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Tribunal de Lviv condena Viacheslav Zinchenko à prisão perpétua pelo assassinato da linguista Iryna Farion

Em 1º de outubro, o Tribunal Distrital Shevchenkivskyi de Lviv condenou Viacheslav Zinchenko à prisão perpétua pelo assassinato, em julho de 2024, da linguista e ex-deputada Iryna Farion, baleada perto de sua casa na rua Masaryk, em Lviv. A sentença inclui indenização de 5 milhões de hryvnias à filha da vítima, Sofiia Osoba. Zinchenko, de 18 anos à época dos fatos, foi condenado por homicídio premeditado motivado por intolerância nacional e por porte ilegal de arma de fogo.

Pontos principais

  • Tribunal Distrital Shevchenkivskyi de Lviv condenou Viacheslav Zinchenko à prisão perpétua pelo assassinato de Iryna Farion em 1º de outubro
  • Farion foi baleada na cabeça na noite de 19 de julho de 2024 perto de sua casa na rua Masaryk, em Lviv, e morreu no hospital
  • Zinchenko, então com 18 anos e residente em Dnipro, foi detido em 25 de julho de 2024 em Dnipro
  • Foi condenado por homicídio premeditado motivado por intolerância nacional (art. 115, §2 do Código Penal da Ucrânia) e por porte ilegal de arma (art. 263, §1)
  • O tribunal concedeu parcialmente o pedido civil e fixou indenização de 5 milhões de hryvnias à filha da vítima, Sofiia Osoba, que havia pedido 15 milhões
  • A decisão ainda não transitou em julgado e pode ser apelada em até 30 dias no Tribunal de Apelações de Lviv
  • Zinchenko negou as acusações, recusou-se a depor e a fazer a declaração final; a defesa classificou o caso como 'fabricado'

Por que importa

O caso encerra um julgamento de alto perfil sobre o assassinato de uma ex-parlamentar e figura pública cujas posições pela língua ucraniana a tornavam uma personalidade polarizadora. O reconhecimento do motivo de intolerância nacional pelo tribunal e o destaque dado pelo Ministério Público aos vínculos do suspeito com comunidades extremistas conectadas à Rússia elevam o peso político do caso. A prisão perpétua, pena máxima prevista no direito penal ucraniano, sinaliza a gravidade com que o Estado trata homicídios de motivação ideológica. O processo também chamou atenção para a radicalização online e para o papel de grupos em mensagerias que promovem violência.

O que aconteceu

Em 1º de outubro, o Tribunal Distrital Shevchenkivskyi de Lviv anunciou a sentença no caso do assassinato de Iryna Farion. O colegiado de juízes, presidido por Petro Nevoit e integrado por Oleksandr Baiev e Pavlo Eder, condenou Viacheslav Zinchenko à prisão perpétua. A decisão também o obriga a pagar 5 milhões de hryvnias de indenização moral à filha da vítima, Sofiia Osoba, que havia pedido 15 milhões; o pedido foi parcialmente atendido.

O tribunal reconheceu Zinchenko como autor de homicídio premeditado contra pessoa no exercício de dever cívico, motivado por intolerância nacional (art. 115, §2 do Código Penal da Ucrânia), e de porte ilegal de arma de fogo (art. 263, §1). Durante o julgamento, ele negou as acusações, recusou-se a depor, não participou dos debates finais e abriu mão da declaração final. A defesa classificou o caso como 'fabricado' e pediu o afastamento dos juízes.

A sessão ocorreu sob forte esquema de segurança, com a rua do tribunal interditada e triagem reforçada para todos os presentes. Apoiadores da vítima e do réu se reuniram em frente ao prédio; após a leitura da sentença, houve gritos de 'Vergonha' vindos de apoiadores do réu. A defesa tem 30 dias para recorrer ao Tribunal de Apelações de Lviv.

O que dizem as fontes ucranianas

A imprensa ucraniana trata o caso principalmente como um processo penal doméstico, com cobertura marcante sobre a identidade da vítima como linguista, figura pública e ex-deputada da Rada, e sobre os atos em frente ao tribunal que pediam a prisão perpétua. As reportagens destacam o motivo de intolerância nacional reconhecido pelo tribunal e a ligação do suspeito com grupos extremistas no Telegram associados à Rússia, enquadrando o assassinato como um ataque de motivação política e ideológica.

A cobertura privilegia o detalhamento processual: a composição do colegiado, os promotores responsáveis, o pedido civil da filha e o valor da indenização, a recusa do réu em depor e o prazo de 30 dias para recurso, em um estilo de reportagem centrado no andamento judicial. Vários veículos dão destaque à forma como Zinchenko se autodescrevia como 'sanitarista desta sociedade' e às anotações com o plano detalhado do crime, apresentando o caso como um estudo de radicalização online e premeditação.

Onde as versões divergem

As fontes divergem sobre a data exata do anúncio da sentença: ao menos uma fonte a situa em 1º de outubro de 2026 e outra em 1º de outubro de 2025, enquanto a grande maioria das reportagens e dos fatos reúne os eventos do caso entre 2024 e 2025, com a instrução tendo ido a julgamento a partir de fevereiro de 2025 e a sentença anunciada em 1º de outubro, sem que o ano seja especificado na maior parte das manchetes.

Contexto

Iryna Farion, linguista e ex-deputada da 7ª Verkhovna Rada, foi baleada na cabeça perto de sua casa na rua Masaryk, em Lviv, na noite de 19 de julho de 2024, e morreu no hospital na mesma madrugada; ela tinha 60 anos. O suspeito, um jovem de 18 anos de Dnipro, foi detido em 25 de julho de 2024; em dezembro de 2024 a tipificação foi alterada para incluir o motivo de intolerância nacional e porte ilegal de arma. O julgamento de mérito correu a partir de fevereiro de 2025; os debates finais duraram cerca de cinco meses, com mais de 80 audiências e um processo de 30 volumes. O colegiado se recolheu para deliberar em 17 de setembro, antes de anunciar a sentença em 1º de outubro. O Ministério do Interior considerou várias linhas de investigação, incluindo a atividade pública e política de Farion, inimizade pessoal, encomenda do assassinato e um possível 'rastro russo'; a investigação tratou o atirador como autor do disparo, sem descartar o envolvimento de outras pessoas no planejamento. O réu negou a autoria, abriu mão da declaração final e a defesa classificou o caso como 'fabricado' e pediu o afastamento dos juízes.