Publicado em · Atualizado em

Ucrânia atinge maior refinaria de Moscou em ataque com drones e mísseis na noite das eleições na Duma

Na noite de 20 de setembro, Forças de Defesa da Ucrânia realizaram um ataque combinado com drones e mísseis contra Moscou e a região de Moscou, atingindo a refinaria Gazpromneft-Moscovo (NPZ de Moscou), no distrito de Kapotnia. Segundo o Estado-Maior da Ucrânia, foram atingidas a unidade primária AVT-6, uma unidade combinada de processamento e uma unidade de isomerização; ambas as unidades primárias de destilação pegaram fogo e a refinaria interrompeu totalmente o processamento de petróleo. A instalação é uma das maiores da Rússia, com capacidade de cerca de 11–12 milhões de toneladas de petróleo por ano.

Pontos principais

  • Na noite de 20 de setembro, Forças de Defesa da Ucrânia atingiram a refinaria Gazpromneft-Moscovo em Kapotnia, Moscou.
  • O Estado-Maior da Ucrânia informou que foram atingidas a unidade AVT-6 (53% da capacidade), uma unidade combinada e uma unidade de isomerização.
  • Ambas as unidades primárias de destilação pegaram fogo e a refinaria suspendeu totalmente o processamento de petróleo após o ataque, segundo fontes da indústria citadas pela Reuters.
  • Combustível produzido pela refinaria deixou de ser ofertado na Bolsa Internacional de Mercadorias de São Petersburgo a partir de 21 de setembro.
  • Estado-Maior da Ucrânia: ataques acumulados a refinarias russas tiraram de operação mais de 45% da capacidade projetada de refino da Rússia até 21 de setembro.
  • Prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, afirmou que a 'maior' ataque com drones à capital foi repelido, com mais de 1.600 drones destruídos (450 na aproximação); Ministério da Defesa da Rússia afirmou mais de 1.900 drones e projéteis interceptados.
  • Em Moscou e região, sirenes de alerta aéreo não foram acionadas nem avisos por SMS enviados à população durante o ataque, que coincidiu com o dia das eleições para a Duma de Estado, com avaliação do ISW de que as autoridades priorizaram a alta votação sobre a segurança dos civis.

Por que importa

A refinaria de Moscou é uma das maiores da Rússia, com capacidade de cerca de 11–12 milhões de toneladas de petróleo por ano, e responde por parcela significativa do mercado de combustível da capital, de modo que sua paralisação tem efeitos imediatos no abastecimento doméstico. Segundo o Estado-Maior da Ucrânia, os ataques ucranianos acumulados a refinarias russas já teriam tirado de operação mais de 45% da capacidade projetada de refino da Rússia, com relatos de escassez de gasolina e diesel Euro-5/K5 dentro do país. O ataque coincidiu com o dia das eleições para a Duma de Estado, e o ISW avaliou que a decisão das autoridades russas de não acionar sirenes nem enviar SMS de alerta reflete uma prioridade pela alta participação eleitoral em detrimento da segurança da população. Autoridades moscovitas descreveram o ataque como o maior já realizado com drones contra a capital russa, evidenciando a escala e o alcance crescentes da capacidade de ataque da Ucrânia, e o presidente Volodymyr Zelensky confirmou publicamente a operação, vinculando-a à exigência de que Moscou encerre a guerra e à diplomacia prevista com o presidente dos EUA, Donald Trump, à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova York.

O que aconteceu

Na noite de 20 de setembro, Forças de Defesa da Ucrânia conduziram um ataque combinado com drones e mísseis contra Moscou e a região de Moscou. O principal alvo atingido foi a refinaria Gazpromneft-Moscovo (NPZ de Moscou), localizada no distrito de Kapotnia, um dos maiores complexos de refino da Rússia, com capacidade de cerca de 11–12 milhões de toneladas de petróleo por ano. De acordo com o Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia, foram atingidas três unidades da refinaria: a AVT-6 (unidade primária de processamento, com 21.400 toneladas/dia, 53% da capacidade), uma unidade combinada de processamento e uma unidade de isomerização. Análise de OSINT da Astra e fontes da indústria ouvidas pela Reuters confirmaram que ambas as unidades primárias de destilação pegaram fogo após a queda dos drones e que a refinaria interrompeu totalmente o processamento de petróleo depois do ataque. A reparação e a retomada das operações podem levar várias semanas, segundo essas mesmas fontes, e o combustível produzido na refinaria deixou de ser ofertado na Bolsa Internacional de Mercadorias de São Petersburgo a partir de 21 de setembro. O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, afirmou que o ataque com drones — qualificado como o maior já registrado contra a capital — foi repelido, com mais de 1.600 drones destruídos (450 na aproximação à capital). O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que mais de 1.900 drones e outros projéteis foram interceptados durante a noite. A empresa ucraniana de defesa Fire Point afirmou que a refinaria foi atingida por drones FP-1, e vídeos publicados em canais do Telegram mostraram lançamentos de mísseis de cruzeiro FP-5 'Flamingo' durante a operação. Conforme o Estado-Maior ucraniano, ataques acumulados das Forças de Defesa a refinarias russas tiraram de operação mais de 45% da capacidade projetada de refino do país até 21 de setembro, com escassez de gasolina e diesel Euro-5/K5 relatada como consequência. Autoridades russas informaram que ao menos duas pessoas morreram na região de Moscou e que vários prédios residenciais foram danificados.

O que dizem as fontes ucranianas

A cobertura ucraniana centra o episódio no efeito estratégico do ataque: destaca os acertos em unidades específicas da refinaria (AVT-6, a unidade combinada 'Euro+' e a unidade de isomerização), a paralisação do refino, o incêndio em ambas as unidades primárias de destilação e a afirmação do Estado-Maior de que os ataques ucranianos acumulados já teriam tirado de operação mais de 45% da capacidade de refino da Rússia, com escassez de gasolina e diesel Euro-5/K5. Os veículos ucranianos dão destaque à confirmação pública do presidente Volodymyr Zelensky, à sua mensagem de que Moscou deve encerrar a guerra e ao encontro previsto com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Nova York, à margem da Assembleia Geral da ONU. Os canais ucranianos enfatizam a ausência de sirenes e de avisos por SMS durante o maior ataque com drones já registrado contra Moscou — em meio ao dia das eleições para a Duma — e divulgam a avaliação do ISW de que as autoridades russas priorizaram a participação eleitoral em detrimento da segurança dos civis, sublinhando que as Forças de Defesa da Ucrânia não alvejaram intencionamente os colégios eleitorais nem outra infraestrutura eleitoral. A produção doméstica de armamentos é creditada explicitamente: drones FP-1 (Fire Point), mísseis de cruzeiro FP-5 'Flamingo', além dos drones RZ-100, MICH-2000, 'Palyanytsia', Vendetta, 'Liutyi', 'Bars' e 'Sichen'.

O que dizem as fontes internacionais

Os veículos internacionais cobrem o episódio como um 'grande ataque ucraniano' com 'centenas de drones' contra Moscou no dia das eleições russas para a Duma, situando a operação no contexto eleitoral em vez de enfatizar detalhes técnicos da refinaria. Reportagens transmitidas via Reuters (republicadas por veículos ucranianos) sublinham os efeitos operacionais sobre a refinaria: paralisação total do processamento de petróleo, incêndio nas duas unidades primárias de destilação, reparo estimado em várias semanas e ausência de combustível do NPZ de Moscou na Bolsa Internacional de Mercadorias de São Petersburgo a partir de 21 de setembro, fornecendo indicadores concretos de mercado. As reportagens transmitem os números oficiais russos — 1.600+ drones abatidos (450 na aproximação a Moscou, segundo Sobyanin) e 1.900+ drones e projéteis interceptados durante a noite (segundo o Ministério da Defesa) — sem verificação independente, deixando a alegação de 'repulsão' do maior ataque como declaração atribuída. A cobertura internacional também registra o número de vítimas segundo autoridades russas (ao menos dois mortos na região de Moscou e prédios residenciais danificados) e a observação analítica do ISW de que a Ucrânia não alvejou intencionalmente a infraestrutura eleitoral.

Onde as versões divergem

As principais divergências registradas giram em torno da narrativa sobre a efetividade e a intenção do ataque. O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, e o Ministério da Defesa russo afirmaram que o 'maior' ataque com drones contra a capital foi repelido, com mais de 1.600 (ou 1.900+, segundo o Ministério da Defesa) drones e projéteis interceptados. Reportagens via Reuters, o Estado-Maior da Ucrânia e a análise de OSINT da Astra indicam que vários drones chegaram à refinaria, que ambas as unidades primárias de destilação pegaram fogo e que a planta interrompeu totalmente o refino, com reparos estimados em várias semanas e combustível retirado das vendas na bolsa. Autoridades russas e o próprio Sobyanin atribuíram o ataque a uma tentativa de perturbar as eleições para a Duma e alterar o cenário político, enquanto analistas do ISW concluíram que as autoridades russas priorizaram a alta participação eleitoral sobre a segurança dos civis ao não acionar sirenes nem enviar SMS de alerta, e destacaram que as Forças de Defesa da Ucrânia alvejaram infraestrutura estratégica de petróleo e logística, e não colégios eleitorais ou outra infraestrutura eleitoral. Enquanto fontes russas enquadraram o ataque como ineficaz, limitando-se ao relato de drones e projéteis interceptados, fontes ucranianas (Estado-Maior, Fire Point, fontes da indústria citadas pela Reuters e analistas de OSINT) documentaram os acertos na AVT-6, em uma unidade combinada e em uma unidade de isomerização, os incêndios em ambas as unidades primárias e a paralisação completa do refino.

Contexto

A refinaria Gazpromneft-Moscovo opera duas unidades primárias de refino: AVT-6 (21.400 toneladas/dia, 53% da capacidade) e a unidade combinada 'Euro+' (18.800 toneladas/dia, 47%); em 2024, processou 11,6 milhões de toneladas de petróleo bruto (cerca de 230.000 barris/dia) e produziu 2,9 milhões de toneladas de gasolina, 3,2 milhões de toneladas de diesel e 1,3 milhão de toneladas de betume. Reportagens russas descreveram o uso de drones FP-1, RZ-100, MICH-2000, 'Palyanytsia', Vendetta, 'Liutyi', 'Bars', 'Sichen' e mísseis de cruzeiro FP-5 'Flamingo' no ataque, além de relatos de acertos de FP-1 na refinaria por parte da empresa de defesa ucraniana Fire Point. Analistas de OSINT contaram 91 ataques a diversas refinarias russas desde o início de 2026, com o ataque de 20 de setembro descrito como o sétimo desse mês. Conforme pesquisas de boca de urna citadas na cobertura, o partido Rússia Unida liderava a votação para a Duma de Estado com cerca de 49,4%.