Deputados dos EUA pedem a Trump que não alivie sanções contra a Rússia e aplique a 'Lei Graham'
Quatro deputados americanos integrantes do Grupo de Apoio à Ucrânia no Congresso enviaram uma carta ao presidente Donald Trump pedindo que ele não enfraqueça as sanções contra a Rússia e, em vez disso, aplique a chamada 'Lei Graham', que prevê restrições 'infernais' a Moscou. A carta é uma resposta a reportagens segundo as quais a administração Trump estaria considerando trocar o alívio de sanções pela libertação de presos políticos russos. Os legisladores argumentam que afrouxar as sanções encorajaria a Rússia e prolongaria a guerra, e destacam que a lei fixa o dia 18 de outubro como prazo para que o presidente americano anuncie sanções contra o país.
Pontos principais
- Quatro deputados assinaram o apelo: Marcy Kaptur, Brian Fitzpatrick, Mike Quigley e Joe Wilson, copresidentes do Caucus Ucraniano no Congresso dos EUA.
- A carta foi divulgada pelo Grupo de Apoio à Ucrânia no Congresso, formado por membros de ambos os partidos.
- A carta responde a reportagens de que a administração Trump consideraria aliviar sanções e restabelecer laços econômicos com Moscou em troca da libertação de presos políticos.
- Os parlamentares argumentam que afrouxar sanções encorajaria a Rússia e prolongaria a guerra, e que 'a paz na Europa só pode ser alcançada pela força'.
- A 'Lei Graham' estabelece o dia 18 de outubro como prazo para que o presidente dos EUA anuncie sanções contra a Rússia.
- Trump sancionou em 18–19 de setembro o projeto HR 5334, a 'Lei Lindsey O. Graham de Imposição de Sanções contra a Rússia e o Irã de 2026', que autoriza tarifas de até 100% sobre países que continuarem comprando energia russa.
Por que importa
O apelo sinaliza resistência bipartidária no Congresso dos EUA a qualquer afrouxamento das sanções contra a Rússia durante a guerra, em um momento em que reportagens indicam que a Casa Branca estuda trocar alívio de sanções pela libertação de presos políticos. Os legisladores enquadram a pressão econômica como essencial para conter Moscou e retomar o caminho diplomático, e vinculam seu pedido ao prazo legal de 18 de outubro previsto na 'Lei Graham' para que o presidente americano anuncie novas sanções. A manifestação também demonstra a continuidade do apoio congressional à Ucrânia após a morte do senador Lindsey Graham, autor da legislação.
O que aconteceu
Quatro membros do Grupo de Apoio à Ucrânia no Congresso dos EUA — os deputados Marcy Kaptur, Brian Fitzpatrick, Mike Quigley e Joe Wilson — enviaram uma carta ao presidente Donald Trump pedindo que ele não enfraqueça as sanções contra a Rússia e, em vez disso, aplique as medidas previstas na 'Lei Graham'. A carta foi motivada por reportagens, incluindo uma da revista The Atlantic publicada em 29 de setembro, segundo as quais o enviado especial de Trump para a Europa Oriental, John Coale, teria proposto meses antes uma troca ao estilo da Guerra Fria: a Rússia libertaria presos políticos em troca do alívio das sanções americanas e da retomada de laços econômicos com Moscou; a reportagem afirma que Trump teria concordado com a proposta.
No documento, os parlamentares argumentam que afrouxar as sanções encorajaria a Rússia e prolongaria a guerra, classificam o presidente Vladimir Putin como criminoso de guerra e afirmam que, enquanto continuar a invasão em larga escala da Ucrânia, os Estados Unidos devem tomar todas as medidas necessárias para detê-lo. Os quatro são copresidentes do Caucus Ucraniano no Congresso, que reúne 104 membros de ambos os partidos, e pedem que a administração aja rapidamente para aumentar a pressão econômica sobre Moscou, afirmando que 'a paz na Europa só pode ser alcançada pela força'.
A carta se inscreve em um contexto mais amplo. A 'Lei Graham' foi apresentada ao Senado em abril de 2025 por Lindsey Graham e Richard Blumenthal, com coautoria bipartidária, prevendo inicialmente uma tarifa de 500% sobre importações de países que continuassem comprando petróleo e outras matérias-primas russas. Após a morte súbita de Graham em 11 de julho de 2026, o projeto foi aprovado pela Câmara em 16 de setembro e sancionado por Trump na noite de 18 para 19 de setembro como a 'Lei Lindsey O. Graham de Imposição de Sanções contra a Rússia e o Irã de 2026' (HR 5334). O texto autoriza o presidente a impor tarifas de até 100% sobre países que continuarem adquirindo energia russa, amplia restrições ao comando militar, aos setores financeiro e energético da Rússia, a fornecedores estrangeiros e aos navios da 'frota fantasma', e reforça controles de exportação sobre bens que possam ser usados na produção de armas. A lei fixa 18 de outubro como o primeiro prazo para que o presidente americano anuncie sanções contra a Rússia.
Contexto
A chamada 'Lei Graham' foi apresentada em abril de 2025 no Senado dos EUA por Lindsey Graham (Republicano) e Richard Blumenthal (Democrata). Em junho de 2025, o The Wall Street Journal relatou que a administração Trump tentava convencer Graham a suavizar o projeto, e a Politico afirmou que o texto poderia ser significativamente enfraquecido antes da aprovação. Em 10 de julho de 2026, durante visita a Kiev, o senador Graham anunciou em coletiva que havia um acordo com a Casa Branca sobre uma nova versão do projeto. No dia seguinte, 11 de julho, Graham morreu subitamente. Em 16 de setembro, a Câmara dos Representantes aprovou o projeto, que Trump sancionou na noite de 18 para 19 de setembro como 'Lei Lindsey O. Graham de Imposição de Sanções contra a Rússia e o Irã de 2026'. A lei autoriza tarifas de até 100% sobre países que continuarem comprando energia russa, amplia sanções contra o comando militar, os setores financeiro e energético da Rússia, fornecedores estrangeiros e embarcações da 'frota fantasma', e endurece controles de exportação de bens que possam servir à produção de armas. Anteriormente, um grupo de senadores democratas já havia divulgado declaração conjunta pedindo a Trump que aplicasse a 'Lei Graham' e tarifas punitivas sobre compradores de energia russa, e em seu discurso na Assembleia Geral da ONU Trump afirmou estar disposto a aplicar a lei 'se necessário'.