Câmara dos EUA deve votar na próxima semana projeto de sanções contra a Rússia copatrocinado por Graham
A Câmara dos Representantes dos EUA agendou para a próxima semana a votação do projeto de sanções contra a Rússia (e o Irã) conhecido como Graham-Blumenthal (H.R. 5334). O texto, aprovado pelo Senado em agosto, autoriza o presidente Donald Trump a impor tarifas de até 100% sobre os cinco maiores compradores de petróleo e gás russos e prevê sanções obrigatórias contra a liderança russa, o setor de energia e o chamado frota fantasma. A votação enfrenta resistência bipartidária, em parte pelo receio de ampliar demais os poderes tarifários do Executivo.
Pontos principais
- Câmara dos EUA deve votar na próxima semana o projeto Graham-Blumenthal de sanções contra a Rússia (e o Irã), formalmente H.R. 5334.
- Comitê de Regras da Câmara marcou a consideração do texto para a tarde de 14 de setembro, sob procedimento que exige maioria simples.
- Projeto autoriza o presidente a impor tarifas de até 100% sobre os cinco maiores compradores de petróleo e gás russos e sobre os cinco maiores países que ajudam a Rússia a contornar sanções energéticas.
- Texto também permite tarifas de até 500% sobre bens importados diretamente da Rússia e prevê sanções obrigatórias contra a liderança russa, o setor de energia, a indústria de defesa e a frota fantasma.
- Senado dos EUA aprovou o projeto em 7 de agosto por 86 votos a 11 (contagem contestada por algumas fontes, que citam 86 a 12 em 28 de julho).
- Lindsey Graham, copatrocinador do projeto, morreu em 12 de julho de 2026, dias após anunciar em Kyiv acordo com a Casa Branca para uma versão revisada do texto.
- Democratas liderados por Hakeem Jeffries e alguns republicanos resistem ao projeto por entender que ele concede ao presidente Trump poderes tarifários excessivos.
Por que importa
Se aprovado, o projeto representa uma escalada significativa da pressão econômica dos EUA sobre a Rússia e sobre países terceiros que sustentam a indústria de energia russa. China, Índia e Turquia estão entre os maiores compradores de petróleo e derivados russos e poderiam ser alvo das novas tarifas. Ao mesmo tempo, a votação expõe divergências internas nos EUA: democratas e parte dos republicanos temem que o texto amplie demais os poderes tarifários do Executivo e pressione preços de energia, enquanto a Ucrânia e aliados europeus defendem a aprovação como sinal político de apoio a Kiev.
O que aconteceu
A Câmara dos Representantes dos EUA agendou para a próxima semana a votação do projeto de sanções Graham-Blumenthal contra a Rússia (e o Irã), oficialmente H.R. 5334, batizado "Lei de Sanções Lindsey Graham contra a Rússia e o Irã". O Comitê de Regras marcou a análise do projeto para a tarde de 14 de setembro, sob procedimento que exige apenas maioria simples para aprovação.
O texto autoriza o presidente Donald Trump a impor tarifas de até 100% sobre os cinco maiores compradores de petróleo bruto e gás natural russos, e sobre os cinco maiores países que ajudam a Rússia a contornar sanções energéticas. Também permite tarifas de até 500% sobre bens importados diretamente da Rússia e estabelece sanções obrigatórias contra a liderança russa, o setor de energia, entidades que cooperam com a indústria de defesa russa e a chamada frota fantasma.
O projeto já havia sido aprovado pelo Senado em 7 de agosto, por 86 votos a 11 — contagem contestada por algumas fontes, que indicam 86 a 12 em 28 de julho. O senador Lindsey Graham, copatrocinador e principal defensor do texto, morreu em 12 de julho de 2026, dois dias após anunciar em coletiva de imprensa em Kyiv que havia chegado a um acordo com a Casa Branca para uma nova versão do projeto.
A votação na Câmara enfrenta resistência bipartidária. O líder da minoria democrata, Hakeem Jeffries, e outros nomes do partido (Gregory Meeks, Richard Neal, Don Beyer) se opõem ao projeto, assim como os senadores Ron Wyden e Elizabeth Warren, argumentando que ele concede a Trump poderes tarifários excessivos e que o presidente já tem instrumentos suficientes para sancionar empresas e embarcações que apoiam o esforço de guerra russo. O entusiasmo entre republicanos da Câmara também é limitado e enfraqueceu após a morte de Graham. A Câmara de Comércio dos EUA enviou uma carta à liderança da Câmara pedindo a retirada das disposições tarifárias do projeto e o foco em sanções direcionadas e diplomacia com países compradores de energia russa.
O que dizem as fontes ucranianas
As cinco fontes consultadas são veículos ucranianos (NV, ZN.UA, Rádio Svoboda, Babel e LIGA.net), e todas enquadram a votação como um momento decisivo para a Ucrânia. A cobertura destaca o apelo do presidente Volodymyr Zelensky, feito no âmbito da Yalta European Strategy, para que o Congresso dos EUA aprove o texto imediatamente. Também enfatiza apoios externos ao projeto, como o apelo público da senadora Jeanne Shaheen e a avaliação de um funcionário europeu anônimo, que descreveu o projeto como um importante sinal político e simbólico de apoio à Ucrânia, ainda que imperfeito.
O que dizem as fontes internacionais
A perspectiva internacional aparece apenas de forma indireta, através das vozes mencionadas pela mídia ucraniana: o pedido público da senadora democrata Jeanne Shaheen para que a Câmara apoie o projeto e a avaliação, atribuída a um funcionário europeu não identificado, de que o texto — apesar de imperfeito — daria à administração americana alavancagem adicional contra a Rússia e constituiria um sinal político e simbólico de apoio à Ucrânia. A cobertura também destaca China, Índia e Turquia como os maiores compradores de produtos energéticos russos potencialmente atingidos pelas tarifas.
Contexto
O projeto foi apresentado no Senado dos EUA no início de abril de 2025; uma versão anterior propunha tarifa de 500% sobre importações de países que continuassem comprando energia russa. Em 10 de julho de 2026, o senador Lindsey Graham anunciou em coletiva em Kyiv que havia chegado a um acordo com a Casa Branca sobre uma versão revisada do texto; dois dias depois, em 12 de julho, ele morreu subitamente. Em 6 de 2025, o Wall Street Journal havia relatado que a administração Trump pressionava Graham a suavizar o texto. O projeto só foi colocado na agenda da Câmara após os parlamentares retornarem do recesso de agosto, e o presidente da Câmara, Mike Johnson, havia indicado anteriormente que o texto provavelmente ficaria parado pelo menos até as eleições de meio de mandato de novembro.