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Projeto de sanções contra a Rússia trava na Câmara dos EUA e deve ficar parado até as eleições de novembro

O projeto de lei aprovado pelo Senado dos EUA em agosto que prevê tarifas de 100% sobre os maiores importadores de petróleo e gás russos e sobre países que ajudam a Rússia a burlar sanções enfrenta resistência na Câmara dos Representantes. O presidente da Câmara, Mike Johnson, afirmou que o texto dificilmente será votado antes das eleições legislativas de 3 de novembro, citando a oposição de democratas e de alas do próprio Partido Republicano, além de preocupações com o preço da gasolina e com a ampliação dos poderes tarifários do presidente Donald Trump.

Pontos principais

  • Câmara dos EUA: projeto de novas sanções contra a Rússia enfrenta resistência e provavelmente não será votado antes das eleições legislativas de 3 de novembro
  • Proposta prevê tarifas de 100% sobre os cinco maiores importadores de petróleo e gás russos e sobre países que ajudam a Rússia a burlar sanções, incluindo China, Índia e Turquia
  • Preocupação com alta nos preços da gasolina e da energia é um dos principais obstáculos ao avanço do projeto
  • Democratas temem que o texto dê ao presidente Donald Trump nova base legal para impor tarifas amplas; seu tarifaço atual é questionado na Justiça
  • Coalizão de entidades empresariais dos EUA, como Câmara de Comércio, Retail Industry Leaders Association e National Foreign Trade Council, enviou carta ao Congresso alertando para consequências imprevistas
  • Autor do projeto, o senador Lindsey Graham morreu em julho; o texto foi coautorado com o senador democrata Richard Blumenthal e aprovado no Senado por 86 a 11

Por que importa

O projeto é uma das principais iniciativas em tramitação no Congresso dos EUA para intensificar a pressão econômica sobre a Rússia e demonstrar apoio à Ucrânia. Sua paralisação adia a imposição de tarifas de 100% sobre os maiores compradores de energia russa e sobre países que auxiliam Moscou a contornar sanções, em um momento em que a Ucrânia busca novas alavancas diplomáticas. Ao mesmo tempo, o impasse expõe as fissuras políticas em Washington: republicanos temem o impacto do texto nos preços da gasolina antes das eleições, enquanto democratas resistem a ampliar os poderes tarifários do presidente.

O que aconteceu

O projeto de lei que endurece as sanções contra a Rússia e o Irã, de autoria do senador Lindsey Graham e coautorado pelo senador democrata Richard Blumenthal, foi aprovado no Senado em 7 de agosto por 86 votos a 11. Na Câmara dos Representantes, no entanto, o texto travou. O presidente da Câmara, Mike Johnson, declarou na quinta-feira (4 de setembro) que duvida que o projeto seja votado antes das eleições legislativas de 3 de novembro, argumentando que o Congresso trabalhará poucos dias em Washington nos próximos dois meses. Johnson também lembrou que a oposição não vem apenas dos democratas, mas também de alas do Partido Republicano. O texto autoriza o presidente Donald Trump a impor tarifas de 100% sobre os cinco maiores importadores de petróleo e gás russos e sobre cinco países que ajudam a Rússia a burlar sanções energéticas, entre os quais estão China, Índia e Turquia. Para uma tramitação acelerada na Câmara seria necessária maioria de dois terços, difícil de alcançar dada a maioria republicana estreita. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiha, pediu à Câmara que aprove o projeto, citando um recente ataque russo a uma fábrica da Coca-Cola na região de Kyiv.

O que dizem as fontes ucranianas

A cobertura ucraniana apresenta o projeto como instrumento para aumentar a pressão sobre a Rússia e reafirmar o apoio dos EUA a Kiev. Autoridades ucranianas, incluindo o comissário presidencial para política de sanções Vladyslav Vlasiuk, aparecem ativamente envolvidas em reuniões com congressistas americanos para destravar a votação. A paralisação é vista como mais um capítulo da batalha diplomática de Kiev para manter o tema das sanções vivo em Washington, especialmente em meio aos ataques russos a alvos civis e a empresas ocidentais na Ucrânia.

Onde as versões divergem

As fontes divergem sobre o histórico da votação no Senado: algumas reportam aprovação final por 86 a 11, outras mencionam uma votação procedural de 86 a 12 a favor do avanço, e há relatos de que o texto chegou a obter 81 votos antes de ser bloqueado a pedido da Casa Branca durante negociações com Vladimir Putin. Também circulam datas diferentes para a votação no Senado, como 7 de agosto. As variações refletem confusão na cobertura sobre se houve aprovação final ou apenas um passo procedural, sem que as fontes consigam distinguir com clareza o desfecho da tramitação no Senado.

Contexto

O projeto foi registrado em abril de 2025 e teve uma versão atualizada e suavizada apresentada em 14 de julho, após a morte repentina de Lindsey Graham em julho. O Senado dos EUA aprovou o texto em agosto, após uma votação procedural de 86 a 12. A China, a Índia e a Turquia são identificados como os maiores compradores de energia russa. A votação na Câmara é complicada pela maioria republicana estreita e pela resistência interna dentro do próprio partido. Os preços da gasolina nos EUA já subiram após a guerra com o Irã, o que torna o tema politicamente sensível para os republicanos às vésperas das eleições de novembro. A coalizão empresarial que se opõe ao projeto inclui empresas como ExxonMobil, General Electric, Ford e Pfizer.