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Putin propõe cúpula trilateral com Trump e Xi para discutir fim da guerra na Ucrânia

O presidente russo Vladimir Putin propôs uma reunião trilateral com o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder chinês Xi Jinping para discutir o fim da guerra na Ucrânia em termos favoráveis a Moscou, segundo revelou o Wall Street Journal. O Kremlin sugere realizar o encontro nas margens da cúpula da APEC, marcada para 18 e 19 de novembro em Shenzhen, na China. Trump ainda não confirmou presença, mas poderia estar receptivo à ideia, de acordo com autoridade americana. O anúncio ocorre em meio a uma reaproximação entre Moscou e Washington, que incluiu um acordo para os EUA comprarem diesel russo.

Pontos principais

  • Putin propôs cúpula trilateral com Trump e Xi Jinping durante ligação telefônica em 9 de outubro, segundo o Wall Street Journal
  • O Kremlin sugere realizar o encontro nas margens da cúpula da APEC, marcada para 18 e 19 de novembro em Shenzhen, China
  • Trump ainda não aceitou participar, mas poderia estar receptivo à ideia, segundo autoridade americana não identificada
  • Rússia transmitiu a proposta a Pequim por canais diplomáticos; lado chinês indicou que não se oporia à participação de Trump
  • Na mesma ligação de 9 de outubro, EUA e Rússia fecharam acordo para que Washington compre diesel russo e facilite sua venda no mercado global
  • WSJ classifica eventual cúpula sem o presidente Volodymyr Zelensky como sem precedentes e capaz de gerar alarme em capitais europeias
  • Cúpula do G20 está marcada para 14 e 15 de dezembro de 2026 em Miami; administração Trump convidou Putin em setembro

Por que importa

Uma cúpula trilateral entre Rússia, EUA e China, sem a Ucrânia à mesa, seria um evento diplomático sem precedentes e poderia redefinir a resposta global à guerra. A proposta enquadra o conflito como assunto a ser resolvido entre grandes potências, contornando Kiev e os aliados europeus. O fato de a ideia ter sido levantada na mesma ligação que produziu um acordo para os EUA comprarem diesel russo sugere uma reaproximação mais ampla entre Moscou e Washington, com impacto sobre sanções e política energética. A China, ao sinalizar que não se oporia à participação de Trump, indica disposição de Pequim para assumir um papel mediador mais visível no cenário internacional.

O que aconteceu

O presidente russo Vladimir Putin propôs ao presidente dos EUA, Donald Trump, uma cúpula trilateral que também contaria com o líder chinês Xi Jinping, com o objetivo de discutir o fim da guerra na Ucrânia em termos favoráveis à Rússia. A proposta foi feita durante uma ligação telefônica em 9 de outubro, segundo reportagem do Wall Street Journal citando ex-agente de inteligência russa familiar com o assunto. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, confirmou as discussões em entrevista ao WSJ em 18 de outubro, mas ressalvou que ainda não há entendimento claro sobre o formato ou a agenda do encontro, embora as três partes admitam a possibilidade. O Kremlin sugeriu que a reunião ocorresse nas margens da cúpula da APEC, prevista para 18 e 19 de novembro em Shenzhen, no sul da China. Autoridades russas também trataram do tema com Pequim por canais diplomáticos; o lado chinês indicou que não se oporia à participação de Trump. Uma autoridade americana não identificada disse ao WSJ que Trump ainda não concordou em participar, mas poderia estar receptivo, dado seu desejo de cumprir a promessa de campanha de encerrar a guerra. Na mesma ligação de 9 de outubro, EUA e Rússia chegaram a um acordo para que Washington compre diesel russo e facilite sua venda no mercado global. Trump justificou o acordo dizendo que não queria "afastá-la das negociações" e acusou Zelensky de não querer terminar a guerra.

O que dizem as fontes ucranianas

A maior parte da mídia ucraniana destaca Putin como autor da proposta e costuma qualificar o encontro como "hipotético" ao citar Peskov, enfatizando que o objetivo russo seria discutir o fim da guerra em termos favoráveis a Moscou. Vários veículos inserem a proposta no contexto da reaproximação entre Moscou e Washington, incluindo o acordo sobre diesel, e a contrastam com a disposição declarada por Zelensky de participar de negociações trilaterais. Ao menos uma publicação ucraniana emprega a expressão "ambições irreais", sinalizando ceticismo em relação à proposta. A cobertura tende a destacar a ausência de Zelensky do formato proposto e o alarme que isso geraria em capitais europeias.

O que dizem as fontes internacionais

A única fonte internacional do levantamento (o catari Al Jazeera, em árabe) reporta a proposta de forma direta, descrevendo Putin como proponente de uma cúpula trilateral para discutir o fim da guerra, sem o enquadramento adicional centrado na Ucrânia observado na mídia ucraniana. A cobertura internacional não destaca a disposição declarada por Zelensky de participar de conversas trilaterais nem o atrito mais amplo entre EUA e Ucrânia, incluindo as acusações de Trump contra Zelensky e as contra-acusações de Zelensky sobre atrasos na entrega de mísseis Patriot.

Contexto

A proposta foi levantada por Putin durante ligação telefônica com Trump em 9 de outubro, segundo o Wall Street Journal citando ex-agente de inteligência russa. Na mesma chamada, EUA e Rússia concordaram que Washington compraria diesel russo e facilitaria sua venda no mercado global; Trump disse que não queria "afastá-la das negociações". O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, confirmou as conversas em entrevista ao WSJ em 18 de outubro, mas destacou que ainda não há entendimento claro sobre o encontro ou sua agenda. Uma autoridade americana não identificada disse ao WSJ que Trump ainda não aceitou participar, mas poderia estar receptivo, dado seu desejo de cumprir a promessa de encerrar a guerra. Autoridades russas comunicaram a ideia a Pequim por canais diplomáticos, e o lado chinês indicou que não se oporia à participação de Trump. A Casa Branca se recusou a comentar, e a embaixada chinesa em Washington não respondeu ao pedido de manifestação. Um ex-agente de inteligência russa descreveu as ambições de Putin para o formato trilateral como um "segundo tipo de Yalta" que dividiria o mundo em esferas de influência. Analistas ouvidos pelo WSJ disseram que um diálogo trilateral em solo chinês seria um passo significativo para Xi no fortalecimento do papel da China como mediadora diplomática; segundo fontes, Xi busca equilibrar o apoio contínuo a Putin com a preservação das relações econômicas da China com a Europa. O WSJ classificou a cúpula proposta — sem o presidente Volodymyr Zelensky — como sem precedentes e capaz de gerar alarme em capitais europeias. No início de setembro, o assessor de Putin Yuri Ushakov afirmou que os líderes de EUA, Rússia e China poderiam se encontrar na cúpula da APEC em 18 e 19 de novembro, em Shenzhen, China. Em setembro de 2026, a administração Trump convidou Putin para a cúpula de líderes do G20 prevista para 14 e 15 de dezembro de 2026 em Miami; o Kremlin confirmou que a Rússia participará, mas disse que ainda não há decisão sobre a presença pessoal de Putin. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que a cúpula do G20 pode ser uma oportunidade para Putin negociar com Trump e outros líderes mundiais. Putin não participa pessoalmente de cúpulas do G20 desde 2019; desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia em 2022, a delegação russa nesses encontros tem sido representada, entre outros, pelo ministro das Relações Exteriores Sergei Lavrov. O presidente Zelensky manifestou disposição para se encontrar com Putin no formato do G20 em Miami e, após reunião com Trump à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova York em 22 de setembro, reiterou essa disposição, sugerindo que Trump poderia organizar um encontro trilateral para aproximar a paz. Em 23 de setembro, Peskov afirmou que Putin estaria supostamente pronto para se reunir com Trump e Zelensky, mas apenas sob certas "pré-condições" não nomeadas pela Rússia. Trump acusou Zelensky de não querer encerrar a guerra da Rússia contra a Ucrânia; Zelensky acusou Trump de pressionar a Ucrânia rumo à capitulação diante da Rússia e de atrasar entregas de mísseis interceptadores Patriot.