Evento: 25 de setembro · Publicado em

Zelensky e primeiro-ministro anunciam déficit de US$ 27 bi no orçamento de defesa da Ucrânia

Em 25 de setembro, o presidente Volodymyr Zelensky e o primeiro-ministro Serhiy Korytskyi afirmaram que a Ucrânia enfrenta um déficit de US$ 27 bilhões no orçamento de defesa para o ano, em meio a uma crise fiscal que consideram a mais grave desde o início da invasão russa em 2022. Zelensky disse que negociou o financiamento com a UE e o FMI e pediu que a Comissão antecipe a segunda tranche do pacote de US$ 90 bilhões. O governo trabalha em redistribuição interna e pressiona o parlamento a aprovar leis exigidas pelos parceiros.

Pontos principais

  • Déficit de US$ 27 bilhões no orçamento de defesa para 2026, segundo Zelensky e o primeiro-ministro Serhiy Korytskyi
  • Componente principal do déficit é a falta de recursos para drones e mísseis; pagamentos militares também são afetados
  • Cerca de um terço do valor seria para drones a serem encomendados e pagos em outubro e novembro para entrega em janeiro–março
  • Zelensky afirmou ter recebido reação "positiva e construtiva" da UE e do FMI
  • FMI não financia diretamente provisões militares, disse Zelensky, que pediu à Comissão Europeia antecipar a segunda tranche do pacote de US$ 90 bilhões
  • Primeiro-ministro Korytskyi disse que parte será coberta por redistribuição interna de programas existentes
  • Ucrânia depende da aprovação pelo Verkhovna Rada de 40 projetos de lei até o fim do ano para liberar US$ 29,5 bilhões em ajuda internacional
  • Ex-ministro Mykhailo Fedorov diz não saber de onde veio o número de US$ 27 bilhões

Por que importa

A liderança ucraniana está alertando publicamente sobre um buraco de US$ 27 bilhões no financiamento da defesa que pode afetar o fornecimento de drones e mísseis e o pagamento dos militares no fim de 2026 e início de 2027. O governo aposta em uma combinação de redistribuição orçamentária interna e financiamento externo acelerado, especialmente da UE, para evitar falhas operacionais. A disputa sobre o número — com o ex-ministro Mykhailo Fedorov dizendo não saber de onde veio o valor — evidencia divergências internas sobre a escala do problema. A capacidade da Ucrânia de obter recursos externos adicionais depende de reformas legislativas exigidas pelos parceiros europeus, tornando a ação parlamentar uma pré-condição para o financiamento da defesa.

O que aconteceu

Em 25 de setembro de 2026, o presidente Volodymyr Zelensky e o primeiro-ministro Serhiy Korytskyi afirmaram, em comunicados separados, que a Ucrânia tem um déficit de US$ 27 bilhões no orçamento de defesa para o ano corrente. Segundo Zelensky, que falou com jornalistas em formato de áudio, o governo elaborará em breve um mecanismo para cobrir o déficit, combinando redistribuição interna e apoio externo. O presidente disse que negociou o financiamento com a UE, o FMI, representantes de empresas e grupos financeiros, e relatou ter recebido "reação positiva e construtiva" da UE e do FMI, acrescentando que o FMI não financia diretamente provisões militares. Zelensky afirmou que pediu à Comissão Europeia antecipar a segunda tranche, prevista para o próximo ano, do pacote de US$ 90 bilhões, e mencionou a possibilidade de parte do financiamento ser organizada em formato "drone-deal".

Korytskyi informou que manteve reunião com o Ministério da Defesa em 25 de setembro para tratar do fechamento do adicional de US$ 27 bilhões. Segundo ele, parte dos recursos é necessária imediatamente para pré-pagamentos de entregas previstas para o primeiro trimestre de 2027, e outra parte será coberta com fontes internas, por meio da redistribuição de fundos dentro de programas existentes — tarefa que atribuiu ao Ministério da Fazenda. O primeiro-ministro disse que o governo conta com apoio da UE e que os ministérios da Defesa conduzem negociações diretas com países da OTAN e outros parceiros. Ele também afirmou que o financiamento externo vinculado a acordos com parceiros internacionais precisa ser desbloqueado, o que exige a adoção pelo Verkhovna Rada de leis e decisões específicas do plano do governo, com o executivo em interação diária e estreita com o parlamento.

O que dizem as fontes ucranianas

As fontes disponíveis são todas ucranianas, publicadas em ucraniano, e centram atores do governo ucraniano — presidente, primeiro-ministro, ministro das Finanças e chanceler — como vozes principais sobre o déficit e a diplomacia financeira. A cobertura enfatiza a mecânica interna: a reunião do primeiro-ministro com o Ministério da Defesa, a necessidade de o Ministério da Fazenda redistribuir fundos em programas existentes e a exigência de que o Verkhovna Rada aprove leis específicas. As fontes destacam a urgência operacional ligada a drones e mísseis, com alertas sobre escassez em janeiro e fevereiro caso encomendas e pré-pagamentos não sejam feitos em outubro e novembro. Quando parceiros internacionais são citados, as fontes incluem a moldura do governo de "reação positiva e construtiva" da UE e do FMI, e a negação, pela chancelaria, de que conversas tenham sido tensas.

Onde as versões divergem

Há duas divergências relevantes entre as fontes. A primeira é sobre a origem e a precisão do número de US$ 27 bilhões: o presidente Zelensky o trata como estabelecido, enquanto o ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov — que chefiou a pasta na primeira metade do ano — afirma não saber de onde veio o valor. A segunda é sobre o tom da última conversa entre Zelensky e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em 23 de setembro: uma fonte da Bloomberg descreveu o encontro como tenso, enquanto o chanceler Andriy Sybiha negou essa leitura, classificando os relatos como fabricações e descrevendo a conversa como amigável e construtiva.

Contexto

Em 1º de setembro, o primeiro-ministro Korytskyi anunciou na Verkhovna Rada um regime de economia estrita para despesas não relacionadas à defesa e reportou 70 bilhões de UAH em economias identificadas. Em 14 de setembro, Korytskyi alertou que as finanças estatais da Ucrânia se aproximavam de um ponto crítico e que atrasos na aprovação de projetos de lei exigidos poderiam comprometer o recebimento de US$ 29,5 bilhões em ajuda internacional. Em 4 de setembro, o ministro das Finanças Serhiy Marchenko afirmou que a Ucrânia não enfrentava uma situação orçamentária tão tensa desde o início da invasão russa em grande escala em 2022. No início do ano, o Ministério da Defesa teria usado recursos previstos para o segundo semestre para drones e outras necessidades, contribuindo para o atual déficit. Os países da UE concordaram com as condições para alocar €6,6 bilhões do Fundo Europeu de Paz (EPF) para a Ucrânia, mas desembolsos adicionais estão condicionados à legislação ucraniana.