Evento: 25 de setembro · Publicado em

Ucrânia precisa de US$ 52,6 bilhões em financiamento externo para 2027, e US$ 32,6 bilhões seguem sem confirmação

O ministro das Finanças da Ucrânia, Serhiy Marchenko, afirmou que o país precisa de US$ 52,6 bilhões em financiamento externo para cobrir o déficit orçamentário de 2027, dos quais cerca de US$ 32,6 bilhões ainda não têm confirmação. A Ucrânia aposta na União Europeia para cobrir dois terços do total e aguarda em novembro de 2026 a missão do FMI para a segunda revisão do programa EFF, que exige garantias de financiamento para o ano seguinte.

Pontos principais

  • Ucrânia precisa de US$ 52,6 bilhões em financiamento externo para o orçamento de 2027, segundo o ministro Serhiy Marchenko.
  • Cerca de US$ 32,6 bilhões desse total ainda não foram confirmados.
  • Ucrânia espera que a UE cubra dois terços das necessidades, o que confirmaria cerca de US$ 17,5 bilhões adicionais.
  • Os outros aproximadamente US$ 15 bilhões viriam de financiamento bilateral, garantias de parceiros e programas com organizações internacionais.
  • Missão do FMI para a segunda revisão do programa EFF está prevista para novembro de 2026.
  • FMI aprovou novo programa EFF de quatro anos, de US$ 8,1 bilhões, em fevereiro de 2026; primeira revisão foi concluída em julho de 2026, com desembolso de cerca de US$ 690 milhões.
  • Marchenko afirmou que o cumprimento das obrigações com o FMI é necessário tanto para atrair novos financiamentos quanto para receber os já acordados.

Por que importa

A confirmação de dezenas de bilhões de dólares em financiamento externo antes da missão do FMI em novembro de 2026 é condição para a continuidade do programa EFF e para a liberação de parcelas como cerca de US$ 700 milhões após a segunda revisão e aproximadamente US$ 950 milhões após a terceira. Sem essa comprovação, a Ucrânia corre o risco de perder tanto novos desembolsos do FMI quanto fundos já acordados por outros parceiros, em um momento em que o orçamento de defesa para 2027 — incluindo a compra de armas e sistemas de defesa aérea para janeiro e fevereiro — depende desses recursos.

O que aconteceu

O ministro das Finanças da Ucrânia, Serhiy Marchenko, afirmou que o país necessita de US$ 52,6 bilhões em financiamento externo para cobrir o déficit do orçamento estatal em 2027. Desse total, aproximadamente US$ 32,6 bilhões ainda não têm confirmação. A expectativa do governo é que a União Europeia cubra cerca de dois terços das necessidades, o que confirmaria aproximadamente US$ 17,5 bilhões adicionais. Os cerca de US$ 15 bilhões restantes devem vir de financiamento bilateral, garantias de parceiros e programas com organizações financeiras internacionais. Marcheno destacou que o cumprimento das obrigações com o FMI é indispensável tanto para atrair novos financiamentos quanto para receber recursos já acordados. O novo programa EFF de quatro anos, no valor de US$ 8,1 bilhões, foi aprovado pelo FMI em fevereiro de 2026; a primeira revisão foi concluída em julho de 2026, com desembolso de cerca de US$ 690 milhões, elevando o total disbursado sob o novo programa para US$ 2,2 bilhões. A missão do FMI para a segunda revisão está prevista para novembro de 2026 e exigirá garantias de que o orçamento estará financiado por um ano à frente. A visita do FMI a Kyiv entre o fim de agosto e o início de setembro terminou sem acordos, e Danylo Hetmantsev, presidente da comissão de finanças da Verkhovna Rada, descreveu as negociações como "extremamente difíceis".

O que dizem as fontes ucranianas

As quatro fontes consultadas são veículos ucranianos em língua ucraniana e enquadram o tema como uma urgência fiscal doméstica, atrelada ao calendário de revisões do FMI e à ação legislativa da Verkhovna Rada. A cobertura coloca Marchenko e o primeiro-ministro Serhiy Koretsky como principais porta-vozes e enfatiza o risco de perda de recursos internacionais já prometidos caso os prazos internos não sejam cumpridos. A imprensa ucraniana destaca o papel da Verkhovna Rada como possível gargalo, sublinha a importância do apoio da UE e apresenta, lado a lado, o valor de US$ 27 bilhões para as Forças Armadas citado por Zelensky e o déficit orçamentário de US$ 52,6 bilhões.

Onde as versões divergem

Há divergência entre US$ 52,6 bilhões (Marchenko, na linha do que foi discutido com o FMI) e US$ 52,5 bilhões (enquadramento do Ministério da Fazenda para estabilidade macrofinanceira). Também há diferença de enquadramento sobre as necessidades militares: em 24 de agosto, Zelensky citou US$ 27 bilhões para o Exército, dos quais US$ 8–10 bilhões para compra de armas em janeiro e fevereiro de 2027; já Marchenko apresenta US$ 52,6 bilhões como o déficit total do orçamento de 2027, e Hetmantsev mencionou US$ 29,5 bilhões em financiamento internacional em risco por atrasos parlamentares.

Contexto

O FMI aprovou um novo programa EFF de quatro anos para a Ucrânia, de US$ 8,1 bilhões, em fevereiro de 2026. A primeira revisão foi concluída em julho de 2026, com desembolso de aproximadamente US$ 690 milhões, totalizando cerca de US$ 2,2 bilhões disbursados sob o novo programa. A Ucrânia estuda formas de ampliar o financiamento por meio de ativos russos congelados, incluindo sua transferência da jurisdição belga para a da UE e a alocação em instrumentos de maior rendimento, mas ainda não há decisão. Em 14 de setembro, o primeiro-ministro Serhiy Koretsky afirmou que as finanças públicas estão "próximas do crítico" e alertou que atrasos da Verkhovna Rada podem custar ao país parte significativa dos US$ 29,5 bilhões em financiamento internacional. A missão do FMI a Kyiv entre o fim de agosto e o início de setembro terminou sem acordos, e Hetmantsev descreveu as negociações como "extremamente difíceis". Desde o início da invasão em grande escala, a Noruega destinou mais de US$ 1,2 bilhão por meio de mecanismos do Banco Mundial, dos quais cerca de US$ 717 milhões foram apoio orçamentário direto; a Ucrânia discute cooperação adicional com Oslo, incluindo o mecanismo SPUR 2.0 e o projeto PEACE.