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EUA e Rússia discutem investidor americano para reativar Nord Stream, mas Berlim e Europa rejeitam

Autoridades dos EUA e da Rússia, incluindo o enviado especial Jared Kushner e o assessor do Kremlin Kirill Dmitriev, mantiveram conversas nas últimas semanas em Moscou e Nova York sobre atrair um investidor americano para restaurar os gasodutos Nord Stream, segundo fontes ouvidas pela Reuters. A Casa Branca nega que tenham ocorrido discussões recentes especificamente sobre o Nord Stream. O gasoduto está sob sanções dos EUA e da UE, o que torna qualquer retomada ilegal nas condições atuais, e a Alemanha afirma que Berlim encontrou fontes alternativas e não dará a aprovação federal necessária.

Pontos principais

  • Jared Kushner (enviado especial dos EUA) e Kirill Dmitriev (assessor do Kremlin) discutiram a atração de um investidor americano para restaurar o Nord Stream em reuniões em Moscou e Nova York nas últimas semanas
  • A Casa Branca afirma que não houve discussões recentes especificamente sobre o Nord Stream, embora o tema permaneça na agenda segundo fontes
  • O Nord Stream está sob sanções dos EUA e da UE, tornando ilegal qualquer retomada de operação nas condições atuais
  • Trump poderia afrouxar sanções americanas, mas isso ficaria mais difícil se os Democratas ganharem o controle do Congresso nas eleições legislativas de novembro
  • A Alemanha afirma que encontrou fontes alternativas de gás e que qualquer retomada precisaria de aprovação do governo federal, que não pretende concedê-la
  • Em setembro de 2022, o Nord Stream foi danificado por uma série de explosões submarinas
  • Gazprom detém 51% da operadora; 31% estão com duas empresas alemãs e o restante com empresas da França e da Holanda

Por que importa

As conversas, se forem adiante, reverteriam um pilar central do desacoplamento energético entre a Europa e a Rússia após a invasão de 2022 da Ucrânia. Mesmo com um eventual afrouxamento das sanções americanas, a oposição firme da Alemanha e de outros países europeus indica que a reabertura do gasoduto depende de decisões políticas em Berlim e em outras capitais do continente. As conversas também estão associadas a um plano mais amplo de negócios EUA-Rússia, incluindo a compra por um consórcio de ativos da Lukoil na Europa, vinculando alívio de sanções a acordos econômicos como parte da reaproximação entre Washington e Moscou. O calendário eleitoral americano torna essas decisões ainda mais delicadas.

O que aconteceu

Autoridades dos Estados Unidos e da Rússia, incluindo o enviado especial presidencial americano Jared Kushner e o assessor próximo do presidente russo Vladimir Putin, Kirill Dmitriev, mantiveram conversas nas últimas semanas em Moscou e Nova York sobre a possibilidade de envolver um investidor americano na restauração dos gasodutos Nord Stream, segundo cinco fontes ouvidas pela Reuters. A ideia discutida seria a de que investidores americanos lucrassem com o fornecimento de energia à Europa após o fim da guerra na Ucrânia. Kushner considera negócios um fator-chave para restaurar a paz e tem defendido 'acordos de prosperidade' em conversas com interlocutores europeus.

A Casa Branca afirmou que eventuais entendimentos com a Rússia precisam passar pela Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA (DFC) e pelo Departamento do Tesouro, e precisam beneficiar contribuintes e empresas americanas. Ao mesmo tempo, um porta-voz da Casa Branca disse que não houve discussões recentes especificamente sobre o Nord Stream — uma posição contestada por fontes ouvidas pela Reuters, que afirmam que o tema permanece na agenda dos encontros.

Os gasodutos Nord Stream estão sob sanções dos EUA e da União Europeia, o que torna qualquer retomada de operação ilegal nas condições atuais. O presidente Donald Trump poderia suspender ou suavizar as sanções americanas, mas isso ficaria mais difícil se os Democratas ganhassem o controle do Congresso nas eleições legislativas do mês que vem. Em Berlim, um porta-voz do Ministério da Economia e Energia afirmou que o Nord Stream e o gás russo estão sob sanções europeias, que a Alemanha encontrou fontes alternativas de abastecimento e que qualquer retomada exigiria aprovação do governo federal, algo que Berlim não pretende conceder.

O que dizem as fontes ucranianas

A cobertura em ucraniano trata as negociações como parte de uma reaproximação mais ampla entre EUA e Rússia que pode incluir alívio de sanções a ativos como os negócios da Lukoil na Europa. As reportagens destacam o perfil ligado ao Kremlin de Dmitriev e a sensibilidade política de funcionários americanos negociando com ele uma infraestrutura energética estratégica. As matérias sublinham ainda que qualquer revivificação do Nord Stream reverteria a base do desacoplamento energético europeu da Rússia após a invasão de 2022.

Onde as versões divergem

Há divergências entre a Casa Branca e as fontes ouvidas pela Reuters: a Casa Branca afirma que não houve discussões recentes especificamente sobre o Nord Stream, enquanto as fontes dizem que o tema permanece na agenda das conversas entre Kushner e Dmitriev. Também há variação sobre o grau de detalhamento das discussões em cada uma das reuniões em Moscou e Nova York: algumas matérias apresentam o Nord Stream como objeto de negociação ativa, e outras registram que não está claro se o tema chegou a ser tratado concretamente em cada encontro.

Contexto

Antes da invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, a Alemanha comprava mais da metade de seu gás da Rússia por meio dos dois gasodutos Nord Stream. Os gasodutos foram paralisados depois que Moscou restringiu o fornecimento à Europa e foram danificados por uma série de explosões submarinas em setembro de 2022. A Gazprom detém 51% da empresa operadora; 31% estão divididos entre duas empresas alemãs e o restante pertence a acionistas franceses e holandeses. Os cotistas alemães querem manter suas participações caso a Gazprom decida vender a sua. No mês passado, Dmitriev se reuniu com representantes do Departamento de Energia e do Departamento do Tesouro dos EUA para discutir potenciais iniciativas energéticas bilaterais, e em 24 de setembro encontrou em Nova York os enviados especiais americanos Steve Witkoff e Jared Kushner.