Publicado em · Atualizado em

EUA e Rússia negociam acordo bilionário com ativos da Lukoil vinculado a conversas sobre a Ucrânia

Negociações de paz EUA-Rússia sobre a guerra na Ucrânia foram ampliadas para incluir um acordo de vários bilhões de dólares envolvendo os ativos internacionais da petrolífera russa Lukoil — incluindo campos petrolíferos, refinarias e postos de gasolina em todo o mundo. O negócio precisa de aprovação tanto do governo americano quanto do Kremlin, e depende em última instância de decisões de Putin e Trump.

Pontos principais

  • EUA e Rússia negociam acordo multibilionário sobre ativos internacionais da Lukoil, integrado às conversas para encerrar a guerra na Ucrânia
  • O negócio requer aprovação do governo dos EUA e do Kremlin; a decisão final depende de Putin e Trump
  • Os ativos incluem campos de petróleo em Camarões, refinarias na Europa e postos de gasolina em Nova Jersey
  • Putin apresentou a proposta em reunião com Steve Witkoff e Jared Kushner no Kremlin em 5 de setembro de 2025, como forma de mostrar aos russos que é possível fazer negócios com os EUA
  • O investidor americano Todd Boehly lidera o grupo de potenciais compradores; ele doou US$ 2 milhões a projetos políticos de Trump
  • O grupo inclui ainda investidores do Catar (Mutaz e Ramez Al-Hayati, parceiros de Kushner em resort na Albânia) e um fundo de Abu Dhabi controlado pelo xeique Tahnoon bin Zayed Al Nahyan
  • A Agência de Desenvolvimento Financeiro Internacional dos EUA (DFC) também participaria do negócio
  • A aprovação americana suspenderia sanções sobre os ativos, aumentando instantaneamente seu valor — o prazo atual da licença de sanções expira em 29 de outubro de 2026

Por que importa

O entrelaçamento entre diplomacia de paz e negócios bilionários de energia é o ponto central: um acordo comercial com uma das maiores petrolíferas russas, sancionada pelos próprios EUA, virou peça do processo de negociação sobre a guerra. A aprovação americana suspenderia sanções e elevaria imediatamente o valor dos ativos, enquanto a DFC — agência do governo dos EUA — entraria diretamente no negócio. A administração Trump sinalizou disposição para fechar grandes acordos econômicos com a Rússia antes do fim da guerra, usando o engajamento comercial como instrumento de pressão.

O que aconteceu

As conversas EUA-Rússia para encerrar a guerra na Ucrânia foram ampliadas para incluir um acordo multibilionário sobre os ativos internacionais da Lukoil — campos de petróleo, refinarias e postos de gasolina em todo o mundo, incluindo operações em Camarões, Europa e Nova Jersey. Vladimir Putin apresentou a proposta em 5 de setembro de 2025, durante reunião no Kremlin com os negociadores americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, como forma de demonstrar aos russos que é possível fazer negócios com os Estados Unidos. A parte americana respondeu que trabalharia no acordo, vendo-o como caminho para melhorar relações com o Kremlin e reduzir preços globais de energia. Embora a Lukoil seja formalmente uma empresa privada, o desfecho depende de decisões de Putin e Trump. O grupo de potenciais compradores é liderado pelo investidor americano Todd Boehly — que doou US$ 2 milhões a projetos políticos de Trump — e reúne ainda dois grupos do Oriente Médio com histórico de negócios com a família de Kushner ou Witkoff, além de uma unidade do governo dos EUA, a Agência de Desenvolvimento Financeiro Internacional (DFC). A aprovação americana do negócio suspenderia sanções sobre os ativos, aumentando instantaneamente seu valor para os compradores. O New York Times, fonte da informação, não encontrou indícios de que Kushner ou Witkoff lucrarão pessoalmente; o porta-voz de Witkoff afirmou que ele não tem conflito de interesses nem participação financeira.

O que dizem as fontes ucranianas

Todas as seis fontes da reportagem são mídia ucraniana, que cobrem a história com base em informações do New York Times. Os títulos ucranianos enquadram o acordo petrolífero de forma uniforme como parte ou vinculado às negociações sobre a guerra, enfatizando a conexão entre o negócio da Lukoil e as conversas de paz, em vez dos detalhes comerciais do empreendimento.

Onde as versões divergem

As fontes divergem em pontos menores de grafia e identificação: o nome do investidor americano líder aparece como 'Todd Boehly' na maioria das matérias e como 'Todd Boelie' em outras; os investidores catarianos são citados como 'Mutaz e Ramez Alhayat' em algumas publicações e como 'Mutaz e Ramez Al-Hayati' em outras; a data do acordo Lukoil–Carlyle é dada como 'final de janeiro de 2026' em algumas matérias e de forma ambígua como 'final de janeiro de 2025/2026' em outra.

Contexto

Em outubro de 2025, os EUA impuseram pela primeira vez no segundo mandato de Trump novas sanções à Rússia, atingindo as duas maiores petrolíferas russas, Rosneft e Lukoil. Após as sanções, a Lukoil anunciou a intenção de vender seus ativos no exterior. Uma oferta do trader internacional Gunvor foi aceita em termos-chave, mas não prosperou porque o Tesouro dos EUA não a aprovou. No fim de janeiro de 2026, a Lukoil assinou acordo com a americana Carlyle para vender a LIG, ainda pendente de aprovação do OFAC. A administração Trump prorrogou repetidas vezes o prazo para a venda dos ativos da Lukoil; a licença atual de sanções para os ativos estrangeiros — incluindo redes de postos e ativos búlgaros — expira em 29 de outubro de 2026. A Lukoil estimou seus ativos internacionais em cerca de US$ 20 bilhões no início do ano. Em setembro de 2025, soube-se que Todd Boehly — que em 2022 comprou em conjunto o Chelsea FC de Roman Abramovich — havia preparado oferta para adquirir os ativos estrangeiros da Lukoil previamente acordados com a Carlyle. Trump promove negócios com a Rússia desde o início de 2025, chamando o país de 'enorme oportunidade'. Kushner e Witkoff visitaram a Rússia repetidas vezes para reuniões com Putin e argumentaram que a perspectiva de restaurar laços econômicos com o Ocidente poderia convencê-lo a fazer concessões sobre a Ucrânia.