Trump sanciona lei de Lindsey Graham que permite tarifas de 100% contra compradores de energia russa
O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou a lei conhecida como "sanções infernais", associada ao senador Lindsey Graham, que autoriza a aplicação de sanções dos EUA não apenas contra a Rússia, mas também contra terceiros países que apoiam o esforço de guerra russo por meio do comércio, incluindo tarifas de até 100% sobre compradores de energia russa. A lei foi aprovada pela Câmara dos Deputados dos EUA em 17 de setembro com apoio decisivo de 58 democratas, apesar de 42 membros da bancada ucraniana democrata terem votado contra.
Pontos principais
- Câmara dos EUA aprovou o projeto Graham-Blumenthal em 17 de setembro por volta das 2h da manhã, no horário de Kiev
- Lei permite tarifas de 100% contra países que compram energia russa
- Lei também abrange terceiros países que apoiam a Rússia via comércio
- 58 deputados democratas votaram a favor, decisão decisiva para a aprovação
- 42 dos 73 membros da bancada ucraniana democrata votaram contra
- Trump sancionou a lei conhecida como "sanções infernais"
- Autoria da análise é do cientista político Serhiy Taran
Por que importa
A lei amplia o alcance das sanções dos EUA para além da Rússia, atingindo terceiros países que comercializam com Moscou, o que pode remodelar fluxos comerciais globais. Ela cria uma alavanca econômica poderosa — tarifas de até 100% — contra grandes compradores de energia russa, como China e Índia. Ao mesmo tempo, sinaliza um raro consenso bipartidário nos EUA sobre o aumento da pressão sobre a Rússia, apesar da retórica pacifista do governo Trump.
O que aconteceu
O projeto Graham-Blumenthal, que estabelece um mecanismo para impor sanções secundárias — tarifas alfandegárias sobre bens e serviços de países que consomem petróleo russo e iraniano — foi aprovado pela Câmara dos Deputados dos EUA em 17 de setembro por volta das 2h da manhã, no horário de Kiev. O presidente ucraniano Zelensky agradeceu aos membros da Câmara, senadores e líderes do Congresso dos EUA pelo apoio ao projeto. Cinquenta e oito representantes democratas votaram a favor, decisão decisiva para a aprovação da lei. No entanto, 42 democratas da bancada ucraniana — grupo suprapartidário de 73 democratas — votaram contra. Esses 42 representam Califórnia, Illinois, Pensilvânia e Maryland. O autor da análise, o cientista político Serhiy Taran, destaca que durante 2022–2025 o Partido Democrata deu mais de 200 votos favoráveis a iniciativas legislativas relacionadas aos interesses da Ucrânia, nível de apoio muito superior ao registrado nesta votação. Pelo menos 31 representantes justificaram seu voto a favor com base na experiência adquirida ao longo de quatro anos de participação na bancada ucraniana. Oito votos favoráveis vieram da "Blue Dog Coalition", grupo minoritário que defende decisões que promovam a estabilidade financeira e a segurança nacional de longo prazo dos EUA. Trump sancionou a lei conhecida como "sanções infernais", que permite tarifas de até 100% contra países compradores de energia russa e sanções contra terceiros países que apoiem o exército russo por meio do comércio.
O que dizem as fontes ucranianas
O artigo de opinião em língua ucraniana centra-se no projeto de Lindsey Graham e o enquadra como um importante instrumento de escalada, destacando seu potencial impacto sobre terceiros países que negociam com a Rússia. O autor enfatiza o apoio bipartidário dos EUA ao aumento da pressão sobre a Rússia como um sinal positivo para a Ucrânia, ao mesmo tempo em que observa a deriva populista simultânea na Europa rumo à redução do apoio à Ucrânia. A análise chama a atenção para a divisão interna democrata: enquanto 58 deputados do partido votaram a favor, 42 membros da bancada ucraniana — incluindo possíveis candidatos à indicação presidencial democrata de 2028 vindos de Califórnia, Illinois, Pensilvânia e Maryland — votaram contra.
Onde as versões divergem
A análise do autor diverge do texto literal da lei quanto à sua aplicação efetiva. Embora a lei permita tarifas de 100% sobre países que compram energia russa, o autor considera difícil imaginar que Trump venha a impor essas tarifas amplamente contra grandes compradores como China ou Índia, o que significaria uma guerra econômica imediata. Em vez disso, o autor acredita que Trump usará a lei de forma seletiva, como instrumento político para intimidar países específicos que ele considere estar ajudando a Rússia a escapar das sanções.
Contexto
Democratas há muito criticam Trump por ser considerado excessivamente condescendente com Putin. Dentro do Partido Republicano, republicanos da tradição clássica reaganiana estão ganhando influência sobre os apoiadores do MAGA. Em alguns países europeus, um discurso populista avança no sentido de reduzir o apoio à Ucrânia.