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EUA suspendem sanções ao diesel russo após telefonema entre Trump e Putin; Zelensky critica e Ucrânia promete manter ataques a refinarias

Em 9 de outubro, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ter tido uma conversa "extremamente bem-sucedida" com Vladimir Putin e anunciou o fornecimento de milhões de toneladas de diesel russo ao mercado americano. O Tesouro dos EUA emitiu licença temporária autorizando a importação até 17 de abril de 2027. O presidente Volodymyr Zelensky chamou a decisão de "fraca" e "presente de aniversário para Putin", e um alto funcionário ucraniano afirmou que Kiev continuará atacando refinarias russas com drones de longo alcance. Na conversa, Putin teria rejeitado negociações de paz, segundo seu assessor Iuri Ushakov.

Pontos principais

  • Em 9 de outubro, Trump anunciou conversa "extremamente bem-sucedida" com Putin e acordo para o fornecimento de milhões de toneladas de diesel russo.
  • OFAC do Tesouro dos EUA emitiu a Licença Geral nº 135, autorizando a importação de diesel russo até 17 de abril de 2027.
  • Zelensky classificou a medida como "fraca", "injusta e desonesta" e "presente de aniversário para Putin".
  • Alto funcionário ucraniano afirmou ao Financial Times: "Vamos queimar as refinarias deles".
  • Assessor de Putin, Iuri Ushakov, disse que Putin rejeitou negociações de paz na ligação.
  • Lei do Congresso de abril de 2022 só permite ao presidente suspender a proibição se a Rússia concordar em retirar tropas, parar de ameaçar a Otan e reconhecer o direito dos ucranianos de escolher seu governo, com revisão do Congresso; licença do Tesouro pode não se sobrepor à lei.
  • Análise da Eurasia Group indica que volume prometido representa menos de 2% da produção diária de diesel dos EUA (3,6 milhões de barris/dia).

Por que importa

A medida reverte na prática uma proibição imposta pelo Congresso dos EUA em 2022 às importações de energia russa e foi duramente criticada tanto em Washington, de forma bipartidária, quanto em Kiev. Zelensky enquadrou a decisão como um presente ao Kremlin que financiará a guerra, em meio a conversas de paz EUA-Ucrânia, sinalizando nova tensão na relação. Um alto funcionário ucraniano prometeu manter os ataques a refinarias, indicando que o acordo não produziu desescalada no campo de batalha. Analistas jurídicos e parlamentares questionam se a licença do Tesouro se sobrepõe à lei de 2022, colocando em dúvida a aplicabilidade imediata da decisão.

O que aconteceu

Em 9 de outubro de 2026, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que manteve uma conversa telefônica "extremamente bem-sucedida" com Vladimir Putin e que ambos chegaram a um acordo para o fornecimento de milhões de toneladas de diesel russo ao mercado americano. Logo em seguida, o Departamento do Tesouro dos EUA, por meio do Office of Foreign Assets Control (OFAC), emitiu a Licença Geral nº 135, autorizando a venda, entrega e importação de diesel de origem russa até 17 de abril de 2027. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que se reunia em Kiev com uma delegação do Congresso dos EUA, reagiu com duras críticas à decisão. Em entrevista ao Axios, classificou a medida como "fraca", "injusta e desonesta" e "presente de aniversário para Putin", afirmando que fornecerá bilhões adicionais ao agressor. Após o anúncio, um alto funcionário ucraniano disse ao Financial Times que Kiev manterá os ataques com drones de longo alcance contra refinarias russas. O assessor de Putin, Iuri Ushakov, afirmou que na ligação Putin rejeitou a possibilidade de negociações de paz e insistiu em manter as ações militares até a capitulação da Ucrânia. No Congresso dos EUA, democratas chamaram a permissão de traição à Ucrânia e aliados, e republicanos como McCaul e Bacon defenderam o uso da lei de sanções Lindsey Graham para pressionar Moscou em vez de aumentar suas receitas.

Onde as versões divergem

Há divergência sobre a legalidade da licença do Tesouro: licença temporária da OFAC foi emitida imediatamente após o anúncio de Trump, mas publicação especializada destaca que uma ordem do Tesouro não se sobrepõe à lei federal de abril de 2022, que só permite ao presidente suspender a proibição dos importados de diesel russo sob condições específicas (Rússia retirar tropas, parar de ameaçar a Otan, reconhecer o direito dos ucranianos de escolher seu governo) e após revisão do Congresso, o que coloca em dúvida a validade imediata da operação. Também há divergência sobre o impacto prático: a Eurasia Group aponta que o volume prometido representa menos de 2% da produção diária de diesel dos EUA (3,6 milhões de barris/dia) e duvida que a Rússia exporte enquanto os ataques ucranianos a refinarias continuarem; Trump, por outro lado, apresenta o acordo como milhões de toneladas fornecidas rapidamente.

Contexto

Em abril de 2022, o Congresso dos EUA proibiu a importação de recursos energéticos russos, incluindo diesel, com um conjunto restrito de condições que permitem ao presidente suspender a proibição. A Rússia baniu totalmente as exportações de diesel em julho, e o vice-primeiro-ministro Alexander Novak afirmou que a Rússia começou a importar combustível. Em 13 de setembro, Trump pediu publicamente à Ucrânia que não atacasse refinarias russas, culpando esses ataques pela escassez de combustível. Ainda em setembro, Trump sancionou a lei de sanções Lindsey Graham contra a Rússia, mas a maior parte das disposições entra em vigor em 18 de outubro e a própria lei permite exceções presidenciais. Antes da ligação, o assessor de Putin, Iuri Ushakov, disse que o líder russo rejeitou negociações de paz e afirmou que a Rússia continuará as ações militares até a Ucrânia capitular.