos postos da Lukoil no exterior até o fim de outubro. Após as sanções, a Lukoil anunciou a intenção de vender seus ativos internacionais, e as operações de venda dependem de aprovação da OFAC.