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Zelensky anuncia retomada de ataques a refinarias russas após pressão dos EUA e ataques a Kyiv

Em entrevista ao Financial Times publicada em 15 de outubro de 2026, o presidente Volodymyr Zelensky afirmou que a Ucrânia vai retomar os ataques de longo alcance contra refinarias russas de petróleo após uma pausa de três dias a pedido de Washington. Zelensky acusou os Estados Unidos de não terem repassado alertas antecipados sobre lançamentos russos de mísseis balísticos e de terem restringido o funcionamento do Starlink/Starshield usado pelas forças ucranianas durante esse período. A pausa coincidiu com ataques russos massivos contra a infraestrutura energética da Ucrânia, deixando ao menos 600 mil pessoas sem energia elétrica.

Pontos principais

  • Zelensky disse ao Financial Times que a Ucrânia retomará os ataques a refinarias russas, com a frase "Заборону знято. З нас досить" ("A proibição acabou. Já chega").
  • Ucrânia suspendeu por três dias os ataques a alvos energéticos russos a pedido dos EUA, enquanto a Rússia continuou atacando a infraestrutura energética ucraniana.
  • Zelensky afirmou que a Ucrânia não recebeu alertas antecipados dos EUA sobre lançamentos balísticos russos nas noites de 12 e 13 de outubro.
  • SpaceX restringiu sem aviso o uso dos terminais Starshield (Starlink militar) na noite de 14 de outubro, prejudicando drones e operações de reconhecimento.
  • The Washington Post, citando fonte informada, relatou que em 12 de outubro autoridades de inteligência dos EUA avisaram que interromperiam o compartilhamento de informações caso a Ucrânia atacasse refinarias russas.
  • Na noite de 13 para 14 de outubro, a Rússia lançou 39 mísseis balísticos e mais de 120 drones contra a infraestrutura energética de Kyiv, região de Kyiv e Kharkiv.
  • Zelensky condicionou nova pausa a ataques russos à entrega adicional de interceptadores Patriot pelos EUA.

Por que importa

O anúncio marca uma ruptura pública na coordenação entre Kiev e Washington sobre ataques contra o território russo e sobre o compartilhamento de inteligência em meio a uma das campanhas aéreas mais pesadas de Moscou contra a infraestrutura energética da Ucrânia. Concentra em poucos dias um conjunto de pressões dos EUA — alertas sobre corte de inteligência, restrições via satélite e licenças para o diesel russo — justamente quando a Ucrânia era incentivada a conter seus ataques profundos. O Financial Times descreve o episódio como a crise mais séria nas relações EUA-Ucrânia desde a controvérsia no Salão Oval em fevereiro de 2025.

O que aconteceu

Em entrevista ao Financial Times divulgada em 15 de outubro, o presidente Volodymyr Zelensky declarou que a Ucrânia está retomando os ataques a refinarias russas de petróleo após uma pausa de três dias solicitada por Washington. Zelensky afirmou que, durante essa pausa, a Rússia continuou lançando mísseis balísticos e drones contra a infraestrutura energética da Ucrânia: nas noites de 12 e 13 de outubro os ataques a Kyiv ocorreram sem alerta prévio dos parceiros, e na noite de 13 para 14 de outubro Moscou disparou 39 mísseis balísticos e mais de 120 drones contra alvos energéticos em Kyiv, região de Kyiv e Kharkiv, deixando pelo menos 600 mil pessoas sem luz. Segundo Zelensky, o Starlink/Starshield usados pelas forças ucranianas foi desacelerado sem aviso por SpaceX na noite de 14 de outubro, prejudicando drones de ataque e intercepção, operações de reconhecimento e logística. The Washington Post, citando uma fonte, relatou que em 12 de outubro autoridades de inteligência dos EUA avisaram a embaixada ucraniana em Washington de que interromperiam o compartilhamento de informações caso a Ucrânia voltasse a atacar refinarias russas; segundo a mesma fonte, o repasse não foi cortado integralmente, mas a ameaça permanecia ativa. Zelensky rejeitou a versão americana de "falha técnica" e condicionou qualquer nova pausa à entrega adicional de interceptadores Patriot pelos EUA. Paralelamente, os EUA anunciaram em 9 de outubro acordo para mais de 300 mil toneladas de diesel russo e emitiram licença temporária da OFAC para essas entregas. Trump declarou publicamente, em 14 de outubro, que o compartilhamento de inteligência continua, e a Comissão Europeia afirmou não ver indícios de interrupção.

O que dizem as fontes ucranianas

A mídia e as autoridades ucranianas apresentam o anúncio de Zelensky como resposta a uma combinação de pressão dos EUA e comportamento russo incompatível com qualquer cessar-fogo energético. Enfatizam que durante a pausa ucraniana de três dias — pedida por Washington — a Rússia intensificou ataques com mísseis balísticos e drones contra a infraestrutura energética ucraniana, matando mais de 100 civis em uma semana, e que Kiev não recebeu alertas antecipados nem avisos de inteligência dos parceiros. Destacam, ainda, restrições sem aviso ao Starshield usado pelos drones ucranianos e ameaças de corte no compartilhamento de inteligência, além da licença americana para importação de diesel russo, vista como concessão a Moscou. Zelensky condiciona qualquer nova suspensão de ataques a refinarias russas à entrega de mais interceptadores Patriot e rejeita a tese americana de "falha técnica". A Ucrânia também desmente as alegações russas de ataques ucranianos a refinarias em 14 de outubro, classificando algumas delas como fabricadas.

O que dizem as fontes internacionais

A única agência de língua inglesa presente no material liderou com o anúncio da retomada dos ataques a refinarias russas, sem aprofundar a crise EUA-Ucrânia nem os ataques russos à rede elétrica ucraniana. Líderes europeus apoiaram publicamente os ataques ucranianos a refinarias: o primeiro-ministro da Estônia, Kristen Michal, defendeu a destruição acelerada de refinarias e da infraestrutura de exportação de energia russas; o presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, alertou que exigir apenas de um lado a paralisação de ataques levaria a uma catástrofe; o primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, classificou o acordo EUA-Rússia sobre diesel como um movimento na direção errada; e a alta representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas, qualificou os ataques a refinarias como autodefesa legítima sob o direito internacional. Em sentido oposto, o primeiro-ministro da Bulgária, Rumen Radev, disse não apoiar ataques a qualquer refinaria ou instalação energética, incluindo os ataques russos à infraestrutura ucraniana. O Financial Times descreve o episódio como a crise mais grave entre Kiev e Washington desde a discussão no Salão Oval em fevereiro de 2025.

Onde as versões divergem

Há três divergências principais entre as fontes. Sobre novos ataques ucranianos a refinarias russas em 14 de outubro, Moscou e figuras russas estatais afirmaram ter ocorrido ataques a duas refinarias; assessores da presidência ucraniana, como Dmytro Lytvyn, negaram, e reportagens posteriores descreveram parte dessas alegações russas como fabricadas. Sobre a natureza das restrições ao Starlink/Starshield dos drones militares ucranianos, Zelensky as atribui a decisão política dos EUA; Elon Musk diz que o pacote Starshield pertence ao governo dos EUA, cujo uso é decidido pelas Forças Armadas e pelo presidente; a Casa Branca classificou as restrições como falha técnica sem envolvimento do Executivo. Sobre o estado do compartilhamento de inteligência, Trump declarou publicamente que ele continua, a Comissão Europeia afirmou não ver sinais de interrupção, e Zelensky, em entrevista à NPR, disse que as ameaças ainda não foram executadas. Fonte ouvida pelo Washington Post indicou que o repasse não foi cortado totalmente, mas a ameaça se mantém ativa, em meio a relatos de que telefonemas de alerta da inteligência americana foram feitos de forma generalizada, atingindo praticamente todas as pessoas com sobrenome de aparência ucraniana.

Contexto

No início de outubro, a administração Trump anunciou um acordo com Moscou para mais de 300 mil toneladas de diesel russo para o mercado global e, por instrução de Trump, o OFAC emitiu uma licença geral temporária permitindo essas entregas. Em 11 de outubro Trump anunciou um "cessar-fogo energético" do qual Kiev disse ter tomado conhecimento apenas pelas redes sociais, manifestando disposição de cumprir caso Moscou fizesse o mesmo; reportagens posteriores indicaram que o arranjo se limitava a ataques mútuos a refinarias. Desde o início da invasão em grande escala, ataques ucranianos com drones atingiram uma parcela significativa das grandes refinarias russas, sendo as receitas do petróleo identificadas como fonte primária de financiamento da máquina de guerra russa.