Publicado em · Atualizado em

Macron ordena plano para proteger infraestrutura crítica da França contra drones e ciberataques russos

O presidente da França, Emmanuel Macron, ordenou ao governo que elabore um plano para proteger a infraestrutura crítica e as instalações mais sensíveis da base industrial e tecnológica de defesa do país contra ataques de drones e ciberataques russos. O anúncio foi feito em 18 de setembro, após reunião no Palácio do Eliseu com líderes de partidos parlamentares e seus candidatos à eleição presidencial de 2027. Segundo Macron, a ameaça híbrida russa contra europeus e franceses se intensificou nas últimas semanas.

Pontos principais

  • Macron ordenou ao governo francês preparar um plano de proteção da infraestrutura crítica e das instalações mais sensíveis da base industrial e tecnológica de defesa contra ataques de drones e ciberataques.
  • O anúncio foi feito em 18 de setembro, após reunião no Palácio do Eliseu com líderes de partidos parlamentares e candidatos à presidência de 2027.
  • Macron afirmou que a Rússia multiplicou ataques híbridos contra interesses europeus desde o verão, citando o ataque com drone ao trem de passageiros entre Kiev e Varsóvia, a tentativa de ataque no aeroporto de Leipzig atribuída pela Alemanha ao GRU russo, disparos de foguete de sinal perto de uma fragata dinamarquesa e múltiplas violações de espaço aéreo europeu.
  • O primeiro-ministro Sébastien Lecornu e o ministro do Interior deram encaminhamentos aos ministros e serviços competentes; o ministro do Interior se reuniu com os prefeitos regionais para elevar o nível de prontidão.
  • Macron prometeu que a França responderá aos ataques híbridos russos, sem especificar a natureza da resposta.
  • Macron afirmou que o apoio à Ucrânia é mais necessário do que nunca e é condição da segurança da França e de uma paz justa e duradoura.
  • A França foi um dos primeiros países europeus a criar o serviço Viginum para detectar interferência digital estrangeira; segundo reportagem da France Télévisions, alvos potenciais russos incluem usinas e redes elétricas, ferrovias, telecomunicações e sistemas de distribuição de água potável.

Por que importa

A França está transformando a defesa contra ameaças híbridas russas em prioridade formal de governo, com plano nacional envolvendo serviços de inteligência, Defesa, Interior e prefeitos regionais. Ao vincular explicitamente a proteção da infraestrutura crítica ao apoio contínuo à Ucrânia, Macron enquadra a atividade híbrida russa como questão direta de segurança nacional francesa e europeia, e não apenas como preocupação distante.

O que aconteceu

Em 18 de setembro, o presidente Emmanuel Macron se reuniu no Palácio do Eliseu com líderes dos partidos parlamentares — incluindo candidatos à eleição presidencial de 2027 — além do primeiro-ministro Sébastien Lecornu, dos chefes dos serviços de inteligência e segurança franceses e do diretor-geral de Energia. O encontro ocorreu em nova sala de crise do Palácio do Eliseu sob nível máximo de segurança. Na sequência, Macron ordenou ao governo a elaboração de um plano para proteger a infraestrutura crítica e as instalações mais sensíveis da base industrial e tecnológica de defesa contra ataques de drones e ciberataques. Após reunião do Conselho de Defesa e Segurança Nacional, o primeiro-ministro encaminhou orientações aos ministros e serviços competentes, e o ministro do Interior se reuniu com os prefeitos das zonas de defesa e segurança para elevar o nível de prontidão; os prefeitos foram orientados a criar, na semana seguinte, postos de comando de segurança e defesa em seus departamentos. Macron afirmou que a Rússia multiplicou ataques híbridos contra interesses europeus desde o verão e citou como exemplos o ataque com drone ao trem de passageiros entre Kiev e Varsóvia em 13 de setembro, a tentativa de ataque no aeroporto de Leipzig atribuída pela inteligência alemã ao GRU russo, o disparo de foguete de sinal perto de uma fragata dinamarquesa em 14 de setembro e múltiplas violações do espaço aéreo europeu. Prometeu que a França responderá, sem detalhar a resposta, e reiterou que o apoio à Ucrânia é condição da segurança francesa.

Contexto

Macron lembrou que a França foi um dos primeiros países europeus a criar o serviço Viginum, dedicado a identificar interferência digital estrangeira. Também destacou que a França co-lidera com o Reino Unido a Coalizão dos Voluntários, com exercícios previstos nas próximas semanas na Europa. O primeiro-ministro polonês Donald Tusk afirmou que dados de inteligência indicam "planos de golpes híbridos" russos contra países que apoiam a Ucrânia; a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a UE planeja apresentar nova estratégia de segurança para complementar o Artigo 4 do Tratado da OTAN. Reportagem da France Télévisions, baseada em nota confidencial, lista como alvos potenciais usinas e redes elétricas, ferrovias, telecomunicações e sistemas de distribuição de água potável, e indica que os serviços de inteligência franceses se preparam para possíveis ataques russos em larga escala a partir do outono de 2027, com horizonte até 2030. Entre outros incidentes recentes citados na cobertura estão drones russos encontrados em Moldova, Romênia, Letônia, Estônia, Polônia e Lituânia, suspeita de sabotagem na Alemanha e reportagem da inteligência dinamarquesa sobre planos de sabotagem em empresas de defesa dinamarquesas.