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EUA propõem desbloquear ativos russos e transferi-los para estrutura sob controle de Washington; europeus rejeitam

Os Estados Unidos propuseram a parceiros europeus o desbloqueio parcial de ativos soberanos russos congelados após a invasão da Ucrânia, transferindo-os para uma estrutura financeira sob controle de Washington para tentar reviver as negociações de paz. Delegados europeus presentes a uma reunião em Miami com negociadores de representantes de Donald Trump rejeitaram a proposta, dizendo-se contrários a abrir mão do controle sobre os ativos. A medida exigiria unanimidade entre os 27 países da UE, cenário visto como improvável.

Pontos principais

  • Proposta dos EUA prevê descongelar ativos soberanos russos e transferi-los para estrutura sob controle de Washington
  • Plano foi apresentado em Miami na semana passada por Steve Witkoff e Jared Kushner a representantes da Ucrânia, França, Alemanha, Reino Unido, UE e OTAN
  • Delegados europeus rejeitaram a proposta; um participante disse: 'isso simplesmente não vai acontecer'
  • Ocidente congelou cerca de 260 bilhões de euros em ativos estatais russos em 2022; a maioria está na UE
  • Kiev já recebeu empréstimo de 45 bilhões de euros do G7 lastreado em receitas dos ativos congelados
  • Qualquer decisão da UE exige consenso entre os 27 países-membros, considerado improvável

Por que importa

A proposta transferiria o controle dos ativos soberanos russos bloqueados da Europa para uma estrutura sob comando dos EUA, remodelando a alavancagem financeira disponível para pressionar Moscou. Embora seja apresentada como meio de revivar as negociações de paz, a rejeição europeia sinaliza uma fissura dentro da coalizão ocidental sobre como tratar os ativos russos. Como esses ativos lastreiam um empréstimo existente do G7 à Ucrânia, qualquer alteração tem implicações diretas para o financiamento de guerra de Kiev. Uma ideia semelhante figurou no plano de paz de 28 pontos dos EUA do ano passado, que não conseguiu apoio, o que sugere que a proposta atual enfrenta obstáculos familiares.

O que aconteceu

Os Estados Unidos apresentaram a países europeus uma proposta para descongelar parte dos ativos soberanos da Rússia bloqueados após a invasão em larga escala da Ucrânia e transferi-los para uma nova estrutura financeira de propósito especial sob controle de Washington. O plano foi levantado na semana passada em Miami por negociadores do presidente Donald Trump — o enviado especial Steve Witkoff e o genro do presidente, Jared Kushner — em um encontro com representantes da Ucrânia, França, Alemanha, Reino Unido, UE e OTAN. A proposta gerou surpresa nas capitais europeias e em Kiev e levantou dúvidas sobre as intenções dos EUA e uma abordagem fundamentalmente diferente para pressionar Moscou a encerrar a guerra. Washington também pediu a Kiev que apresentasse uma proposta sobre como qualquer dinheiro, de quaisquer fontes, seria gasto, e que cooperasse com o Banco Mundial em reformas anticorrupção e de prestação de contas. Delegados europeus presentes à reunião rejeitaram o plano. Um dos participantes afirmou que eles foram informados de que 'isso simplesmente não vai acontecer'. Um funcionário americano disse que o uso dos ativos russos congelados foi discutido como parte de um acordo de paz abrangente, e que os mecanismos para o desbloqueio e as direções de uso ainda estão sendo discutidos. Uma ideia semelhante apareceu no plano de paz de 28 pontos da administração Trump proposto no ano passado, que não obteve apoio.

Contexto

Após a invasão em larga escala da Ucrânia, países ocidentais congelaram cerca de 260 bilhões de euros em ativos estatais russos, a maioria mantida na UE. Kiev já recebeu um empréstimo de 45 bilhões de euros do G7, lastreado em receitas desses ativos congelados. Líderes da UE se comprometeram anteriormente a usar os ativos para a reconstrução da Ucrânia caso a Rússia não pague reparações ao fim da guerra, e muitos governos europeus citam preocupações legais sobre seu redirecionamento. Qualquer decisão da UE de desbloquear os ativos exigiria unanimidade entre os 27 países-membros.