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Tribunal anticorrupção da Ucrânia condena ex-assessor presidencial a 8 anos em caso de desvio de fundos da Ukrzaliznytsia

O Tribunal Anticorrupção Superior (ВАКС) da Ucrânia aprovou, em 13 de outubro, um acordo de confissão com Artem Shylo, ex-assessor do Gabinete do Presidente, no caso do chamado "gabinete de retaguarda" que desviou fundos da Ukrzaliznytsia (Ferrovias Ucranianas) por meio da compra superfaturada de transformadores de potência. Shylo foi condenado a 8 anos de prisão, com cumprimento substituído por três anos de liberdade condicional, multa de 204 milhões de hryvnias e confisco especial de cerca de 325 milhões de hryvnias e três apartamentos em Kiev.

Pontos principais

  • ВАКС aprovou em 13 de outubro o acordo de confissão com Artem Shylo, ex-assessor do Gabinete do Presidente.
  • Shylo foi condenado a 8 anos de prisão, com cumprimento liberado e substituído por 3 anos de período probatório (art. 75 do Código Penal).
  • Multa fixada em 204 milhões de hryvnias, parcelada em quatro trimestres de 51 milhões.
  • Confisco especial de 325,7 milhões de hryvnias e de três apartamentos em Kiev (183,5 m² e dois de 102,3 m², totalizando 388,1 m²).
  • Proibido por 3 anos de ocupar cargos com poderes organizacionais, administrativos ou econômico-administrativos em forças armadas e órgãos de aplicação da lei.
  • Acordo é o terceiro firmado no episódio do "back office" da Ukrzaliznytsia; o quarto co-organizador, Kostiantyn Melnyk, manifestou interesse em acordo que ainda não foi homologado.
  • Prejuízos à Ukrzaliznytsia são estimados em cerca de 94,7–95 milhões de hryvnias; valores variam entre fontes (até quase 100 milhões segundo NABU/SAP em março de 2025).

Por que importa

O caso é politicamente sensível porque o réu foi assessor dentro do Gabinete do Presidente durante a administração Zelensky. O esquema teria desviado cerca de 95 milhões de hryvnias da Ukrzaliznytsia, operadora ferroviária estatal que funciona em condições de guerra. O confisco de aproximadamente 325 milhões de hryvnias e de três apartamentos em Kiev representa uma das maiores apreensões de ativos em um processo anticorrupção ucraniano. O acordo exige que o réu coopere com investigadores e doe a uma fundação que apoia as Forças Armadas, inserindo o caso no esforço anticorrupção em curso, e é o terceiro acordo firmado no mesmo episódio, indicando a persecução de um grupo mais amplo.

O que aconteceu

Em 13 de outubro, o Tribunal Anticorrupção Superior (ВАКС) aprovou um acordo de confissão com Artem Shylo, ex-assessor do Gabinete do Presidente, no caso conhecido como episódio do "back office" da Ukrzaliznytsia. Shylo foi considerado culpado nos termos do art. 27, §3, art. 191, §5 e art. 209, §3 do Código Penal da Ucrânia — organização de apropriação de patrimônio em valor especialmente grande e legalização de proceeds criminais.

A pena foi fixada em 8 anos de prisão, mas o cumprimento foi liberado com base no art. 75 do Código Penal, com período probatório de 3 anos. Shylo também recebeu proibição de 3 anos para ocupar cargos com poderes organizacionais, administrativos ou econômico-administrativos em formações militares e órgãos de aplicação da lei. Pelo acordo, ele deve pagar multa de 204 milhões de hryvnias, parcelada em quatro trimestres de 51 milhões, e foi aplicada confisco especial de 325,7 milhões de hryvnias, além de três apartamentos em Kiev (183,5 m² e dois de 102,3 m²). O tribunal levantou o arresto que recaía sobre seu Mercedes-Benz pessoal.

A apuração aponta que, entre junho e dezembro de 2022, o grupo liderado por Shylo usou funcionários controlados da Ukrzaliznytsia para garantir a escolha de um fornecedor pré-selecionado de transformadores de potência a preços superfaturados. A empresa vencedora, controlada por um cidadão da Bielorrússia com laços com a Rússia, comprou os transformadores de um produtor no Uzbequistão por meio de uma empresa de fachada registrada na Bulgária e os revendeu à estatal por quase o dobro do preço original. O esquema causou à Ukrzaliznytsia prejuízos estimados em aproximadamente 94,7–95 milhões de hryvnias.

O grupo foi descoberto em 2 de abril de 2024 pela NABU e pela SAP; Shylo foi detido em 4 de abril daquele ano e liberado horas depois, mediante fiança de 30 milhões de hryvnias. Pelo acordo, Shylo também se comprometeu a compensar 60 milhões em danos e a transferir 80 milhões à fundação beneficente "Come Back Alive" ("Повернись живим"), além de prestar depoimento incriminador contra outros envolvidos.

Onde as versões divergem

Há divergência entre as fontes sobre o volume exato dos prejuízos à Ukrzaliznytsia: alguns veículos citam 94,7 milhões de hryvnias, outros 94,8 milhões, aproximadamente 95 milhões ou quase 100 milhões (este último conforme NABU/SAP em 10 de março de 2025). Há também variação no valor total dos fundos confiscados: a maioria das fontes aponta 325,7 milhões de hryvnias, enquanto a Бабель informa 325,78 milhões.

Contexto

O caso refere-se a eventos de 2021–2022, quando um grupo organizado supostamente influenciou funcionários da Ukrzaliznytsia para selecionar um fornecedor pré-determinado de transformadores de potência a preços inflados. O fornecedor vencedor era controlado por um cidadão da Bielorrússia com laços com a Rússia e revendia os transformadores, oriundos do Uzbequistão por meio de uma empresa de fachada registrada na Bulgária, por quase o dobro do preço original.

Em 2 de abril de 2024, a NABU e a SAP anunciaram a exposição do grupo; Shylo foi detido em 4 de abril e liberado após fiança de 30 milhões de hryvnias depositada em poucas horas. Shylo havia servido na SBU desde 2012 — primeiro em Kharkiv e, a partir de 2016, em Kiev — antes de se tornar assessor extraquadro do Gabinete do Presidente e, depois, retornar ao serviço na SBU em 2022, chefiando uma diretoria recém-criada. Reportagens investigativas o descrevem como próximo do vice-chefe do Gabinete do Presidente, Oleh Tatarov.

Outros dois suspeitos — o corretor Oleksandr Liskovatsky e o funcionário da SBU Oleksandr Kovalyuk — já haviam firmado acordos de confissão no mesmo episódio, e um quarto co-organizador, Kostiantyn Melnyk, manifestou interesse em acordo que ainda não foi homologado.